terça-feira, 18 de junho de 2019

O exercicio fisico pode ajudar a "fintar" o cancro...






Sabemos hoje, que até 2050, um em cada quatro portugueses terá cancro. Sabe-se também que, a evolução da ciência vai permitir que o cancro passe a ser uma doença crónica, mantendo o ser humano com qualidade de vida. Mas a ciência vem uma vez mais comprovar que o exercício físico pode ajudar a “fintar” o cancro.

O exercício físico por si só, é um poderoso anti-inflamatório natural e um catalisador das defesas do organismo contra as doenças. Os mecanismos fisiológicos e químicos associados ao exercício foram recentemente explicados pela Universidade de Queensland. Um estudo feito com sobreviventes de cancro colorretal, em que estes foram submetidos a exercício intenso, foram analisados antes e depois dos treinos. Os resultados foram esclarecedores: as amostras feitas aos pacientes após os treinos, revelaram que as células tumorais se desenvolviam menos após o exercício, assim como os marcadores inflamatórios.

Estes resultados, são fruto da presença de substâncias libertadas pelo músculo-esquelético e que têm um potencial anti-inflamatório, de nome Miocinas. Na prática, a libertação de miocinas durante o exercício vigoroso, permite suprimir a ação inflamatória do tumor.

Apesar do efeito protetor do exercício às células tumorais, o cancro é uma doença multifatorial, não excluindo que para além de uma boa higiene física, devemos ter em atenção outros cuidados com a saúde.


Bons treinos 


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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Um paciente, um espaço terapêutico...




Mãe
“Não viste o buraco
Não tiveste tempo
 P´ra cuidar, p´ra apreciar, p´ra amar
Não tiveste tempo,
não arranjaste tempo
p´ra cuidar, p´ra apreciar, pra amar
Alienada da verdade
Não descobriste um momento
Não arranjaste um momento
Para aquilo que criaste
Não me deste intimidade
Não me deste estabilidade
Não me quiseste conhecer
Não tiveste tempo
Agora não tens mais esse tempo
Agora não consegues pedir mais tempo
Agora não dá p´ra voltar
Agora não podes mais voltar lá
Agora não podes dizer-te desiludida
Agora não podes dizer-te desiludida
Não quero a injustiça do teu sentimento
Nem as magoas que tu própria criaste
Não quero a tua moralidade a gritar-me
Não quero as tuas tristezas a afundar-me
Não podes voltar ao tempo onde não tiveste tempo
Não podes voltar ao tempo onde não arranjaste tempo
Por isso não me grites pela tua própria frustração
Por isso não me culpes pela tua falta de tempo
Por isso não me digas que sou aquilo
enquanto eu sou mais que isso
Não me diminuas por teres te diminuído.
Não precisas de voltar
Podes sempre tentar conhecer-me agora
Com o tempo que te resta
Podes sempre mudar o que ainda te resta
Ainda podes mudar o que te resta.

O conhecer-me fez me crer em algo mais
Descobrindo ideias e crenças falsas pelos demais
Abri uma porta desconhecida pela multidão que em mim vivia
E vi que em mim a luz sorria”

Poema de Inês R.






Quem nunca pensou ir à caixa das memórias e permitir que elas pudessem simplesmente fluir? Certamente, em alguns momentos, todos nós pensamos nisso… ou aconteceram-nos coisas, reais ou simbólicas, que nos fizeram ir lá espreitar… no entanto, há momentos, ou experiências demasiado dolorosas para serem vistas ou vividas. Não vemos só as memórias, sentimos a dor, sentimos a frustração, sentimos a mágoa… podemos até sentirmo-nos pequenos novamente, indefesos… ou podemos ficar simplesmente paralisados pelo medo da invasão ou do abandono.Aos poucos tem-se permitido mergulhar, numa nova relação, e sentir que poderá não estar sozinha e não se afogar no processo. Existiram e existem ainda momentos de dor, momentos de confusão, momentos em que nada parece fazer sentido, de zanga e abandono, mas podem já existir momentos em que é possível resignificar estas relações lá de trás, transformar estas relações não nas relações ideais mas nas relações possíveis.
Uma paciente, um espaço terapêutico, onde inicialmente pôde existir uma unidade existencial de relação, onde não houve uma diferenciação entre eu, não-eu… até poder existir, até podermos começar a caminhar como dois diferenciados, onde podemos pensar um caminho para a independência, para a re-elaboração, para a criação de um, ainda pequeno, mas possível, espaço de perdão e de integração. 





quinta-feira, 6 de junho de 2019

Burnout e outras questões...








