Ontem, dia 29 de Abril, comemorou-se o Dia Mundial da Dança... Deliciados com a qualidade da técnica e a comicidade cuidada do grupo, relembramos a Companhia de bailado masculina " Les ballets Trockadero de Montecarlo"
http://youtu.be/PBYFREnH32g
terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 22 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
"Trocando por miúdos"
Foram sólidos e audazes os pés que se aventuraram por "areias tão movediças" associadas ás intermitências do tema da morte na infância. Neste "Trocando por miúdos" deram-se passinhos de lã e passos gigantes numa partilha enriquecida pela aprendizagem, humor e emoção, onde os graúdos cresceram mais uns centímetros por dentro e os seus miúdos foram as personagens principais, de uma história que se quer continuada.
Um sincero obrigada a todos os participantes que se deixaram levar nesta aventura que promete não terminar por aqui.
Perlimpimpim e a história ainda não chegou ao fim!
terça-feira, 16 de abril de 2013
O mágico número 7!
Miller, professor de psicologia na Universidade Rockefeller, tomou conta do nosso imaginário no primeiro ano da licenciatura, através do seu trabalho mais famoso: The Magical Number Seven, Plus or Minus Two: Some Limits on our Capacity for Processing Information - O número mágico sete, mais ou menos dois: alguns limites na nossa capacidade de processar informação.
Nesse artigo, Miller dá ao número 7, a capacidade mágica de permitir que a nossa memória a curto prazo, tenha a capacidade de armazenar listas de letras, palavras, números ou qualquer tipo de itens discretos, na quantidade referente a esse número mágico (mais ou menos dois). O mundo apaixonante das estratégias mentais de facilitação ao nosso desempenho prático e diário. Desafiamo-lo(a) a ler o artigo. E já agora, repare, a curiosa combinação numérica na quantidade de dígitos, referentes aos números de telefone: 123 456 789 ( + ou – dois), e reflicta sobre a facilidade como que de uma forma imprevista, sem a ajuda do papel, facilmente os memorizamos.
Deixamos-lhe mais exemplos onde a magia matemática deste número está também presente: 7 são as virtudes; 7 são as cores do arco iris; 7 são as notas musicais, com 7 escalas, 7 pausas e 7 valores; A lua tem 4 fases de 7 dias cada; 7 são as saias das nossas mulheres do mar da Nazaré; Lisboa tem 7 colinas; 7 maravilhas da natureza; enfim, um sem número de magia que envolve o número 7…
E foi envolvido por nesta magia que de repente, O Canto da Psicologia se olhou e reparou que, também até nós, a magia do número 7 tinha chegado. Não que todos os dias os nossos pacientes não façam, pela sua transformação diária, a magia esperada e desejada que nos envolve e, faz-nos cada vez mais acreditar no Processo Terapêutico mas, atingir 7 dos objectivos a que nos tínhamos inicialmente proposto, aquando do arranque do projecto, sem dúvida, foi mágico:
1 – Já somos referência na margem sul, a partir de Alcochete;
2 – Conquistámos o nosso espaço em Lisboa o que nos obrigou a aumentar o espaço físico de atendimento;
3 – Em Setúbal, acabámos de chegar mas, já estamos a conquistar;
4 – Já somos referência no Facebook com um espaço significativo de partilha, sugestões e onde “damos a mão”, semanalmente, no chat.
5 – A Equipa cresceu com o convite a mais dois elementos, o que nos permitiu abranger mais duas valências – Dependências e Terapia de Grupo ; www.canto-psicologia.com
6 – Aumentámos os meios de ligação entre nós e quem nos segue desse lado do ecrã, através da Newsletter e do BLOG acabadinho de “inaugurar” ( visite-nos!!):
eufacopsicoterapiaegosto.blogspot.pt;
7 - E, sobretudo, conquistámo-lo(a) a si que nos lê!
É, ou não é a magia do número 7?
Um imenso obrigada de toda a equipa pela confiança, pela motivação, pelo desafio, pelas palavras, por tudo o que o/a faz chegar até nós.
Prometemos continuar a merecer o tempo que perde connosco!
O Canto da Psicologia
Ana de Ornelas
Directora Técnica
“ A insustentável leveza de uma pega azul…"
Era uma vez uma pega azul que num dia limpo e de sol escaldante, voava ali para os lados de Palmela!
Tentada pela ilusão de uma autonomia temporária arriscou e afastou-se do seu bando barulhento. Tranquilamente, enquanto olhava a beleza de uma posição privilegiada, perdeu-se para norte do estuário. A última coisa de que se lembrava, era de um espelho enorme que reflectia o azul da sua cauda e asas, numa paleta de cores em que as nuvens e o céu a confundiram com o brilho de si própria.
