quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Quando a perda invade o espaço terapêutico...



“Não tenho medo da morte. Só não quero estar presente quando ela acontecer.”

                                                                                                         Woody Allen

Drª. O meu pai partiu hoje ao início da tarde…que tristeza tão profunda…” 

Se por um lado, no desempenho da nossa profissão, vamos, com orgulho profissional, assistindo ao crescimento dos nossos pacientes, há momentos em que a empatia se instala de tal forma e, num poder descontrolado, apodera-se e embebeda-nos em momentos de sofrimento imenso onde a dor contamina e é sentida de forma intensa quase como se fosse  nossa; valha-nos a experiência, a supervisão e as nossas ferramentas de trabalho que nos permitem um distanciamento suficientemente seguro de maneira a sermos capazes de ajudar, conter e suportar o sofrimento desmedido pela perda sentida por  quem está à nossa frente, derrubada por uma tristeza imensurável. É inimaginável  este cenário; também somos humanos e trazemos connosco, às costas, a nossa própria história e também as nossas perdas mas, foi para isto e muito mais que nos fomos preparando enquanto profissionais de saúde mental  e por isso, capazes de fazer o nosso trabalho mesmo nestas circunstâncias tão, mas tão difíceis …

Ao longo dos meus anos de prática, já acompanhei dois processos lancinantes de espera da morte; um, enquadrado no percurso normal da vida,  e outro, absolutamente antinatural onde se trabalhou durante um ano e meio,   a espera inevitável da morte de um filho, na primeira infância.

Alguém me disse, um dia, de que as dores são incomparáveis e são, efectivamente; e estas, as dores da perda pela morte prematura ou tardia, são incontornáveis e tem o seu tempo para serem vividas. O Professor Coimbra de Matos, numa supervisão, dizia: “ O luto de um filho nunca se faz; vai-se aprendendo a viver de saudade” ; Rose Kennedy escreveu um dia:” Diz-se que o tempo cura todas as feridas. Eu não concordo. As feridas ficam. Com o tempo, a fim de proteger a sua sanidade, a mente cobre as feridas e a dor diminui, mas nunca desaparece”.

Também eu passei, há uns anos, pela morte do meu pai. Esperada e pela doença degenerativa da qual sofria a certa altura, até “desejada”, a despedida era feita a cada visita, tal a vontade que o seu sofrimento terminasse mas, perante a derradeira impossibilidade de o trazer novamente à vida com um simples sopro de amor, sucumbi à dor lacinante de me tornar órfã de pai; valeu-me a terapia onde houve dias em que o som era só o do meu choro, do meu lamento, da minha tristeza profunda e incapacidade de lidar com o meu novo estatuto, o de “órfã de pai”.

Apesar de ter tido tempo para me ir preparando ( será que alguém consegue estar verdadeiramente preparado para tal?) assistiram-me as cinco fases de luto: negação, revolta, negociação , depressão e aceitação; retirei-me temporariamente da presença dos meus pacientes e mais tarde, quando regressei , cuidei para que, enquanto eu não tivesse este meu luto resolvido, não recebesse ninguém em consulta que estivesse igualmente a passar por um processo de luto: eu não estaria ainda  preparada para o ou, a acompanhar. A vida, entretanto, quando achou que assim o devia e que eu aguentaria,  foi-me pondo à prova pelos casos que fui abraçando e dei por mim, serena,  a trabalhar lutos com a saudade por companhia e com a empatia  em absoluta sintonia.

 E ontem, recebi esta mensagem! Já esperávamos! Trabalhámos ao longo destes últimos dois meses esta realidade possível mas tão impossível ao mesmo tempo de ser pensada! Com momentos difíceis e terrivelmente dolorosos, a inevitabilidade deste fecho de vida foi-nos colocando a ambas e em cada uma de maneira diferente, face a face com a morte;

Entre estes factos da vida, a morte é o mais evidente, o mais intuitivamente palpável. Desde cedo, bem mais cedo do que muitas vezes se julga, compreendemos que a morte há-de chegar e que não há escapatória (…)

(…) Há medida que envelhecemos, aprendemos a não pensar na morte ; distraímo-nos; transformamo-la em algo positivo; negamo-la com mitos que nos sustentam; esforçamo-nos por alcançar a imortalidade através de obras imperecíveis (…)

