terça-feira, 20 de outubro de 2020

Outubro Rosa - Exercício Físico...

 



O movimento conhecido como Outubro Rosa apareceu nos anos 90 nos EUA, na década de 1990. Este movimento tem como objectivo estimular a participação da população no controlo do cancro da mama, promover a consciencialização sobre a doença, partilhar informações sobre a temática e fazer a prevenção e diagnóstico precoce. Não sendo uma doença exclusiva das mulheres, há uma maior incidência. Tocando no ponto da prevenção, o exercício físico torna-se um ponto essencial no combate e ao aparecimento deste tipo de cancro. Uma revisão  de mais de 70 estudos da National Library of Medicine, concluiu que, mulheres fisicamente activas têm 25% menor risco de desenvolver cancro da mama que mulheres sedentárias. Esta percentagem  ainda se torna mais elevada quando o exercício é acompanhado de sentimentos positivos e prazerosos. Nos casos já detectados, o exercício também se torna um grande aliado, porque estimula hormonas de bem-estar, evitando quadros depressivos e de mal-estar resultantes dos processos de tratamento

Lembre-se, nunca é tarde para começar a fazer exercício. Informe-se junto de um profissional de exercício ou do seu médico.

 

Bons treinos

Hugo Silva

Instagram: hugo_silva_coach

-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A mãe, o pai e o bebé...

 


A parentalidade surge em vários contextos e sobre diferentes modalidades, sendo transversalmente o processo pelo qual os pais passam para se tornarem pais (essencialmente falamos da reestruturação, tanto em termos sociais, como afetivos, que permite aos pais poderem estar disponíveis para responder às diferentes necessidades dos seus bebés). Apesar de ao longo dos últimos tempos tanto os papeis materno, como paterno, se terem vindo a alterar e modificar, a função familiar mantém-se a mesma. É na família central e nuclear que se permite que os bebés se desenvolvem intelectual, afetiva e socialmente. É para isto necessário, existir uma “casa interna”, poder e conseguir ser contentor, um meio que facilitador e que é uma base segura para o bebé. No fundo, todo este processo acarreta um conjunto enorme de desafios, aprendizagens, medos, inseguranças, momentos de alegria e felicidade. É uma transição que poderá ter um forte impacto psicológico.

São 9 meses de descobertas, de fantasias, de idealizações, de medos, de inseguranças, de crescimento… é um caminho que se percorre com a expectativa do nascimento muito presente, o momento em que se vai conhecer, na realidade, o bebé.

Mães e pais vivem estes 9 meses de forma diferente. Enquanto as mães são naturalmente foco de maior atenção, pelas evidentes transformações hormonais, físicas, psicológicas a que vão sendo sujeitas pelo processo natural da gravidez, não nos podemos esquecer da importância determinante que os pais têm durante todo este caminho.

            Se este processo já traz consigo, inerentemente, um conjunto de medos, por vezes, inimagináveis, onde fica o espaço para a vivência deste processo em alturas como esta?

            As restrições impostas pela situação que vivemos actualmente têm condicionado, de inúmeras formas, a vivência familiar da gravidez. Tem-se visto e ouvido imensamente falar da importância da saúde mental das grávidas (sendo este um assunto pré-pandemia já de extrema importância mas, infelizmente, nem sempre considerado –tendemos a assumir que a gravidez é sempre feita de arco-íris e unicórnios), da importância de diminuir os níveis de stress e de ansiedade derivados das várias alterações no processo de acompanhamento da gravidez e do necessário distanciamento físico e social que a atualidade nos impõe e que conduz a que a grávida ou pré-mamã fique também mais só. O acompanhamento às consultas ficou mais condicionado, a presença do pai passa a ser impedida nas ecografias, nas consultas de acompanhamento e até no nascimento!

            Como podem os recém – papás integrar mais um desafio? Quais os impactos que estas alterações acarretam em termos de saúde mental (da mãe, do bebé e do pai!)? Como aceitar esta realidade que impede o normal enamoramento e nascimento da triangulação?