Muito se tem falado sobre burnout, agora que a Organização Mundial da Saúde (OMS) introduziu este síndrome na Classificação Internacional de Doença, classificando-o como um distúrbio ocupacional, pertencente à categoria de problemas relacionados com o emprego e desemprego.

Designado como síndrome de esgotamento profissional, o burnout advém do stress crónico no local de trabalho e não deve ser utilizado para descrever experiências noutras áreas da vida que não o contexto profissional. Caracteriza-se de acordo com três dimensões: sensações de esgotamento de energia ou exaustão; aumento da distância mental do emprego ou sentimentos de negativismo ou de cinismo relativamente ao emprego; reduzida eficácia profissional. O reconhecimento deste síndrome pela OMS reveste-se de elevada pertinência e contribui significativa e positivamente para o cuidado com este aspeto da saúde mental, que, como tantos outros, é muitas vezes menosprezado e tem efeitos nefastos no bem estar físico e psicológico.

Não obstante, parece também muito pertinente abordar questões psicológicas associadas ao bem-estar no trabalho que podem eventualmente ser confundidas com o síndrome ou erradamente atribuídas a uma qualquer situação laboral adversa. Uma vez que o contexto profissional absorve tanto tempo da vida das pessoas e é onde diversas relações se estabelecem, constitui um terreno fértil para a expressão das vivências internas e experiências emocionais de todos que pertencem a esse contexto. Assume-se portanto como uma parte muito relevante para a vida das pessoas e o seu bem-estar. Por tudo isto muitas vezes a fronteira que separa o que é do foro pessoal do profissional torna-se pouco clara. É necessário estarmos atentos a outros fatores que possam estar implicados ao mal estar que se sente no trabalho.

No consultório são vários os casos com que nos deparamos. Como por exemplo, quando as pessoas deslocam massivamente determinadas necessidades pessoais e afetivas para o contexto do trabalho, seja com colegas, chefias ou clientes. Necessidades como o reconhecimento do outro ou o investimento narcísico pelo outro, quero dizer, o reconhecimento da realização correta de determinadas tarefas e das suas qualidades e competências mas também como algo que preenche um sentido de existir ao olhar do outro... algo que terá faltado nas relações pessoais e significativas. Algo que provoca um intenso sofrimento psicológico e que faz reunir doses substanciais de zanga e frustação, também estas deslocadas para o contexto profissional. Um deslocamento que está associado à fronteira algo frágil entre realidade interna e externa. Ou noutros casos, quando as queixas em relação ao trabalho aparecem mais imersas com outras questões do foro pessoal e intímo e é possível constatar que, à medida que essas questões são trabalhadas, a forma como as pessoas se situam em relação ao trabalho se vai transformando também e começam a sentir mais bem-estar no contexto profissional.

O que pretendo aqui é chamar à atenção para a necessidade de abordar e trabalhar sobre o funcionamento e situações anteriores à situação laboral, perceber que para além do stress no trabalho há outros fatores que impregnam este contexto de questões importantes e que precisam de ser olhadas e trabalhadas por si próprias. Falo da necessidade de diferenciar o que é imposto e provocado pela realidade externa do contexto laboral do que é do foro pessoal e que atua ou se revela nesse contexto, misturando-se com ele.







quinta-feira, 30 de maio de 2019

A Psicoterapia é para pessoas fortes ou para pessoas fracas?





Nunca houve tanto conhecimento como aquele que temos agora e nunca o acesso à informação foi tão fácil e rápido. Por outro lado, e no que diz respeito às emoções, a ciência e a investigação muito têm contribuído para o reconhecimento da importância do cuidado a ter com a saúde mental.
Talvez por isso, ainda me surpreenda e fique atónita quando oiço certas afirmações e proposições! 
Afirmar que a psicoterapia é para pessoas fracas de espírito ou para pessoas loucas não só é errado como é precisamente o oposto daquilo que é vivido nas sessões de psicoterapia. 
O contexto psicoterapêutico surgiu, numa fase inicial, relacionado com o tratamento de perturbações psicológicas graves, mas rapidamente se descobriu que os seus benefícios eram evidentes e inequívocos em vários âmbitos.

