terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Cair de joelhos...









Comecei há pouco tempo um trabalho de habilitação funcional ao nível da articulação do joelho com uma nova aluna. Num dos treinos, ela questionou-me se “podia ultrapassar o joelho face à ponta do pé no agachamento”. Esta questão, veio no seguimento de um professor num ginásio, lhe ter dito que nunca devia ultrapassar tal amplitude, porque era muito perigoso!
Infelizmente este mito, a par de outros continua a ser apregoado pelos profissionais do exercício e do fitness.
A melhoria da mobilidade articular dita funcional, não passa por colocarmos os alunos em posições de extrema amplitude de forma estática. Deve passar em primeiro lugar, por desenvolver controlo motor a nível neuromuscular e só depois trabalhar em pequenas ou grandes amplitudes.
As articulações não funcionam de forma isolada. No caso de um joelho instável, o problema pode estar na articulação a montante ou a jusante, ou seja, no tornozelo ou na anca.
Padrões de movimento mal executados, articulações frágeis ou a queima de etapas nos processos de treino é que levam a suposições erradas sobre exercícios e movimentos.
Apesar de ser uma questão complexa, passar o joelho da ponta dos pés não é um problema para grande parte das pessoas. 
Lembre-se, não existem exercícios contraindicados, mas sim pessoas contraindicadas para eles! 
 A chave do processo, passa por saber a dosagem/quantidade certa a aplicar a cada aluno de forma única e individual. Procure um profissional de exercício especializado para o ajudar. 


Bons treinos!


Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre





quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O compasso psicoterapêutico...









Da terapia

Presente e pensante. Atenta.
O que as palavras dizem.
O que as palavras escondem.
O que as palavras revelam num instante.
Um instante que se ilumina por entre um
Emaranhado de uma correria de palavras.
O que as palavras escondem e o corpo denuncia.
O que as palavras fazem sentir.
O ressoar... O seu eco...
O encontro. Chegar perto. Ficar à distância...
Uma dança. Uma balada... Um rock desenfreado!
Inúmeras tonalidades, tomadas num mesmo sentido.

                             Filipa Rosário


Estar em relação não será em si mesmo algo poético? Estar numa relação psicoterapêutica não o será também?

O psicoterapeuta quando inicia um processo com qualquer pessoa que receba na sua sala dispõe-se a dar o que tem de si, o que tem em termos técnicos, das aprendizagens que fez ao longo da sua formação, o que tem em termos teóricos, do conhecimento que adquiriu e, desejavelmente, continua a adquirir, e o que tem de si, da sua pessoa, do que é. E não se chegaria a bom porto sem uma conjugação satisfatória destas três vertentes. Dispõe-se igualmente a receber o que o outro traz, que em vários momentos suscita algo no próprio e que impele à compreensão e processamento destes fenómenos. Trata-se de um trabalho ao mesmo tempo subtil e intenso, onde se faz uso do inteleto mas também do afeto, onde se está em relação.

E experienciam-se inúmeros movimentos no contexto desta relação. É como uma dança, na qual é preciso ir acertando os passos, que se move ao som e ritmo de diferentes humores, vivências, emoções, funcionamentos... Com um sentido muito claro, o de criar condições para que a pessoa encontre o que é a sua verdade e alcance o bem-estar.




Drª Filipa Rosário





quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Diabetes e o exercício físico...







São números preocupantes os que o Ministério da Saúde lançou este mês. Em Portugal, os números da Diabetes têm vindo a aumentar todos os anos. Somos um dos países a nível europeu, onde há maior prevalência desta doença crónica. Os números apontam para uma prevalência entre os 10% a 13%, traduzindo estes valores para números, falamos de mais de 1 milhão de portugueses…sim, leu bem, mais de 1 milhão de portugueses têm esta doença!!!!
O sedentarismo e a inactividade física estão associados a um dos principais factores para o aparecimento da diabetes tipo 2, sendo o exercício um dos principais aliados e o “tratamento” para esta doença.
O exercício físico regular, nomeadamente o treino de força ou de cargas externas, é o pilar essencial para reverter estes números. Neste caso particular, o treino de força ajuda a:
- melhorar a resistência à insulina;
- controlo da glicémia;
- preservação da massa muscular;
- melhor consumo e captação de O2 por parte dos órgãos afectados.

