sexta-feira, 10 de maio de 2013




EU FAÇO PSICOTERAPIA E GOSTO!
(ou, a Arte da Cerâmica...)

Dizem os entendidos, que a arte da cerâmica é ao mesmo tempo a mais simples e a mais difícil de todas as artes: a mais simples por ser a mais elementar, e a mais difícil por ser a mais abstracta! No entanto, sendo uma das artes mais primitivas muito, muito antes da escrita, os traços expressivos deixados em peças da altura, dão-nos conta de uma forma possível de comunicação: através deles, nós conseguimos percepcionar a realidade do momento. A milenar arte cerâmica, que atravessou séculos e séculos da história da civilização e resistiu a muitos costumes é hoje, uma expressiva forma de arte plástica!

A esta altura, quem estiver a ler este texto, questionar-se-à sobre a pertinência deste tema a partir dum título que é, só por si, uma constatação absoluta de alguém que assume um verbo de uma forma firme e clara! Já lá iremos!

Tal como o ceramista trabalha a sua peça com a arte, leveza e intensidade exigida pela criatividade, também nós trabalhamos a comunicação através desta arte que é a escrita e tentamos levar até si a magia das palavras feita obra, através da junção dos seus signos nos nossos textos ,em papel virtual, bem longe dos seus primórdios em superfícies como argila, pedra ou madeira. E como para nós, importa a pertinência da informação e comunicação, amassando os pensamentos de todos de maneira a que, as partículas destes se organizassem e as bolhas de ar desaparecessem para que a plasticidade do “barro” atingisse o ponto desejado, a equipa d’ O Canto da Psicologia deu início à construção da peça: a criação de um BLOG !

No processo de criação e antes de qualquer técnica possível a ser usada, idealizámos uma imagem, sonhámos cores, fantasiámos impacto , tendo sempre em conta o colorido e a diversidade dos EU’S que nos seguem e que comunicam através das pinceladas e da sua própria arte de escrita, pelas mensagens que chegam até nós, pelas partilhas das quintas-feiras e até, pelos comentários às nossas postagens. E, neste tempo de criação, acima de tudo respeitámo-lo a si, desse lado, para que nestas etapas subsequentes de contínua criatividade nos temas que iremos colocar no BLOG, não se corra o risco de rachas e bolhas, na construção diária da nossa relação através destes meios virtuais, mas que, só por si, sejam suficientes para a manterem sólida e firme!
E aí está a nossa “peça de arte” que após secagem, foi cozida:
eufacopsicoterapiaegosto.blogspot.pt

E porquê esta frase enquanto identidade do BLOG? Por que para nós, enquanto frase trazida por um paciente, é uma verdadeira peça de arte que resume esta qualidade única do ser humano, ser pensante, que a partir da percepção , emoções e ideias, estimula as instâncias mais recônditas de si próprio e dá um significado único há sua existência!

SIM, PORQUE, EU FAÇO PSICOTERAPIA E GOSTO!
E nós também!

A equipa do Canto deseja-lhe um óptimo dia!

O Canto da Psicologia
Directora Técnica
Ana de Ornelas

quarta-feira, 8 de maio de 2013


DIÁRIO DE UMA TERAPIA

Madalena, tocou à campainha…


Dia 24 de Abril

“ Será que não me enganei? Acho que sim, é direito. Ou será que é esquerdo? Mas porque não abrem a porta? Ah…abriram…

Ao subir os degraus ainda me pergunto o que faço aqui. Já devia ter juízo e saber controlar todas estas minhas coisas que nem eu sei o que são. E o que é que eu vou dizer? Sei lá… As escadas são altas. Puxa, já estou cansada! Não vou ter fôlego para falar. Será que ela é como aquelas que dizem que passam a sessão caladas? Bom, gostei da voz ao telefone mas, se for assim, eu levanto-me e vou-me embora. Era o que faltava, não tenho tempo para perder tempo!

Mas estas escadas nunca mais terminam? Abriram a porta, é melhor acelerar o passo para não estarem à espera! Ai, que as minhas pernas parecem estar perras! Ou será que sou eu que estou? Mas o que é que eu estou aqui a fazer! Nem consigo olhar para cima para ver se está alguém à porta! E como faço? Cumprimento como? Dou a mão ou o rosto? Mas porque é que me questiono com estas palermices? Nem pareço uma mulher de quase 40 anos mãe de dois filhos! Mas porque é que eu vim cá?

- Bom dia Madalena!