Ainda é muito cedo para de uma maneira concreta e estatisticamente consistente poder, a partir de estudos, ter ideia do impacto de um tempo como este no nascimento de um casal parental e, sobretudo, no universo mental de um bebé. Resta-nos o amor! E esta capacidade infinita de amar que consegue proporcionar a um recém nascido as condições ideais para se "fazer gente"...

Entretanto, vamos, enquanto O Canto da Psicologia, estando sempre por aqui se assim for necessário.


Drª Inês Lamares - Alcochete/Lisboa

O Canto da Psicologia




quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A fobia no pós-pandemia...

 



Pandemias, epidemias e catástrofes naturais têm tendência a propagar medos e a alterar comportamentos. Quanto maior for o evento stressante, maior será o seu impacto e as suas consequências. A saúde mental deve ser uma das preocupações centrais desta pandemia. Existem pessoas com predisposição psicológica, que se encontram mais vulneráveis, que podem desenvolver perturbações mentais, mas, na realidade, ninguém está ileso de as desenvolver.

Esta pandemia tem alterado a rotina das pessoas de uma maneira inesperada e que irá gerar consequências mesmo após esta situação estar controlada. O confinamento social, o contágio do vírus, o número de óbitos, podem gerar sequelas psicológicas, como as fobias. Destas, três são as mais frequentes:
 
Fobia de doença: é a fobia do contágio. É o medo de ficar doente e morrer, de contagiar familiares e amigos. Pode gerar sintomas físicos, mas gera principalmente crises de ansiedade e ataques de pânico.

 
Ataques de Pânico: é uma situação súbita de medo intenso associado a sintomas como palpitaçõessuores, tremores, falta de ar, dormência ou sensação de que está prestes a acontecer qualquer coisa má. Nesta pandemia, o medo mais frequente é o medo da morte e da doença, tanto da própria pessoa, como relativo a um familiar.


Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): são crises recorrentes de compulsões que se tornam obsessivas no dia a dia das pessoas. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que provocam na pessoa ansiedade ou mal-estar. A pessoa sente a necessidade de ignorar ou suprimir a ansiedade causada por essas obsessões através de pensamentos, rotinas ou atividades repetitivas denominadas de compulsões ou rituais.

Com a pandemia, todos temos comportamentos diários repetitivos, como lavar as mãos, usar frequentemente o álcool desinfetante, desinfetar produtos que trazemos para casa, entre outros. Estes comportamentos quando associados a este evento stressante podem desenvolver uma TOC ou agravar quando já existe.

 

E a Fobia Social? Algumas pessoas com este diagnóstico sentiram os seus sintomas diminuídos aquando da quarentena obrigatória, não estando expostas ao seu maior medo, o medo da interação social, da avaliação do outro, da exposição ao outro. Mas há quem tenha desenvolvido um quadro de solidão e tristeza profunda em consequência do isolamento social e que pode tornar ainda mais dificil um regresso a esta nova realidade, com medos mais intensos e por consequência uma maior ansiedade.

 

Falar sobre os medos alivia a ansiedade e contribui para um bem-estar psicológico, necessário para superar esta pandemia. Estes medos e a consequente ansiedade podem surgir em adultos, mas também nas crianças e nos adolescentes. Não hesite em procurar a ajuda de um Psicoterapeuta de modo a evitar um sofrimento prolongado.

 

Drª Irina Morgado - Setúbal

O Canto da Psicologia

 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Mãe, posso correr?

 



Esta semana, Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana adiantou que cerca de 80% das crianças portuguesas ficaram sedentárias com o confinamento. Este cenário, segundo o professor, poderá trazer grandes problemas no desenvolvimento futuro destas crianças. Olhamos para as crianças portuguesas e o cenário não é agradável.