Se conhece alguém que tenha diabetes, não hesite em encaminhá-lo para um profissional de Exercício.
Bons treinos



Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

AMOR: Login ou Logout?







Não é que morra de amor, morro de ti.
Morro de ti, amor, amor de ti,
da urgência da minha pele de ti,
da minha alma de ti e da minha boca
e do insuportável que sou sem ti.”
                                       Jaime Sabines




É seguro dizer que o Amor é o tema mais misterioso, controverso e debatido por todos... poetas, músicos, dramaturgos, escritores, médicos, cientistas, filósofos, religiosos, sociólogos e claro, psicólogos, dedicam-se há muito a reflectir e a investigar sobre o fenómeno do Amor. 

A Psicologia estuda este tema, com particular foco na experiência sentida na infância, por saber que esse modelo define o padrão de relacionamentos em adulto. A dinâmica de relacionamentos com os outros é vivenciada e estabelecida desde o nascimento, onde o processo de vínculo inicia uma organização que se constrói a partir da interacção entre os cuidadores e as crianças. Esta será a base enquanto substrato emocional, cognitivo e comportamental para todas as experiências emocionais futuras. 

Sabemos hoje que, faz parte da nossa sobrevivência, manter ligações estreitas e saudáveis com os outros. Então, porque é o amor tão assustador? 

De acordo com o nosso funcionamento psicológico e com as experiências sentidas, todos nós utilizamos alguns mecanismos que emocionalmente permitem evitar e ultrapassar situações traumáticas. Deste modo, criámos uma forma especial de lidar com a possível rejeição de quem amamos que se pode traduzir de várias formas. Muitas vezes parecem incompreensivas e até antagónicas do amor percepcionado, são reacções que surgem pela incapacidade de tolerar a possível perda do amor do outro. A rejeição, a hostilidade, o distanciamento e a desconfiança são alguns dos mecanismos utilizados como resposta defensiva ao conflito desencadeado pelo sofrimento. Aparecem como nuvens escuras, primeiro no horizonte, invadindo um lindo dia de sol, que se vai instalando até permanecer como algo inseguro, ambivalente e duradouro.

Actualmente e, apesar de estarmos mais informados do que alguma vez estivemos, percebemos que os relacionamentos se estabelecem numa dinâmica de Login e Logout cada vez mais frequente. A era digital, das atitudes instantâneas, imediatistas e fugazes que permeiam novos estilos de relacionamento, fazem pensar sobre a fragilidade das ligações íntimas e da sua pouca saúde. Há menos tolerância e, se por acaso, alguém ousa não estar de acordo, basta eliminar ou bloquear para deixar de existir; o mundo virtual tornou-se então um lugar confortável para se viver?

Se pensarmos que o funcionamento psicológico está preparado para instalar mecanismos que nos defendem do sofrimento, não é difícil imaginar que a era digital tende a exponenciar este tipo de resposta causando a existência de ligações afectivas muito mais vulneráveis e frágeis. Curiosamente, e em sentido contrário conhecemos cada vez mais pessoas que optam por ficar sozinhas...

Pode ser mais difícil confiar no amor do outro do que nas experiências traumáticas, mas acreditar que é possível despertar no outro um amor saudável , sólido e autêntico é aceitar que somos seres amáveis.

Dra. Fanisse Craveirinha






quinta-feira, 15 de novembro de 2018

À porta fechada...







Mas diga-me Doutora, o que é que posso fazer? Eu quero ajudá-lo mas não sei o que é que devo dizer, o que é que devo perguntar, fico assim sem saber qual é o meu lugar.