Afinal, não correu mal. Já tenho sessão marcada para a semana. Curioso, o dia em que venho à primeira sessão, vésperas de se comemorar a liberdade! Será que vou poder comemorar a minha? Afinal, parece que eu tenho uma série de grades a prender-me. Curioso! Bom, vou pensar…”

terça-feira, 30 de abril de 2013

Ontem, dia 29 de Abril, comemorou-se o Dia Mundial da Dança... Deliciados com a qualidade da técnica e a comicidade cuidada do grupo, relembramos a Companhia de bailado masculina " Les ballets Trockadero de Montecarlo"

http://youtu.be/PBYFREnH32g

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Porque hoje é o Dia Mundial da Terra, relembramos a maravilha do espaço onde habitamos! Que tal, respeitá-lo?
Uma excelente tarde é o que lhe deseja a equipa do Canto!




quinta-feira, 18 de abril de 2013





"Trocando por miúdos"

Foram sólidos e audazes os pés que se aventuraram por "areias tão movediças" associadas ás intermitências do tema da morte na infância. Neste "Trocando por miúdos" deram-se passinhos de lã e passos gigantes numa partilha enriquecida pela aprendizagem, humor e emoção, onde os graúdos cresceram mais uns centímetros por dentro e os seus miúdos foram as personagens principais, de uma história que se quer continuada.

Um sincero obrigada a todos os participantes que se deixaram levar nesta aventura que promete não terminar por aqui.

Perlimpimpim e a história ainda não chegou ao fim!

terça-feira, 16 de abril de 2013



O mágico número 7!

Miller, professor de psicologia na Universidade Rockefeller, tomou conta do nosso imaginário no primeiro ano da licenciatura, através do seu trabalho mais famoso: The Magical Number Seven, Plus or Minus Two: Some Limits on our Capacity for Processing Information - O número mágico sete, mais ou menos dois: alguns limites na nossa capacidade de processar informação.

Nesse artigo, Miller dá ao número 7, a capacidade mágica de permitir que a nossa memória a curto prazo, tenha a capacidade de armazenar listas de letras, palavras, números ou qualquer tipo de itens discretos, na quantidade referente a esse número mágico (mais ou menos dois). O mundo apaixonante das estratégias mentais de facilitação ao nosso desempenho prático e diário. Desafiamo-lo(a) a ler o artigo. E já agora, repare, a curiosa combinação numérica na quantidade de dígitos, referentes aos números de telefone: 123 456 789 ( + ou – dois), e reflicta sobre a facilidade como que de uma forma imprevista, sem a ajuda do papel, facilmente os memorizamos.

Deixamos-lhe mais exemplos onde a magia matemática deste número está também presente: 7 são as virtudes; 7 são as cores do arco iris; 7 são as notas musicais, com 7 escalas, 7 pausas e 7 valores; A lua tem 4 fases de 7 dias cada; 7 são as saias das nossas mulheres do mar da Nazaré; Lisboa tem 7 colinas; 7 maravilhas da natureza; enfim, um sem número de magia que envolve o número 7…

E foi envolvido por nesta magia que de repente, O Canto da Psicologia se olhou e reparou que, também até nós, a magia do número 7 tinha chegado. Não que todos os dias os nossos pacientes não façam, pela sua transformação diária, a magia esperada e desejada que nos envolve e, faz-nos cada vez mais acreditar no Processo Terapêutico mas, atingir 7 dos objectivos a que nos tínhamos inicialmente proposto, aquando do arranque do projecto, sem dúvida, foi mágico:

1 – Já somos referência na margem sul, a partir de Alcochete;

2 – Conquistámos o nosso espaço em Lisboa o que nos obrigou a aumentar o espaço físico de atendimento;

3 – Em Setúbal, acabámos de chegar mas, já estamos a conquistar;

4 – Já somos referência no Facebook com um espaço significativo de partilha, sugestões e onde “damos a mão”, semanalmente, no chat.

5 – A Equipa cresceu com o convite a mais dois elementos, o que nos permitiu abranger mais duas valências – Dependências e Terapia de Grupo ; www.canto-psicologia.com

6 – Aumentámos os meios de ligação entre nós e quem nos segue desse lado do ecrã, através da Newsletter e do BLOG acabadinho de “inaugurar” ( visite-nos!!):
eufacopsicoterapiaegosto.blogspot.pt;

7 - E, sobretudo, conquistámo-lo(a) a si que nos lê!

É, ou não é a magia do número 7?

Um imenso obrigada de toda a equipa pela confiança, pela motivação, pelo desafio, pelas palavras, por tudo o que o/a faz chegar até nós.

Prometemos continuar a merecer o tempo que perde connosco!

O Canto da Psicologia

Ana de Ornelas
Directora Técnica



“ A insustentável leveza de uma pega azul…"

Era uma vez uma pega azul que num dia limpo e de sol escaldante, voava ali para os lados de Palmela! 

Tentada pela ilusão de uma autonomia temporária arriscou e afastou-se do seu bando barulhento. Tranquilamente, enquanto olhava a beleza de uma posição privilegiada, perdeu-se para norte do estuário. A última coisa de que se lembrava, era de um espelho enorme que reflectia o azul da sua cauda e asas, numa paleta de cores em que as nuvens e o céu a confundiram com o brilho de si própria.