-  Níveis de aptidão física continuam a baixar década após década;

- Falta de concentração, ansiedade, incapacidade para lidar com adversidades e desafios em ambiente escolar são crescentes;

- Falta de criatividade motora;

- Um terço das crianças tem excesso de peso ou é obesa;

- Número de crianças com diabetes tipo 2 está a aumentar;

 

Neste sentido, o que não pode acontecer na escola é que as crianças continuem confinadas dentro da sala de aula ou no recreio. É a altura certa para mudar a escola e adaptá-la aos novos tempos, o ambiente escolar deve propiciar brincadeiras ao ar livre, de forma que a crianças se possam exprimir cognitivamente, garantindo sempre a segurança de todos.

 

Bons treinos

Hugo Silva

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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Notas soltas de clínica. ...

 



“Dr.ª, não sei como lhe explicar o que sinto, acho que nem sinto, é um vazio que não acaba. Se me pedir para desenhar, desenho um buraco negro”.

Não raras vezes estreámos assim. Aquela tarde abriu profundamente triste. Como se olhasse um quadro de cores escuras de angústia e de uma desorganização desconcertante. Oiço a confusão espácio-temporal. Vejo um corpo sem alma, um mundo interno pobre e povoado de fantasmas. À medida que fala sinto o seu medo de poder estar perante um novo fantasma. A sua vida tem sido uma vastidão de dor. Não há movimento nos gestos, não há coordenação, há rigidez e desconfiança. Faltaram os braços da mãe. É a imagem que me ocorre. A ausência de um ambiente confiável e sustentador. Faltou brincar, explorar, experimentar e integrar.

E perante este terramoto interno de pedaços estilhaçados, escuto e amparo, permito-me compreender a realidade das suas singularidades. No horizonte – retomar o processo de constituição do Ego que ficou suspenso, através de uma Nova Relação. “É esta nova relação expansiva e sanígena que determina a mudança curativa – a construção e consolidação de uma outra e mais satisfatória e mais produtiva relação interpessoal.” (António Coimbra de Matos, 2016).

Vamos ainda no início do caminho. Por vezes longo para quem se sente vazio há uma vida inteira. “Não sinto nada, não sei se há melhoras. O buraco negro continua dentro de mim, mas sinto segurança aqui”. Progressivamente o espaço terapêutico torna-se acolhedor como os braços de uma mãe. Há espaço para narrar a sua história. Há confiança para abrir o seu mundo interno, permitir que surjam imagens e emoções. Na tela parece prevalecer o caos, o medo, a angústia. Percebe-se uma história infantil onde o ambiente familiar não foi facilitador dos processos de maturação. Abrimos caminho à ressignificação da sua história, construindo uma simbolização. “(...) os pensamentos começaram a soltar-se e a encadear-se, num movimento de maior compreensão da realidade externa e interna, através duma abertura, que possibilita a passagem do real para o imaginário e do imaginário para o simbólico.” (Ferreira, 1999).

Avançámos. O espaço terapêutico acolhe o vazio. “Já não vejo o buraco negro todos os dias, às vezes sim, mas muitos dias não”. A nova relação dá lugar a uma tela interior de cores, é possível a transformação e expansão. O buraco negro começa a desvanecer e dá lugar à esperança, à novidade, ao futuro.

O horizonte da psicoterapia - alicerçar na pessoa o seu sentido de singularidade, espontaneidade e autenticidade. Num caminho, sem pressa de chegar, de relação entre a díade – terapeuta e paciente - no qual ambos descem às paisagens do mundo interno e recuperam a possibilidade de renascimento. Renascer numa nova relação, renascer em liberdade.

Continuámos. Começo a ver a alma hasteada no corpo. Há medo de cair, mas há força e crescimento egóico capaz de enfrentar a angústia. A nova relação é internalizada e permite desfolhar novas relações, mais significativas e satisfatórias. O terapeuta – parece estar a ser suficientemente bom.

 

 Drª. Soraia Almeida

Canto da Psicologia -Braga

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

E depois do vírus? Quando recomeçar o exercício?

 



Sabemos que a cada dia que passa, mais gente fica infectada com o novo coronavírus. Não deixando de ser alarmante, grande parte das pessoas afectadas por este vírus recupera.