Fazer psicoterapia exige coragem, persistência e uma dose de bravura considerável. 

Durante a nossa vida somos confrontados com diversas situações que impactam a nossa estrutura psicológica, seja por eventos externos que não controlamos ou até mesmo por eventos internos que criamos involuntariamente em idades muito precoces. Todos nós experienciamos e lidamos com acontecimentos que nos marcam inevitavelmente.
Muitas vezes seguimos um caminho que achamos mais fácil e, acabamos por esconder medos e inseguranças, utilizamos o trabalho, a família, a relação amorosa ou outro motivo qualquer para justificar o mau estar que sentimentos internamente e sem saber vamos agravando a situação.

Estar disponível para analisar e compreender o próprio funcionamento psicológico com um terapeuta pressupõe uma capacidade de olhar para si sem receio daquilo que se vai encontrar ou descobrir. Conseguir ver não só as partes boas como também as partes menos boas e constatar que também somos imperfeitos implica uma capacidade extra de recursos mentais.   

Fazer psicoterapia significa reconhecer e aceitar as fraquezas que habitualmente surgem acompanhadas de falhas e feridas internas

É neste processo de reconhecimento e compreensão que nos vamos permitindo a pensar e consequentemente a resolver questões profundas. Quando paramos para analisar e através da fala, vamos dando sentindo à nossa história, aumentamos a nossa capacidade de integração psíquica que conduz a um funcionamento psicológico mais adequado.


Todos temos sintomas, angústias e sentimentos que camuflamos de forma mais ou menos adaptativa. Quanto mais inflexível é este movimento defensivo, mais longe nos colocamos da nossa autenticidade e mais sofrimento suportamos.  Durante o processo psicoterapêutico há lugar para tudo e tudo é pensado: acontecimentos de vida, atitudes expressas, sentimentos de desvalorização, modo como nos posicionamos nos relacionamentos, entre outros. Estes fatores são transpostos para uma perspetiva diferente e questionados de uma nova forma com vista à sua compreensão. Assim, passa a ser possível entender como as emoções anteriores reprimidas afetam a tomada de decisões, o comportamento e os relacionamentos atuais. É através deste novo pensar que o conhecimento sobre si próprio aumenta e a mudança vai acontecendo.


A psicoterapia não trata somente de patologias psicológicas, ela também age no autoconhecimento e consequentemente no bem-estar psíquico. Sentirmo-nos bem emocionalmente influencia não só a nossa saúde física como melhora as experiências e os relacionamentos interpessoais, atuando simultaneamente na prevenção e manutenção da saúde mental.

Soluções milagrosas não há, mas fazer psicoterapia é uma atitude saudável e isso, é de gente com bravura!






 



terça-feira, 28 de maio de 2019

À volta da cintura...






Quem treina em ginásio, já viu de certeza alguém a utilizar cintos de treino à volta da cintura, independentemente do contexto e do exercício.

A evidência científica já tem bem documentado, que o recurso externo a este tipo de cintos, provoca uma menor co-contração de toda a musculatura abdominal, nomeadamente da musculatura profunda e da zona lombar. A utilização abusiva deste tipo de cintos, pode levar a uma alteração do padrão de movimento, assim como, desequilíbrios musculares e aumento de lesões. A menor funcionalidade de toda esta musculatura, fará com que a ativação abdominal e lombar não se faça de modo eficiente em atividades diárias e do quotidiano.

Em casos pontuais, por exemplo em exercícios com cargas máximas, este tipo de cintos pode ajudar a alguma estabilização, tendo sempre em atenção que o cinto estará apertado o suficiente, mas não demasiado, para possibilitar uma adequada respiração.


Bons treinos
Hugo Silva


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quinta-feira, 23 de maio de 2019

E se for o corpo a alertar a mente?




Nós temos a incrível capacidade de transmitir informações para nós próprios, mesmo sem nos apercebermos imediatamente disso! Hoje falo de quando é o corpo que chama a atenção da mente, quando o corpo nos oferece sinais de que algo não está bem. Estes pequenos grandes sinais têm o nome de sintomas, por vezes doenças, psicossomáticos.