(… Contudo, existe outra via – uma tradição antiga, que se aplica à psicoterapia- , que nos ensina que a perfeita consciência da morte amadurece o nosso pensamento e enriquece a nossa vida”

A Psicologia do Amor

Irvin D. Yalom

Respondi à mensagem da mesma forma que me ouvi, quando a li e que achei importante fazê-lo : “ Só me resta relembrar-lhe o que ao longo deste tempo temos tantas vezes dito em sessão: só morre quem é esquecido e o seu pai tem um lugar perene no seu coração”

Agarro-me à frase inicial de Woddy Allen e transformo-a segundo a minha existência:

“Não tenho medo de trabalhar a inevitabilidade da morte. Só não quero estar presente quando ela acontecer.”


Drª Ana de Ornelas

Directora Geral do Projecto 

O Canto da Psicologia




terça-feira, 11 de agosto de 2020

O sono, as férias e o peso...

 


Tempo de férias, mais tempo para o lazer, para o ócio e por consequência mais tempo para recuperar horas de sono. A falta de horas de sono, além de graves consequências ao nível da saúde, pode prejudicar a manutenção de um peso saudável. Estudos recentes, testaram 2 grupos de pessoas durante várias semanas. Um grupo seguiu um plano alimentar e sono adequados (média 7 horas) e outro grupo com dieta mas com restrição de horas de sono (média 5 horas).

Os resultados foram claros, houve uma diminuição do peso corporal semelhante em ambos os grupos, mas no grupo com restrição de horas de sono a perda de peso deveu-se em grande medida (mais de 60%) à diminuição da massa magra, ou seja, a massa gorda quase não se alterou. Houve também um aumento de apetite e fome no grupo com restrição de horas de sono, uma diminuição forte do metabolismo basal e perda de gordura em repouso.

Concluindo que, além de uma dieta e treino regular, o nosso organismo precisa durante todo o ano de horas adequadas de sono, sendo fundamental criar o hábito de dormir a horas regulares durante o período de trabalho ou no caso dos mais novos, durante o período escolar.

 

Bons treinos

Hugo Silva

Instagram: hugo_silva_coach

-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre



quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Positividade Tóxica...






"Não me devo sentir deprimido porque sou um profissional da linha da frente". “Não tenho o direito a queixar-me”. “Tenho que ser produtivo”. “Devo apenas sentir-me grato por ter um teto e comida”

 

 Existe uma onda de positividade que é imposta como se a única forma de estar fosse ver tudo positivo, mesmo quando existem desafios difíceis na vida. É necessário compreender uma coisa, nem tudo na vida tem de ser fácil, não temos de forçar um sorriso e por uma máscara. Sermos genuínos e sentirmos o que estamos a sentir, não é mau. Porque a tristeza e a ansiedade têm de ser más? Podem ser grandes aliadas ao pensamento, à evolução, ao crescimento. Mas parece que contam estas mentiras de que terás de ser sempre positivo, que não podes ter maus momentos, como se não fosse permitido tudo o resto.

Assim, nos últimos tempos, temos assistido a um autêntico Boom da “positividade” em que somos bombardeados com teorias do facilitismo e da superficialidade parecendo obrigatório estar-se  num estado constante de “alegria” onde nunca pode haver espaço para  emoções negativas, como a tristeza, o medo, a ansiedade e onde só podem existir as boas emoções e, as menos boas, completamente ignoradas e menosprezadas. Tantas vezes lemos e ouvimos; “pense positivo”, “ignore o negativo”, “atraímos o que pensamos” “somos o que pensamos”, “atraímos o bom e o mau” “o Karma é complicado, o que vai vem” entre outras frases, feitas e simplistas. Estas ideias podem ser perigosas para determinados tipos de personalidade, mais obsessivos que, em fases vulneráveis, irreais, encaram todos os pensamentos como verdades, o que provoca sofrimento psicológico.