O Covid-19 é essencialmente uma doença do trato respiratório, sendo que afecta não apenas o sistema respiratório como compromete os índices físicos, respiratórios,  pulmonares, olfacto, mobilidade, stress, entre outros. As ultimas recomendações da OMS e estudos dos efeitos do vírus sobre a saúde, indicam que o exercício deve ser iniciado até um mês após a fase aguda da doença se ter manifestado. Isto porque, partindo das sequelas que a doença provoca, grande parte dos doentes ficam com a função pulmonar, cardiovascular e circulatória comprometidas. Neste sentido, o exercício físico poderá ser um grande aliado e  deverá ser estruturado em conjunto com o acompanhamento médico. Treino de força com baixo volume e alguns exercícios de resistência aeróbia de baixo intensidade/impacto deverão fazer parte da rotina das pessoas que recuperaram. Todos os casos deverão ser individualizados, supervisionados e retificados sempre que se justifique face a alguma contra-indicação.

O exercício de forma ajustada, será um grande coadjuvante para uma recuperação mais rápida e saudável.

 

Bons treinos

Hugo Silva

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Mexa-se, pela sua saúde....

 



Neste momento todos sabemos que o papel do exercício é fundamental na promoção de saúde e prevenção da doença. Doenças como: Diabetes, Hipertensão, Obesidade, Cancros,  Cardiopatias, Osteoporose, entre outras, podem ser prevenidas com exercício regular e estruturado. Com o confinamento, grande parte da população idosa refugiou-se em casa devido ao receio de contágio, logo, mesmo esta população que era fisicamente ativa perdeu alguns dos benefícios do exercício regular. É fundamental que nesta fase de maiores cuidados e distanciamento físico, não se aumente ainda mais o distanciamento social. Neste sentido, é importante que filhos, netos ou parentes mais chegados procurem arranjar soluções seguras para que as pessoas mais velhas da família continuem a exercitar-se, quer seja através do contacto direto com treinadores por via online ou de forma segura e presencial num ginásio que cumpra as regras de higiene e segurança.

É importante mantermos os nossos pais ou avós seguros do Covid, mas continua a ser imperial que estes continuem a mexer-se sob pena da sua qualidade de vida retroceder.

 

Bons treinos

Hugo Silva

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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

O Regresso à “Normalidade” da Escola...

 



O regresso à escola está cada vez mais próximo e este regresso vem, todos os anos, associado a algo novo, ao retomar depois dos meses de pausa em que tudo recomeça. E este ano?

Este ano é semelhante, o recomeço existe, como em todos os outros. Essa parte não sofreu alterações. Mas, este vem com um peso acrescido, com o peso de algo que todos estamos a experienciar e que, de uma forma ou de outra, vem com receios e ansiedades associadas. Esta experiência exigiu e continua a exigir alterações das rotinas e hábitos que já estavam incutidos e que, de forma repentina, tiveram de sofrer (re)adaptações. E como estará esta experiência a ser vivida pelas crianças e adolescentes?

Estas readaptações, que envolveram a fusão entre o espaço de descanso, de momentos em família, com o espaço escolar que, de um dia para o outro, “passou a ser na minha sala”; que, de um dia para o outro, fez com que “só pudesse ver os meus amigos pelo ecrã” (ou que nem assim fosse possível); que, de um dia para o outro, “me proibiu de fazer o desporto que fazia”; que, de um dia para o outro, “me impediu de ver os meus avós”; que, de um dia para o outro, “me trancou em casa”; que, de um dia para o outro, fez com que tudo ficasse confuso, o espaço de lazer e de descanso, com o espaço de trabalho e de estudo. A sala onde se via televisão, se jogava e brincava, o quarto onde se dormia e brincava passou a ser também a sala de aula, sem o caminho até casa para separar esses momentos tão distintos.

Todas estas alterações, todas estas questões merecem especial atenção, merecem que se dê especial atenção aos comportamentos, reações emocionais, sentimentos, das crianças e adolescentes, que passaram por todo este processo e que vão agora ter de lidar com novas (re)adaptações.