A regra é de ouro: o trabalho desenvolvido no espaço terapêutico é confidencial. Não nos iremos alongar nas diferenças entre um processo com adultos, com adolescentes ou com crianças, uma vez que se levantarão naturalmente questões um pouco diferentes. Pretendemos antes frisar o quão importante esta regra é na criação de uma aliança terapêutica, com vista a um trabalho conjunto que se pretende transformador. Com os adultos, esta questão da confidencialidade é comummente apresentada e discutida no início do processo, para que não restem dúvidas em relação ao que isto implica e às suas limitações. Tal significa, portanto, que assim como sucede com todas as regras, existem exceções que a confirmam.

Surgem por vezes situações em que o terapeuta poderá ter de trazer, de forma muito cuidada, o envolvimento real e não apenas simbólico de um terceiro elemento no processo em desenvolvimento. Tal como refere a Ordem dos Psicólogos Portugueses, ­­­«a não manutenção da confidencialidade pode justificar-se sempre que se considere existir uma situação de perigo para o cliente ou para terceiros que possa ameaçar de uma forma grave a sua integridade física ou psíquica (…)». Quererá isto dizer que de repente se deixa de aplicar qualquer direito à privacidade e que qualquer pessoa poderá passar a saber aquilo que até então era apenas do par terapêutico (terapeuta e paciente)? Mais uma vez, a Ordem esclarece: «a informação confidencial é transmitida apenas a quem se considerar de direito e imprescindível para uma intervenção adequada e atempada face à situação em causa (…)». Então, o que significa tudo isto? Que não é de ânimo leve nem de forma impulsiva que tal regra é quebrada. Que tal só acontece se for absolutamente necessário, após avaliação cuidada, e com o conhecimento prévio do paciente, para que este entenda este gesto como um cuidado essencial no decorrer do trabalho psicoterapêutico conjunto.

A frase citada no início deste texto foi proferida por um familiar de M., paciente em acompanhamento que se encontrava a passar por uma fase particularmente difícil. O seu familiar foi contactado após decisão do par terapêutico, tendo-se decidido incluir esta pessoa no processo para que pudesse dar o seu apoio ao M. caso tal fosse necessário. A sua exclamação traduz a preocupação de quem de repente percebe que não sabe como há de agir com alguém que se ama e que se sabe que está a sofrer. Alguém que fica inquieto com o seu familiar e que deseja ajudar, mas sem saber ao certo como. Alguém que pede conselhos específicos sobre o que deve dizer, como se deve comportar… Quando na realidade, não há uma resposta única que sirva a todas as situações.

O que significa apoiar alguém que está a passar por um sofrimento tão imenso, sabendo que não se consegue magicamente aliviá-lo da sua dor? O que se pode fazer? De uma forma geral, sugeriríamos que, talvez acima de tudo, esteja o escutar. Não apenas ouvir, como se de barulho de fundo se tratasse. Falamos de um verdadeiro escutar, em que todos os sentidos se afinam numa só direção, em que se permite que as palavras arrepiem a pele e sejam sentidas de forma quase táctil. Será que isso não é o que de mais valioso se pode oferecer a quem se ama? Nem sempre é necessário dizer «vai ficar tudo bem» quando não se sabe se isso é verdade: talvez mais importante seja dizer «estou aqui para ti, seja para o que for». Por vezes não é fácil ajudar alguém que esteja a passar por uma fase difícil, e seria maravilhoso se um simples abraço resolvesse dores antigas, mágoas profundas e lágrimas que teimam em correr. Pode não resolver, mas apostaríamos que esse abraço tem o potencial de se infiltrar para além da pele e tocar no centro de quem se é, aliviando o peso que se carrega. É que quando alguém pede ajuda, muito frequentemente não é num sentido literal e instrumental: é apenas um movimento humano, de quem se quer ver reconhecido, aceite, amado.

Drª Carolina Franco




terça-feira, 13 de novembro de 2018

O exercício físico na terceira idade...