São sintomas que podem surgir das mais diversas formas, e que têm como consequência a idas constante às urgências, a procura sucessiva de médicos de quase todas as especialidades (ou todas), sem que nenhuma resposta seja de facto satisfatória, sem que de facto seja uma verdadeira resposta à pergunta “o que é que se passa comigo?”, nada justifica em termos médicos os sintomas que insistem em aparecer…

Depois acaba por surgir a opinião do outro, que muitas vezes vem como crítica mascarada: “já estás outra vez doente?”, “vais outra vez ao médico?”, “isso é tudo da tua cabeça”. E será que estas críticas, esta desvalorização dos sintomas, não faz com que eles tenham maior intensidade? Daqui vem, inevitavelmente a dúvida do próprio: “será que têm razão? Que é mesmo tudo da minha cabeça?”, “mas eu sinto que não estou bem…”. Mas não está tudo bem, só não existe nenhuma explicação médica, que é o que se espera quando o sintoma vem do corpo. Mas existe um motivo psicológico, existem as emoções, as emoções reprimidas, o sofrimento emocional, que está a fornecer estímulos ao corpo que responde com sintomas físicos como pedido de ajuda. E são estes pedidos de ajuda que levam a pessoa a procurar o apoio psicoterapêutico, e é aqui que se chega à conclusão que o gatilho do sintoma é o sofrimento emocional.

Os sintomas psicossomáticos trazem com eles a angústia, e o primeiro passo envolve a aceitação de que estão associados ao estado emocional, que o mal-estar é interno e que pode estar relacionado com eventos traumáticos que gera a ansiedade manifestada inconscientemente no nosso corpo, e que existe um valor simbólico nessas manifestações que espera ser descoberto para abrir portas à possibilidade de reorganização do corpo e da mente.


É importante valorizar estes sintomas, é importante ouvir o nosso corpo, é importante aceitar o motivo de não estar “tudo bem” e pedir ajuda!





quinta-feira, 16 de maio de 2019

Psicoterapia: sessão a sessão, um pouco mais de compreensão...






No mal-estar psicológico, poderá ser difícil perceber a sua tonalidade emocional e expressão de significado. De facto, no contexto clínico -  e em particular, neste texto, no domínio da psicoterapia com adultos - muitas vezes, os pacientes relatam, inicialmente, que se sentem mal, mas pouco conseguem descrever como é esse sentir, de que tipo e que pensamentos estão associados. Nestes casos, a psicoterapia, numa vertente claramente compreensiva, poderá proporcionar, gradualmente, um aumento de clareza ao nível da identificação das emoções e a sua articulação com os pensamentos. A compreensão crescente sobre o mundo interno trará, assim, uma maior sensação de harmonia ao fluir vivencial, dado que cada «nota» de emoção será melhor escutada, contida e percebida pelos processos de pensamento.

Naturalmente, o mundo interno vive em relação dinâmica com o mundo externo, onde se enquadram os comportamentos, acontecimentos de vida e a prática das relações interpessoais. A compreensão deste balanceamento sistemático, entre o interior e o exterior, nomeadamente das suas dinâmicas de inter-influência, é algo a explorar e, em grande medida, a exercitar com os pacientes, para que tais significados se desenvolvam e se tornem mais presentes, conscientemente, nas várias dimensões de vida. Deste modo, não se evitará que o mal-estar psicológico possa voltar, mas, sem dúvida, que se estará muito melhor preparado para o identificar, acolher e transformar.

Todavia, importa frisar que o psicoterapeuta não tem, por si só, o poder de transformar as vidas dos seus pacientes. E essa "falha" é talvez a sua maior virtude, desde que a aceite e se lembre dela! De outro modo, acreditar que se consegue mudar os outros, sem a sua participação e vontade conscientes, é, não só uma ilusão, mas também um grande desrespeito pelos mundos próprios e competências dessas pessoas. Na realidade, os psicoterapeutas não são uma espécie de mágicos, super-heróis ou salvadores que transformam as vidas dos pacientes. De facto, não servem para isso, não só porque não têm essas características milagrosas, mas também porque cultivam, nas suas práticas profissionais, o respeito  pelas livres e responsáveis decisões de vida das pessoas.