Nas crianças, ao longo deste tempo, foi possível perceber a dificuldade em integrar a alteração do contexto escolar, a dificuldade em perceber o que tudo isso representa, a dificuldade em compreender o porquê de não ver o(a) amigo(a), porque “eu não estou doente”. Agora, irão existir novas questões e poderá existir alguma resistência, depois de tanto tempo de afastamento. Em primeira instância, a dúvida de como será este novo ano, depois a possível dificuldade de pensar sobre as diferenças que vão existir, tais como a impossibilidade de brincar com todos os amigos com quem brincava, algo que é tão inato numa criança, pode ter agora limitações. E, se não existirem tantas limitações a esse nível (dependendo da faixa etária), irão existir receios do toque, depois de tudo o que foram assimilando nestes meses? Que consequências que poderão ter estas limitações no futuro? Na saúde mental das crianças?

E a mudança de ciclo? A esta mudança, que já envolve por si só ansiedade, devido a todas as adaptações já anteriormente necessárias, acresce mais uma vez as regras que terão de ser cumpridas e que terão de passar a fazer parte do normal no contexto escolar das crianças. “Será que me vou adaptar?”, “Todos dizem que este ano é difícil, que é muito diferente”, “Será que os meus amigos ficam na minha turma?”, “Vou conseguir fazer novos amigos?”. Podem ser questões difíceis de gerir, dependendo de cada criança, em circunstâncias que consideraríamos “normais”, e que se vêem agora aumentadas.

Nos adolescentes, algumas questões podem ser e podem ter sido as mesmas, noutras nem tanto. O foco aqui passou mais, na maioria dos casos, pela questão da socialização, pela falta de contacto físico com os amigos, pela falta de compreensão desta necessidade (em alguns casos) da parte dos pais. A socialização é uma parte muito importante para o desenvolvimento dos adolescentes, é uma fase em que a sua vida “roda”, em grande parte para eles, em torno disso. Em associação, surgiu o maior apego à comunicação online (única forma possível que contacto com “o mundo”). Esta “dependência” não veio com a pandemia, mas a pandemia veio intensificar a comunicação por estes meios. Contudo, embora esta forma de comunicar tenha facilitado a vida de todos nós, não substitui o estar com o outro e isto é sentido de forma mais intensa pelos adolescentes.

E nesta faixa etária surge a mesma questão que colocamos nas crianças: “E a mudança de ciclo?”. Por um lado, poderá trazer questões idênticas às das crianças, por outro a complexidade das mesmas também pode ser maior. Para além dos amigos terem um impacto muito grande no seu desenvolvimento e comportamento, as responsabilidades também aumentam, sejam pela entrada no secundário, seja pela pressão externa e interna existente. Agora, podemos acrescentar a essas questões as dúvidas de como será o próximo ano letivo, se será possível o contacto com os amigos como se recordam, será que o contacto com o outro no espaço exterior da escola vai ser o mesmo, se vai fluir da mesma forma como fluía.

Embora seja possível generalizar algumas questões, é importante que, ao mesmo tempo, não se faça essa generalização. Cada criança e adolescente tem as suas particulares, receios e fantasmas, que necessitam de uma observação e atenção particulares para que os “danos” sejam o mais atenuados possível e que a ansiedade associada a todas as incertezas de futuro, às novas rotinas e novas regras que o regresso à escola implica, não seja tão intensificada.

Trago este texto como forma de reflexão, para que possamos refletir e estar atentos aos sinais que os mais novos nos dão e à dificuldade na gestão emocional que esta situação lhes tem trazido e que só promete vir com mais desafios pela frente.

Hoje falei das crianças/adolescentes, mas não podemos descurar o papel dos pais, tão importante na adaptação a esta que é agora a nossa nova realidade, ao longo deste processo que foram estes meses, e no processo de (re)adaptação que serão os próximos.