Voltou a ser notícia por estes dias, que os Portugueses vivem cada vez mais tempo. A esperança média de vida está ao nível dos países ditos mais desenvolvidos, mas que a qualidade de vida nos últimos 15/20 anos está diminuída. Daqui podemos concluir que, apesar dos avanços da medicina nos permitir viver mais anos, a grande maioria de nós não atua na prevenção, isto é, ter hábitos de vida saudável.
Sabemos que o exercício físico é muitas vezes decisivo para reverter ou atrasar uma série de processos relativos à velhice. A evidência científica comprova que ser fisicamente ativo tem um impacto superior na saúde do que a toma de qualquer medicamento. A idade não é nem deve ser um impedimento para começar a treinar. É aqui que o treino de força pode ter maior impacto…porque a força é uma das capacidades que mais perdemos ao longo da vida.
O treino de força pode ser iniciado em qualquer fase da vida, sendo na 3ª idade uma grande ajuda para prevenir:

- Diabetes;
- Hipertensão;
- Osteoporose;
- Sarcopénia;
- Excesso de Peso;
- Cancro;
- Disfunção Cognitiva;
- Etc;

O exercício físico na 3ª idade deve ser o principal “medicamento” a tomar.

Bons treinos


Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Lutos relacionais e outros...






O ser humano apresenta a particularidade de sofrer com processos de luto: mudanças consistentes a nível relacional, as quais podem ser vividas de forma mais ou menos dolorosa, dado o sentimento de perda associado a essas experiências.
É importante clarificar que o luto não é um processo de esquecimento ou um qualquer fenómeno de amnésia parcial ou total de uma relação vivida; antes pelo contrário, um processo de luto bem desenvolvido requer a consciência clara do que foi vivido e da forma como essa relação se transformou, e continua a transformar-se, no mundo interno de cada pessoa.
Saliente-se que mesmo nos casos mais dolorosos de processo de luto, quer seja por uma ruptura relacionalsignificativa, associada a uma escolha de um ou ambos os participantes dessa relação, ou mesmo por motivo de falecimento de alguém especialmente relevante para a pessoa enlutada, a relação, em si, não será eliminada, mas sim sujeita à transformação que a nova dinâmica relacional solicita: a relação externa, presencial, já não estará a ser vivida, pelo menos da mesma forma, mas continuará a desenvolver-se no mundo interno, não só face ao que se sente e pensa sobre as memórias vividas, mas também sobre o que se vai vivendo já sem essa relação presencial.
Por conseguinte, todas as relações estão sujeitas a um processo de luto: de experiências externas, temporalmente limitadas, para realidades internas em desenvolvimento ao longo de todo o percurso de vida de cada pessoa.
A ausência de alguém que se ama pode doer muito até que se reconheça, suficientemente, que essa relação continua a viver num espaço-tempo totalmente seguro e acessível, dado que é pessoal e intransmissível: o mundo interno de cada um. Naturalmente, tal reconhecimento interior será facilitado quando aquilo que foi vivido na relação presencial, for sentido como uma boa experiência humana e que não tenha ficado, assim, muito aquém do desejo investido nessa relação. Por outro lado, as experiências relacionais que foram vividas com um sofrimento intenso e sem que se tenha acedido a uma compreensão suficiente que contenha essa dor psíquica, serão naturalmente mais difíceis de aceitar e integrar no mundo interno de cada pessoa.

Particularmente, no contexto psicoterapêutico, surgem, com muita frequência, pedidos de ajuda face a sentimentos de perda relacional, especialmente dolorosos, em que se experiencia a dificuldade de aceder, de uma forma minimamente harmoniosa, a conteúdos mentais e emocionais vividos e/ou sonhados no decurso dessas relações humanas. A relação terapêutica terá, assim, o propósito de contribuir para essa harmonização interior do paciente, mediante a sensibilidade e empatia necessárias oferecidas pelo psicoterapeuta Deste modo, a psicoterapia proporcionará as condições básicas a uma reflexão, cuidada e atenta, que possibilite um reencontro, mais consciente e sereno, do paciente com partes do seu mundo interno previamente sentidas como perdidas ou dolorosamente acedidas. Nessa (re)descoberta, aceitação e compreensão das suas dinâmicas relacionais internas, o paciente encontrará, progressivamente, mais recursos próprios para desejar e viver outras experiências na realidade quotidiana das suas relações presenciais.


Dr. Nuno Almeida e Sousa