Naturalmente que ter bons pensamentos e escolher as melhores opções para nós é algo bom mas, passa a ser patológico quando há uma autêntica distorção da realidade, não sendo esta nem completamente boa, nem completamente má, nem tudo está no preto e no branco, existem outras cores, tonalidades, diferenças, misturas. Desenvolver uma melhor capacidade de assumir decisões boas para nós, nem sempre é encarado como o mais positivo, por vezes temos de cuidar da nossa saúde, pelo que exige disciplina e foco. Ou seja, nem sempre tudo flui e é fácil, o que não é necessariamente mau, uma vez que é neste exercício de foco e perseverança que conseguimos o melhor para nós, a médio e longo prazo. Torna-se um problema quando a pessoa sente- se esmagada, para encaixar no expectável, naquilo que considera que os outros querem que seja, assim temos as gerações do instagram e das redes sociais, sempre a revelarem um lado extremamente positivo, como se o ser humano pudesse ser só este falso “positivo”. Assim sendo, esta postura esconde, em si, um perigo invisível, que fica entre linhas, que consiste em ignorar a autenticidade da pessoa ou seja, incentiva ao fingimento constante de que esta tudo bem, o que favorece e agrava o estigma da doença mental. A doença mental não afeta só as pessoas que estão totalmente fora da realidade, gravemente doentes, pode e normalmente irá afetar todos, de forma distinta, ao longo do ciclo de vida, por inúmeros fatores, externos e internos. Ignorar, fingir que está tudo bem, estar sempre muito disponível para os outros, e ignorar as próprias necessidades, só irá conduzir para um quadro de sofrimento psíquico atroz. 

Além da educação que muitas vezes não estimula a inteligência emocional na criança ou seja ,não ensina a identificar e a lidar com as emoções quer negativas, quer positivas de uma forma construtiva, a própria sociedade parece fomentar este narcisismo débil, que cai na armadilha do positivismo.

A tristeza e a ansiedade são emoções importantes, para o nosso desenvolvimento e progressão individual, desde que sejam, assimiladas, compreendidas e aceites em nós próprios e nos outros de forma empática. A frustração, a forma como lidamos com os obstáculos e desafios da vida é que irão determinar o nosso bem-estar, não se trata de se estar sempre a frustrar, mas, também, devemos assumir que existem aspetos negativos na vida e é normal termos emoções negativas, ainda que temporariamente.

 Se nesta Era narcísica, consideramos que a nossa autoestima depende, exclusivamente, de um sucesso extremo e perfeito, em todas as áreas da vida, então iremos aumentar a nossa propensão para a doença mental, uma vez que não é possível encaixar nesse nível irrealista de perfeição, nem tão pouco agradar a “gregos” e a “troianos”.

Ora, a nossa maior saúde mental, advém de aceitar com normalidade, as nossas emoções e perceber o significado dos nossos pensamentos negativos. Existe sempre, sempre, sublinho, uma razão, com sentido e essa compreensão pode ser construída em psicoterapia, o que apazigua a alma e, ate à data, não há medicamento nenhum que substitua isto.

 

 Dra. Mafalda Leite Borges - Alcochete

O Canto da Psicologia




quinta-feira, 30 de julho de 2020

Aprender a viver com um sintoma - ecos de uma entrevista ao escritor João Tordo...




Há uns tempos, ao regressar a casa do trabalho, ouvi na rádio uma entrevista que me fez refletir sobre como escolhemos uma profissão, ou muitas vezes, como somos escolhidos por ela, mediante as nossas vivências. Era uma entrevista ao escritor João Tordo, formado em filosofia, jornalista, guionista e autor de 13 romances publicados aos 44 anos de idade.
O que me chamou a atenção foi tanto o curto resumo que fez da sua primeira infância, que descreveu como não tendo sido “um lugar particularmente harmonioso”; como a gaguez, que o acompanhou desde criança e que, segundo ele, o ajudou a ser o que é hoje. Os caminhos mentais que tinha de percorrer para tentar evitar determinada palavra que poderia desencadear um episódio de gaguez, as narrativas alternativas que construía e o vocabulário que ia descobrindo neste processo, foram, segundo o Autor, uma tentativa de ordenar o caos de um “miúdo perdido” através de uma forma de expressão.