 

Drª Rita Rana

O Canto da Psicologia



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Devias fazer psicoterapia! Do podcast ao sofá da terapia…

 

Esta frase anda a tornar-se familiar por estes tempos, não acha? 

Possivelmente por tudo o que andamos a viver ultimamente, mas por aqui, em alturas de rentrée, este eco torna-se sempre mais evidente. É nesta época do ano que muitos processos psicoterapêuticos têm início, mas também muitos outros  ficam pelo talvez. 

Quem já fez ou faz psicoterapia tem por hábito recomendá-la a amigos ou familiares e nem sempre consegue entender os motivos pelos quais existe alguma resistência a dar o primeiro passo. 

“Não vou falar com um estranho sobre mim”
“Eu consigo resolver sozinho”
“Também não é assim tão grave”
“Um conhecido meu foi e não adiantou nada”

Assim se vão expressando alguns receios, naturais e bastante pertinentes, mas a verdade é que não são mais do que o reflexo de resistências internas que todos temos. O funcionamento psicológico é muito eficiente e por isso tenta, algumas vezes com resultado inverso, consumir pouca energia emocional e garantir o menor esforço possível. Por outro lado, porque queremos ser amados e tememos a rejeição do outro, fomo-nos habituando a calar o que pensamos e sentimos, para sermos facilmente aceites e depois, amados. Ouvir o que temos a dizer sobre nós não é tarefa fácil…

Vou à psicoterapia para ouvir o que eu tenho a dizer!

Quando ouvi esta frase, fiquei indagada e ao mesmo tempo a pensar no quanto é difícil ouvir o que temos a dizer sobre nós. Mas não estamos na Era em que os podcasts assumiram o lugar de protagonista nos conteúdos digitais e que hoje nos assaltam minuto a minuto? 
Bom, é certo que os nossos conteúdos internos nem sempre são apelativos, mas se lhe dermos a atenção devida talvez se encontrem agradáveis surpresas. 
Quando ouvimos um podcast, estamos mesmo a ouvi-lo? Tenho algumas dúvidas… Na maioria das vezes, o podcast é conciliado com outras tantas tarefas em simultâneo, depois paramos, aceleramos e saltamos algumas partes do mesmo. É um conteúdo que faz parte da nossa coleção de materiais digitais, que cada vez mais vão tendo como função ajudar a suportar silêncios e se têm tornado fortes aliados no preenchimento de vazios. Ouvir os nossos silêncios não é tarefa fácil… 

No sofá da terapia criam-se podcasts?

Voltando ao sofá da terapia, percebemos que aqui, os podcasts se desenham noutra forma e se moldam noutra ordem. Na ordem do falar, do ouvir e do sentir. Requerem atenção exclusiva! Persistência, paciência e coragem! 
Se nos sentimos ansiosos, cansados, deprimidos ou irritados, a psicoterapia é sempre uma escolha acertada, por mais difícil que seja declará-la. A investigação científica comprova a sua eficácia e os nossos pacientes também. Perante a dor e o sofrimento, a possibilidade de compreensão das emoções, permite quebrar o ciclo de repetição e a mudança ocorre naturalmente, aliviando os sintomas. O pedido de ajuda psicoterapêutica vem, na maioria das vezes, associado a angústia e esta é uma temática na qual os psicólogos se encontram atentos desde o início, dando uma resposta adequada e integrando a queixa. Eles são especialistas na arte de perceber e aceitar o outro, são empáticos e disponíveis. Quem já fez psicoterapia reconhece estes fatores e é por isso que a sugere com tanta veemência. Mas também sabe que o compromisso com a psicoterapia deve ser real para ter um resultado transformador e que não é suficiente marcar a consulta e ter um psicólogo a acompanhá-lo todas as semanas (como nos ginásios…, não basta fazer a inscrição para obter resultados).

Talvez no sofá da terapia seja possível criar um podcast mais atrativo e interessante, onde a temática principal e de fundo é a nossa história, relatada em vários episódios, uns mais emocionantes do que outros. Criar um podcast sobre nós alimenta a capacidade de estarmos connosco próprios, independentemente de estarmos sós ou acompanhados. Permite olhar o que somos, ouvir o que temos a dizer e sentir o que sentimos.