E, pum!!!! Estatelou-se contra uma janela gigante, de uma família gigante, não em termos de tamanho mas, de tudo o que ela abarcava: o pai, a mãe, o avô, a avó, dois filhos e no resto da quinta, dois burros, duas cabras anãs, um porquinho, galinhas, 1 gato, 4 cães, um coelho.
Bom, aparentemente tinha caído no sítio certo!

Ainda atordoada com o impacto do choque, de patinhas para o ar, abriu os olhos e, assustada, viu sobre si uns olhos bem maiores que os seus, numa cabeça gigante e um sorriso de orelha a orelha que acompanhava um grito de excitação:

- mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! Olha um angry birds azul vivo!!!!

Era o António, a criança mais velha daquela família, 5 anos, que adorava desde muito pequenino todos jogos possíveis e impossíveis de serem jogados no iphone ou, ipad do pai. O Angry birds, inquestionavelmente, era o jogo preferido deste menino.

E vieram todos a correr. A mãe primeiro, claro e, com aquele jeito que só mãe tem, pegou na assustada pega azul, levantou-a com jeitinho, aconchegou-a na concha das suas mãos e levou-a para a sala onde toda a família podia ver mas, não tocar. E cuidou dela, como só mãe sabe cuidar. A pega azul, ainda num estado de paralisia total, não recomposta, desfeita pelo impacto mas, viva, continuava sem perceber o que lhe tinha acontecido. No entanto, aquele quente das mãos acalmava-a.

O António, seu fã, insistia: - Mãe, posso segurar ela, posso? Posso?
A mãe, devolvia-lhe: - António, o passarinho está tonto pela queda! Vamos ter que cuidar com muito jeitinho!
E o António, inundado de uma felicidade incontrolável, sem se conseguir conter, insistia:
- Só um diguinho (bocadinho) mamã, só um diguinho! E a mãe deixou…

Com o jeito de um menino de 5 anos feliz, o António, mostrava a toda a família o seu passarinho azul do jogo angry birds! E toda a família sorria e ria, pelo seu entusiasmo e fantasia contagiante. E correu para o avô. O avô, que vivia num mundo dele, solitário, em que o Alzheimer era a sua companhia e que só o António e o irmão de vez em quanto o conseguiam despertar, mas para o colo de quem ele corria sempre que podia, sorriu e sussurrou:
- Cuida dele! Com jeitinho! Ele precisa, como o avô!

E o António cuidou! Mas cuidou tão bem, mas tão bem e abraçou tanto o seu angry bird nas suas mãozinhas pequeninas para que ele não tivesse frio, que a pega azul, frágil como estava, não resistiu ao excesso de zelo do menino e acabou por morrer.
Ao notar que já não se mexia, o António correu para a mãe e disse-lhe:- Mãe, ele não se mexe, porquê? A mãe, percebendo de imediato o que tinha acontecido mas sem saber muito bem o que lhe dizer, respondeu:
- António, como no teu jogo, ele não vai mexer-se mais! Morreu!
E o António insistia:
- Mamã, carrega no “restart”, no “restart” mamã, carrega! Vais ver, o passarinho volta!

Mas, a pega azul que nesse dia se afastou do seu bando, não voltou! E a mãe do António, não conseguiu explicar de forma contentora o que tinha acontecido ali!

Passaram-se os dias. Aparentemente, tudo tinha voltado ao normal após este incidente. Só algo, aos olhos desta mãe, parecia estar diferente. E mais atenta, percebeu que o António ultimamente passava pelo avô, olhava-o, tocava-o de forma leve e rápida mas não ia para o seu colo, nem o abraçava como antigamente.
E uma tarde, quando os meninos chegaram da escola e o irmão do António, o José, correu para o avô e como habitual deu-lhe um beijo, abraçou-o e foi lanchar, a mãe, foi ter com o António que já lanchava e perguntou-lhe:
- Porque não foste dar o teu abracinho ao avô?
E o menino respondeu:- Poque tava com muita fome! E baixou os olhos como se não quisesse que a mãe lhe visse a verdade reflectida no olhar!
A mãe insistiu:
- Mas o avô gosta tanto e precisa!
E o António, que até aí se tinha contido, lançou-se nos braços da mãe e disse-lhe a chorar:
- Não posso, mamã. Não posso abraçar o avô! Eu ainda não sei o que é morrer! E eu gosto tanto do avô, como gostei do angry birds, que se eu o abraçar com muita força como eu gosto, eu acho que ele pode desaparecer e tu não sabes fazer “restart” para ele voltar e eu vou ficar muito triste. O que é isto de morrer, mamã?

E a mãe, silenciou esta sua própria incapacidade de perceber a morte e, não soube o que responder ao seu filho!

O que responder a um filho perante questões em que a temática é a perda, a morte, mesmo que seja só, a de uma simples pega azul?

O Canto da Psicologia
Dr.ª Ana de Ornelas