O sintoma tem de ser sempre entendido na história pessoal e contexto de cada pessoa.  Como tal, o meu interesse não é analisar a gaguez do João Tordo, até porque não teria legitimidade para isso. O que me pareceu fascinante é a forma como descreve um aprender a viver com o seu sintoma e até colocá-lo ao serviço de uma paixão, e ulteriormente de uma profissão. Freud diria, a propósito deste tema, no texto O Mal-Estar na Civilização (1930), que a atividade profissional proporciona uma satisfação particular quando é escolhida livremente, de modo a possibilitar o uso por sublimação das pulsões não recalcadas. A sublimação será sempre uma história singular, de um sintoma particular e de pulsões que se conseguem ligar a atividades socialmente valorizadas, por vezes logo desde a infância, como se vê neste caso.

Do relato do autor é possível perceber que inventar histórias e palavras novas permitiu-lhe reduzir o mal-estar associado à gaguez (ele fala de vergonha em relação aos pares) e trouxe-lhe também um benefício secundário, oferecendo-lhe as ferramentas para escrever. Parece-me igualmente notável o entusiasmo com que relata o seu primeiro encontro com a leitura e os romances, como género literário, como se esta peça encaixasse na perfeição naquela que era a sua solução criativa e singular para este sintoma. 

Por vezes, é difícil encontrar uma solução mais ou menos harmoniosa que nos permita seguir o nosso caminho, ou o sofrimento que o sintoma traz é demasiado esmagador e paralisante para procurar uma saída sozinho, e nesses momentos é fundamental pedir ajuda.
O trabalho psicoterapêutico oferece um espaço seguro e uma relação na qual se pode encontrar apoiar para descobrir as suas próprias respostas e soluções, construir sublimações e assim, como dizia o escritor João Tordo, ordenar o caos.

Psicologia à parte, resta-me esperar pelo seu novo livro que, a avaliar pelo título, promete ser muito interessante: “Manual de sobrevivência de um Escritor”.





quinta-feira, 23 de julho de 2020

Férias co(m) vid(a) ...





Vivemos o primeiro período típico de férias de Verão dos portugueses em modo de pandemia… Uma experiência que tende a ser sentida como muito estranha, uma vez que não temos recordação, nas nossas vidas, de uma outra época de pandemia que pudesse nos orientar nas nossas escolhas quotidianas.

Fala-se muito de uma «nova realidade», expressão esta que já começa a estar banalizada neste período que vivemos, mas que, ainda assim, pode ser muito enganadora, uma vez que até pode parecer, ilusoriamente, que existe uma clivagem face a uma suposta «antiga realidade», como se não ocorressem semelhanças algumas entre este Verão com pandemia e, por exemplo, o Verão passado, sem pandemia. De facto, há uma continuidade da existência da Humanidade, mas com evidentes diferenças e semelhanças, entre as suas várias épocas. O Verão continua a ser Verão, as praias continuam a ser praias, as pessoas continuam a ser pessoas… por outro lado, a pandemia apela a mudanças drásticas na forma como nos relacionamos uns com os outros, com todas as preocupações inerentes e os naturais e desejáveis cuidados para todos.

Nesta época, será importante reconhecer que vivemos um Verão em que para além do habitual desejo de descanso e tranquilidade ocorre, simultaneamente, uma tendência para se sentir um maior medo e ansiedade decorrente da pandemia e dos seus eventuais efeitos debilitantes e até irrecuperáveis na saúde, economia e nas relações interpessoais, desde logo nas mais significativas, como as familiares, românticas e de amizade.   

Por conseguinte, neste período de férias mais complexo e, por isso, mais difícil de compreender e viver, a falta de sentido na vida pode ser intensificada. De facto, o sentido na vida não reside na mera sobrevivência, porque tal não é, por si só, um autêntico viver humano, mas este tempo tão marcado pelo tema colectivo do Covid-19, pode conduzir muitas pessoas a ficarem num estado, curiosamente, semelhante ao do vírus, ou seja, sem acesso a uma experiência de real vida, a um «para quê» existir, através de sonhos e aspirações integrados em conscientes projectos existenciais.

É, para muitos portugueses, um tempo de férias com várias particularidades invulgares, sem dúvida, mas, é importante notar que os especialistas têm vaticinado que o Covid-19 continuará por cá após o Verão e, eventualmente, durante muito tempo. Deste modo, será necessário encontrar um renovado sentido na vida face a estas persistentes circunstâncias existenciais, evitando essa outra via de «contágio» do vírus pelo modo aquém de uma verdadeira experiência de vida humana.  