Afinal, se não nos ouvimos, o que andamos a ouvir?

 

 

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Que trará este "novo" Setembro?

 


Nunca o regresso do pós férias foi tão profundamente irresoluto quanto este que se apresenta à nossa frente.

Há dois momentos na vida em que, geralmente, usamos em  jeito de balanço: quando regressamos de férias  e, no final ou, no início de um novo ano.

No primeiro momento, regresso de férias,  relembramos os planos que se concretizaram ou, nem por isso, visualizamos os novos desafios que se apresentam  para mais um ano laboral , regozijamo-nos com as conquistas escolares dos nossos filhos ,receosos, criamos expectativas para o ano escolar que se inicia, olhamos, com respeito, o sentir preocupante  inerente a qualquer  um destes aspectos mas, sobretudo, encaramos num registo pragmático de resolução do que ficou pendente , do que virá por aí , sempre de  peito aberto às provocações vivenciais que irão surgir ao longo de mais 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 48 segundos, aproximadamente ,até às próximas férias.

No segundo momento, final ou início de um ano novo, deitamos um olhar reflexivo ao ano que passou com uma certa nostalgia ou ânsia que ele termine  e pedimos um ano novo cheio de saúde, trabalho, dinheiro e muito amor e se não puder ser melhor, que  pelo menos “  seja igual ao que termine que já não é muito mau…” ( a partir de agora, faremos mais um pedido: que não venha com o novo ano um outro vírus por aí…)

E este ano? Agora que regressamos de férias, à rotina sazonal expectável,  que fazer com este presente onde não nos é permitido, sequer, pensar um futuro, fazer planos, delinear estratégias, pendentes que estamos todos de resoluções que não nossas?

Governo prepara endurecimento das medidas de proteção - Diário de Noticias - 27/08/2020

Nos próximos 15 dias tudo vai ficar na mesma, no que toca a regras de segurança sanitária, mas a meio de setembro todo o país passará para um nível mais elevado de proteção.

“O Governo está a preparar um endurecimento das medidas de proteção sanitária para daqui a duas semanas, passando todo o país de "situação de alerta" para "situação de contingência", o mais 'grave' dos três previstos na Lei de Bases de Proteção Civil. Já Lisboa manter-se-á na situação em que atualmente está - situação de contingência -, significando isto também que o grau de risco avaliado será igual em todo o país.

Não vamos, por aqui, voltar a repetir o que temos estado a ouvir ,há meses,  sobre o que é preciso fazer, que há uma nova realidade, que tudo vai ficar bem, que vamos sair disto muito melhores pessoas. O princípio da realidade que se impõe, por agora, é de um total desconhecimento, de uma total incerteza regada de angústia, ansiedade e medo, muito medo, não há como negar. Sabemos muito  mais do vírus mas, ele sabe muito mais de nós...

Que dizer ou fazer ,nestas alturas ,quando o amanhã nos parece incerto, a segurança frágil na continuidade do posto de trabalho impera, teme-se todos os dias pela saúde, continua-se a olhar o outro como o inimigo público número um, não se convive com a família totalmente à vontade, teme-se o regresso à escola dos nossos filhos, receia-se o retorno aos postos de trabalho, espera-se, com muita expectativa , pelas  medidas que por aí vem abraçar o meio de Setembro com a segunda vaga à vista, que dizer ou fazer?

Como diz a minha mãe: “ um dia de cada vez filha”!

Como digo enquanto mãe: “ um dia de cada vez filha”!

Permita-me, a si que me lê desse lado, pegar no título de um livro do escritor Miguel Esteves Cardoso e, com todo o respeito,  rescrevê-lo: A espera é f%d!&a…

Mas é o que nos resta…

 

Drª Ana de Ornelas

Directora Geral do Projecto

O Canto da Psicologia