E, pum!!!! Estatelou-se contra uma janela gigante, de uma família gigante, não em termos de tamanho mas, de tudo o que ela abarcava: o pai, a mãe, o avô, a avó, dois filhos e no resto da quinta, dois burros, duas cabras anãs, um porquinho, galinhas, 1 gato, 4 cães, um coelho.
Bom, aparentemente tinha caído no sítio certo!
Ainda atordoada com o impacto do choque, de patinhas para o ar, abriu os olhos e, assustada, viu sobre si uns olhos bem maiores que os seus, numa cabeça gigante e um sorriso de orelha a orelha que acompanhava um grito de excitação:
- mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! Olha um angry birds azul vivo!!!!
Era o António, a criança mais velha daquela família, 5 anos, que adorava desde muito pequenino todos jogos possíveis e impossíveis de serem jogados no iphone ou, ipad do pai. O Angry birds, inquestionavelmente, era o jogo preferido deste menino.
E vieram todos a correr. A mãe primeiro, claro e, com aquele jeito que só mãe tem, pegou na assustada pega azul, levantou-a com jeitinho, aconchegou-a na concha das suas mãos e levou-a para a sala onde toda a família podia ver mas, não tocar. E cuidou dela, como só mãe sabe cuidar. A pega azul, ainda num estado de paralisia total, não recomposta, desfeita pelo impacto mas, viva, continuava sem perceber o que lhe tinha acontecido. No entanto, aquele quente das mãos acalmava-a.
O António, seu fã, insistia: - Mãe, posso segurar ela, posso? Posso?
A mãe, devolvia-lhe: - António, o passarinho está tonto pela queda! Vamos ter que cuidar com muito jeitinho!
E o António, inundado de uma felicidade incontrolável, sem se conseguir conter, insistia:
- Só um diguinho (bocadinho) mamã, só um diguinho! E a mãe deixou…
Com o jeito de um menino de 5 anos feliz, o António, mostrava a toda a família o seu passarinho azul do jogo angry birds! E toda a família sorria e ria, pelo seu entusiasmo e fantasia contagiante. E correu para o avô. O avô, que vivia num mundo dele, solitário, em que o Alzheimer era a sua companhia e que só o António e o irmão de vez em quanto o conseguiam despertar, mas para o colo de quem ele corria sempre que podia, sorriu e sussurrou:
- Cuida dele! Com jeitinho! Ele precisa, como o avô!
E o António cuidou! Mas cuidou tão bem, mas tão bem e abraçou tanto o seu angry bird nas suas mãozinhas pequeninas para que ele não tivesse frio, que a pega azul, frágil como estava, não resistiu ao excesso de zelo do menino e acabou por morrer.
Ao notar que já não se mexia, o António correu para a mãe e disse-lhe:- Mãe, ele não se mexe, porquê? A mãe, percebendo de imediato o que tinha acontecido mas sem saber muito bem o que lhe dizer, respondeu:
- António, como no teu jogo, ele não vai mexer-se mais! Morreu!
E o António insistia:
- Mamã, carrega no “restart”, no “restart” mamã, carrega! Vais ver, o passarinho volta!
Mas, a pega azul que nesse dia se afastou do seu bando, não voltou! E a mãe do António, não conseguiu explicar de forma contentora o que tinha acontecido ali!
Passaram-se os dias. Aparentemente, tudo tinha voltado ao normal após este incidente. Só algo, aos olhos desta mãe, parecia estar diferente. E mais atenta, percebeu que o António ultimamente passava pelo avô, olhava-o, tocava-o de forma leve e rápida mas não ia para o seu colo, nem o abraçava como antigamente.
E uma tarde, quando os meninos chegaram da escola e o irmão do António, o José, correu para o avô e como habitual deu-lhe um beijo, abraçou-o e foi lanchar, a mãe, foi ter com o António que já lanchava e perguntou-lhe:
- Porque não foste dar o teu abracinho ao avô?
E o menino respondeu:- Poque tava com muita fome! E baixou os olhos como se não quisesse que a mãe lhe visse a verdade reflectida no olhar!
A mãe insistiu:
- Mas o avô gosta tanto e precisa!
E o António, que até aí se tinha contido, lançou-se nos braços da mãe e disse-lhe a chorar:
- Não posso, mamã. Não posso abraçar o avô! Eu ainda não sei o que é morrer! E eu gosto tanto do avô, como gostei do angry birds, que se eu o abraçar com muita força como eu gosto, eu acho que ele pode desaparecer e tu não sabes fazer “restart” para ele voltar e eu vou ficar muito triste. O que é isto de morrer, mamã?
E a mãe, silenciou esta sua própria incapacidade de perceber a morte e, não soube o que responder ao seu filho!
O que responder a um filho perante questões em que a temática é a perda, a morte, mesmo que seja só, a de uma simples pega azul?