Assim, é a (boa) relaçãoterapêutica que é facilitadora do desenvolvimento do paciente - naquilo que, profundamente, lhe fizer sentido na sua vida - e, para tal, o psicoterapeuta,para além de estar consciente e empenhado no bom exercício do seu específico papel relacional, necessita da colaboração, pelo menos mínima, do paciente. A motivação suficiente da pessoa que é acompanhada num processo psicoterapêutico, com tudo o que isso implica, nomeadamente ao nível do compromisso inerente, custos económicos e de tempo, é tipicamente algo a ser esclarecido e, eventualmente, consolidado para que se desenvolva uma aliança terapêutica suficientemente firme e favorável à prossecução dos objectivospsicoterapêuticos.

Por conseguinte, existindo as condições mínimas necessárias, a psicoterapia poderá seguir o seu curso natural proporcionado pela aliança terapêutica e, nessa medida, sessão a sessão, poderá se alcançar um pouco mais de compreensão, de (re)descoberta do paciente na relação consigo próprio, com o psicoterapeuta, com os outros e, por extensão, com a própria vida. 






terça-feira, 14 de maio de 2019

A lei ao serviço da saúde/exercício físico...






Uma das associações ligadas à indústria do exercício físico, a Associação Portuguesa de Técnicos de Exercício Físico (APTEF) pediu um parecer jurídico a uma sociedade de advogados, de forma a perceber a hipótese de colocar os serviços de exercício físico ao mesmo nível de estabelecimentos de saúde e a atividade destes profissionais à dos paramédicos a nível fiscal. O que se pretende, é que a prestação deste tipo de serviços possa ser igualmente isenta de IVA.  

Para o cliente/sócio de ginásio, esta medida visa reduzir o valor do iva cobrado nos serviços de fitness e exercício, diminuindo por conseguinte, o valor pago mensalmente e dedução em sede de IRS.

A Associação Portuguesa de Técnicos de Exercício Físico (APTEF), acredita que os profissionais de exercício físico, podem estar equiparados fiscalmente aos paramédicos, porque atuam ao nível da promoção da saúde. Hoje o profissional de saúde já não está apenas confinado ao ginásio, mas trabalha em clínicas, empresas, câmaras municipais, ao domicílio, etc.

Por lei, o Técnico de Exercício Físico e da Saúde tem de ser licenciado e/ou ter uma cédula profissional, o que deverá criar uma responsabilização maior e a promoção da saúde e bem-estar.

O cuidado pela saúde é um bem essencial e a promoção do exercício físico deve ser visto pela sociedade civil e não só, como um coadjuvante para a manutenção dessa mesma saúde.


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quinta-feira, 9 de maio de 2019

A propósito da repetição…





          Ainda a tempo de celebrar Freud, face ao aniversário recente do seu nascimento, impõe-se recordar mais um dos seus inumeráveis contributos para a Psicanálise. Bem mais de um século volvido após os seus primeiros trabalhos, o fenómeno da repetição e particularmente da compulsão a repetir (ou à repetição) gera, ainda hoje, discórdia entre autores e correntes teóricas, sobretudo quanto à sua importância teórica e clínica.

            Em “Recordar, repetir e elaborar” Freud articula a compulsão a repetir com a transferência e a resistência. O autor refere mesmo que “logo percebemos que a transferência é, ela própria, apenas um fragmento da repetição” e coloca a repetição, num primeiro momento, ao lado da resistência, dizendo que o paciente repete ao invés de recordar, e que, quanto maior for a resistência, mais a actuação (repetição) substituirá o recordar. Neste sentido, se a transferência é a repetição na análise, ela é-o, não porque são reproduzidos factos reais vividos pelo paciente, mas sim porque estes são actualizados e tomam sentido na relação com o analista. A repetição é tomada, inicialmente, então, sob um aspecto negativo, como sendo um exemplo de resistência, para, num segundo tempo, ser considerada como o fundamento da transferência. É, então, pelo manejo da transferência e pela posição que esta lhe confere, que o analista pode isolar a repetição na transferência e propiciar ao paciente a entrada na neurose de transferência. Assim, seria entre a transferência e a compulsão a repetir que se centraria o espaço do processo psicanalítico, no qual a transferência procura articular a repetição na neurose de transferência, remetendo-o à simbolização. Por esta altura da evolução da teoria freudiana a repetição era encarada numa dupla perspectiva, i.e. como retorno do recalcado e como compulsão a repetir. Contudo e porque nessa época o campo epistémico da psicanálise era enriquecido a todo o momento, a compulsão a repetir viria a estar passados alguns anos, na génese de uma das questões mais polémicas da metapsicologia; questão polémica que, de resto, ainda hoje se mantém bem acesa.

          A edição em 1920 de “Para Além do Princípio do Prazer” e a introdução da segunda teoria pulsional conduzem Freud a novas reflexões. À já dificuldade em enquadrar processos das neuroses traumáticas (sonhos, reviver desensações, etc.) ou o jogo do fort-da na trilha exclusiva do princípio do prazer, agregava-se agora a questão da transferência. Quando o autor se debruça de novo sobre a transferência, a mudança de paradigma começa a operar-se na totalidade. É, aliás, a respeito desta, que Freud alude, pela primeira vez, à compulsão a repetir; i.e., “experiências reprimidas, das quais o “enfermo” não se pode recordar, acabam sendo repetidas como vivências actuais na situação analítica, após a repressão ter sido um pouco atenuada (…) [essa] repressão, assim como a resistência (…) pode ser compreendida como estando ao serviço do princípio do prazer” (aspas nossas). Ainda segundo o autor, “algumas repetições transferenciais seriam facilmente conciliáveis com o princípio do prazer (…) [ou seja] aquelas cuja satisfação representa um prazer para o sistema inconsciente e, ao mesmo tempo, um desprazer para o pré-consciente”. No entanto, existiriam outras que não podem ser compreendidas dessa forma. Freud registou que “a compulsão de repetição também traz de volta aquelas vivências do passado que não contêm nenhuma possibilidade de prazer, que tampouco naquele tempo puderam trazer satisfações, nem mesmo das moções pulsionais desde então reprimidas. (…) [e por tal se verificar] devemos ter coragem de supor, que existe realmente na vida psíquica uma compulsão a repetir, que se sobrepõe ao princípio do prazer (…) [à qual atribuiremos também] os sonhos dos que padecem de neurose traumática e o impulso para o jogo da criança”. É nesta altura e com base nestes dados, que Freud opta por enquadrar a compulsão a repetir na hegemonia de uma nova “força”, que traz uma nova dinâmica à teoria pulsional: a pulsão de morte - ou thanatos. Sintetizando, a pulsão de vida possuiria o objectivo da ligação libidinal, orientaria os laços entre o psiquismo, o corpo, as instâncias internas, os seres e as coisas do ambiente e por isso tenderia a garantir a coesão entre as diferentes partes do mundo (organicidade). Já a pulsão de morte objectivaria o desligamento, o desprendimento da ligação libidinosa e o retorno a um estado de tensão zero; ambicionaria a um repouso total, ao silêncio enfim.

          Em escritos posteriores a “Além do princípio de prazer”, como, por exemplo, “Observações sobre a teoria e prática da interpretação de sonhos” e “Inibições, sintomas e ansiedade”, Freud tece mais algumas considerações acerca da compulsão a repetir. No primeiro texto, o autor afirma que a transferência positiva é o que dá assistência à compulsão a repetir na “luta” desta última em superar o recalcamento; e só após o trabalho do tratamento, sob a influência da transferência positiva, ter afrouxado um pouco o recalque é que a compulsão a repetir pode mostrar sua força. Já no segundo texto, Freud fala sobre a relação da resistência com a repetição. Primeiramente, retoma o que havia afirmado em “Oego e o id”, ou seja, que a maioria das resistências que têm de ser vencidas durante a análise provém do eu. Depois, fala ainda da existência de uma resistência do inconsciente, que se manifesta sob a forma da compulsão a repetir: “pode ser que depois de a resistência do ego ter sido removida, o poder da compulsão a repetir – a atracção exercida pelos protótipos inconscientes sobre o processo instintivo reprimido – ainda tenha de ser superado. Nada há a dizer contra descrever esse factor como a resistência do inconsciente”. Com esta afirmação, Freud acaba por, de certa forma, reformular o que havia afirmado em “Para Além do Princípio do Prazer”, quando nesse trabalho referiu que não existiria uma resistência do inconsciente, mas sim uma resistência inconsciente ligada ao eu. Mas é em “O problema económico do masoquismo”, porém, que se encontram as contribuições freudianas mais substanciais acerca da compulsão a repetir, após o trabalho “Para Além do Princípio do Prazer”. Nesse ensaio, Freud articula a compulsão a repetir com o masoquismo, salientando que este último possui a mesma face demoníaca da compulsão a repetir: primeiro, por ser uma expressão da pulsão de morte, e, segundo, porque carrega, sobretudo no masoquismo moral, a permanência de um sofrimento que parece advir de uma força demoníaca do destino. Estas observações também possibilitam interpretar a compulsão a repetir como sendo uma forma de actualização do evento traumático. Ora, se no masoquismo moral, essa força é o último recurso de representação do poder, que exige a renúncia à satisfação pulsional, já na compulsão a repetir, o destino mostra-se sob a forma do acaso, por meio das circunstâncias que permitem e reforçam a repetição.