O Canto da Psicologia
Dr.ª Ana de Ornelas
Um Olhar sobre o espelho da Anorexia
“Olho-me.
Contemplo o meu corpo transfigurado. Debruço-me sobre os braços, depois as
pernas, o tronco. Toco a pele, gelada. Devia agasalhar-me, mas não sou capaz.
Quero continuar a olhar para mim, assim, despida do tudo aquilo que vai
enchendo este vazio e que, numa luta comigo, se constrói como disfarce do que
tento ser e não sou. Por isso gosto de me olhar aqui, ao espelho. Porque é no
espelho que me encontro comigo. Nele, sou capaz de me olhar por dentro.
Ao mesmo tempo, odeio. Odeio sentir que ainda não alcancei a meta, e que o meu corpo está como quero. Sinto repugnância por este corpo, que não corresponde ao que desejo. Ainda assim, o espelho tornou-se o meu maior aliado. É no reflexo dele que consigo entrever quem sou. E agarro a face, como tantas vezes tento agarrar a pele ou o corpo, porque me dá este sentir dos limites do que me faz pessoa. É quando toco no meu corpo que entendo os limites de mim. Porque, aos poucos, ele se transformou em qualquer coisa que finalmente vou sentindo ser capaz de controlar – Esta revelação surpreendente na minha vida, onde tantas vezes tão pouco fui capaz de sentir, de reter. Onde tantas vezes me senti volátil, à mercê dos outros. E agora, percebo: pelo menos o meu corpo, consigo que seja o que eu quero ser. Consigo transformá-lo, ajustá-lo, enchendo e esvaziando, à mercê do que eu quiser. Sempre em luta. Uma luta que agora é só minha e onde acredito que poderei ser vencedora.
Perdi peso. Algum peso. Mas não tanto como os outros me querem fazer ver. Esses outros que têm como prato preferido fazer de mim aquilo que não sou. Agora sinto-me Eu, quando toco a minha pele e o meu corpo. Sei que estou ali e que sou Eu, Maria, Madalena, Isabel. Não importa, não é o nome que me define. É o meu corpo. E consigo consolar a dor que outrora sentia, perdida no vazio de mim, sozinha nos recantos sombrios que me habitam, à espera de um resgate que nunca pareceu chegar. Quando me olho ao espelho, vejo que encontrei um cais. Este corpo que é paredão do que sinto, mas que agora existe, tem forma, tem cor, tem cheiro. Esta forma, esta cor e este cheiro que sou capaz de transformar.
No nada, o meu corpo foi tudo.
Tudo o que consegui controlar.”
Canto da Psicologia,
Dr.ª Joana Alves Ferreira
Somos todos um pouco Contadores
de Histórias!
Há um cheiro que fica no ar! O
cheiro do leite a ferver , do bolo que termina no forno e até o cheiro da
história que a minha avó contava, num ritual semanal, num dia específico da semana, na hora da avó e neta. – curioso, agora que recordo, quase como um prenúncio
do que seria o meu futuro: escutar narrativas
de vida, a um dia de semana, num horário previamente combinado entre psicóloga
e paciente -.
Como boa Contadora de Histórias
que era, não prescindia de preparar todo um cenário que anunciasse de uma forma
velada o tipo de história que iria ser contada nesse dia: de príncipes e princesas ou, lendas perdidas no tempo ou, histórias de
animais ou, histórias da sua própria
história!
E tudo começava com o tom mais apropriado
ao tipo de enredo, pela famosa frase que
dá início à fantasia em todas as histórias: “
Era uma vez…”
E eu, deliciada por todo o contexto envolvente,
num ápice, voava em pensamento para onde ela me levava através da voz, da
entoação, do narrar; num instante eu era a princesa, como de seguida o príncipe,
como logo depois um dos porquinhos a fugir do lobo mau ou, o grilo falante no
nariz do Pinóquio ou, a neta amedrontada a levar o lanche à avó pela floresta
densa do enredo ou, a branca de neve à espera do beijo que ficava só no
pensamento que eu ainda não tinha idade para isso ou, o patinho feio, enfim …um rol de personagens
que tomavam forma e vida, num espaço de afecto, em que o mundo rodopiava lá
fora mas, que ali, só eu importava!
Deliciosamente eu me encantava….
Enquanto também contadores de
algumas histórias, histórias que passaram aqui através dos nossos textos, O Canto da Psicologia não
poderia deixar de assinalar este dia pelas histórias que já lhe contaram e o
fizeram sonhar, pelas histórias que já contou e fez sonhar e, sobretudo, pela sua inquestionável capacidade de criar e
mudar, a sua própria história.
A equipa deseja-lhe um bom dia…
O Canto da Psicologia
Dr.ª Ana de Ornelas
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