          Realce-se que esta introdução de uma pulsão contrária à vida e à líbido é ainda hoje um dos temas mais controversos da doutrina analítica. De resto, diversos autores se mostraram e mostram contra esta alteração na metapsicologia, levada a cabo pelo seu próprio fundador. Alguns referem-se à criação da noção da pulsão de morte como exactamente isso - uma criação de índole meramente teórica, impulsionada pela necessidade de explicar o que Freud considerou ser um transbordamento dos fenómenos de repetição, em relação ao domínio do princípio do prazer; precisando assim de uma unidade livre de contradições que não requeresse ligar elementos isolados uns dos outros (portanto, abstracções) numa totalidade funcional. Coimbra de Matos, por exemplo, a propósito da compulsão a repetir, refere que “considerá-la apenas no pólo pulsional consiste em persistir no reducionismo da vida psíquica à pressão do instinto (…) bem como explicá-lo simplesmente por um mecanismo pseudo-adaptativo do Eu – necessidade de maîtrise [de domínio] – é ver somente o mecanismo defensivo, em face da impossibilidade de fazer concordar a necessidade instintiva de oferta da realidade (…) fazer intervir a existência de uma pulsão de morte como instinto básico que se oporia à força expansiva da líbido – nas suas vertentes narcísica e objectal – é recuar a uma mitologia dos instintos, negando o verdadeiro conflito sujeito-objecto”. Outros ainda, tal como Klein, Kernberg, Bergeret, Green, Grotstein, etc., alicerçaram algumas das suas propostas a partir da formulação pulsional dualista, ou mesmo variações desta.

          Pensamos, quiçá, numa posição ponderada e não extremada. Aliás, não é o facto da pulsão de morte surgir não “de uma meditação a priori mas (…) como resultado de uma série de exigências lógicas e procedentes de observações clínicas [ou seja, de certas expressões da compulsão a repetir]”,  como referiu Bergeret, que retira a validade epistémica ao constructo que representa, desde aí, a face negra das pulsões humanas. De resto, esta é uma discussão que extravasa significativamente os limites da teoria psicanalítica, situando-se mormente ao nível da filosofia e em particular no plano ontológico. Todavia, muito há ainda a discutir; e daí, que o empirismo provindo do setting terapêutico jogue uma “cartada forte” e preponderante nessa mesma discussão.

          Finalizamos voltando à repetição e à transferência. Importa dizer que seja qual for a nossa posição e, outrossim, a posição que queiramos atribuir à compulsão a repetir na teoria pulsional, é inexorável a sua posição de relevo na epistemologia psicanalítica. Até porque, recordando novamente palavras Coimbra de Matos, “a compulsão a repetir – na vida quotidiana e na transferência analítica – é um dos mais importantes núcleos patológicos e patogénicos da neurose clínica e da neurose de transferência”. 

          Resta frisar que, se é verdade que a teoria e técnica psicanalítica muito mudaram desde as primeiras obras de Freud, o horizonte por ele rasgado mantém-se limite aberto para a Psicanálise e a marca indelével por ele deixada, como a sua eterna matriz.


Dr. Pedro Rodrigues Anjos