Neste sentido, como provavelmente diria hoje Viktor Frankl (1905-1997) se ainda estivesse vivo – conceituado e influente psicoterapeuta que muito se dedicou à compreensão da dimensão humana do sentido na vida – será especialmente importante que nos serviços de psicologia clínica e de psicoterapia, os profissionais da relação terapêutica estejam particularmente atentos ao fenómeno do vácuo existencial ou, em outras palavras, do vazio interior pela dolorosa e profunda falta de sentido na vida. Frankl esclareceu que o vácuo existencial se manifesta sobretudo pelo tédio. Ora, dadas as muitas limitações às experiências e relações humanas, necessárias para prevenir novos contágios de Covid-19, as férias típicas deste Verão podem estimular, nas vidas dos portugueses, uma extraordinária epidemia de tédio, de maior vazio existencial, até porque não se prevê que tais medidas restritivas cessem em breve. Não se vê ainda claramente “uma luz ao fundo do túnel” do tédio e isso pode intensificar o próprio fenómeno do vazio existencial, dada a associada pouca esperança. Neste momento, face ao Covid-19, parece que a expectativa geral de se poder ter em breve uma vacina eficaz e/ou de adequados tratamentos de cura ainda estará pouco consistente – apesar de algumas recentes boas notícias – porque é necessário «ver para crer» face a tantas informações e contra-informações que as pessoas têm recebido sobre quase tudo o que se relaciona com esse vírus, desde o início da pandemia. Neste enquadramento, esperemos que o vácuo existencial não se dissemine com tanta facilidade como o Covid-19 tem, infelizmente, conseguido; seja como for, podemos confiar que os profissionais de saúde mental continuarão na linha da frente a ajudar as pessoas a (re)encontrar um sentido na vida.  






segunda-feira, 20 de julho de 2020

Respirando emoções com e sem máscara...






Aviso: texto carregado de símbolos, metáforas e transposições de uma realidade para outra. Ler com liberdade de pensamento.

Inspirar e expirar. Duas ações intimamente ligadas. Uma seria impossível sem a outra. O processo de respirar contém em si mesmo ambas ações. A primeira para absorvermos o que está ao nosso redor, aproveitando os bons elementos. A segunda considera os elementos que não nos fazem falta e até elementos residuais produzidos por nós, expulsando-os do nosso sistema. Esta dualidade de que falo existe em praticamente todo o lado (o sistema digestivo, por exemplo, trabalha também desta maneira, bem como muitas outras coisas na natureza).

De alguma forma, parece que desde sempre se deu primazia à compreensão destes processos físicos e ao seu mau funcionamento, às suas lacunas ou falhas. O que é compreensível uma vez que se não estivermos a cumprir as funções mais básicas (físicas) não conseguimos simplesmente sobreviver. 
No entanto, pode dizer-se também que o nosso físico está intimamente ligado às nossas emoções. As emoções e todo o nosso conteúdo interno, muitas vezes - para não dizer sempre - têm uma influência elevada e até desconhecida sobre os nossos processos físicos. Tudo isto pode ser olhado à semelhança deste processo da respiração. Permitindo-nos viver e não apenas sobreviver. Mesmo desde antes de nascermos - na gestação - o mesmo se passa. Absorvemos o que está à nossa volta e deitamos cá para fora aquilo que não precisamos ou que nos é nocivo. Este processo repete-se infinitamente até morrermos.

Caros leitores, não levem a mal esta pergunta, mas, se nos foi ensinado a prevenir ou resolver o que não nos faz bem fisicamente, por que razão nos é tão difícil procurar compreensão profissional relativamente ao que nos toca no âmago, emocionalmente

Nestes tempos de pandemia, onde vivemos, a respiração livre está cada vez mais comprometida, seja pelas máscaras que colocamos (na cara e dentro de nós), seja pelo isolamento ou confinamento que fomos obrigados a respirar (sem a possibilidade temporária de inspirar novos  elementos).

Este texto tem então um objetivo muito simples: libertação de máscaras e estereótipos que em nada facilitam a compreensão de um self. Serve para dizer, a quem quer que esteja a ler, que as nossas coisas, aquilo que habita dentro de nós, desde sempre ou novo, pode ser compreendido, processado, transformado e sobretudo consciencializado - processo sobre o qual se debruça grande parte da relação terapêutica (a emergência de conteúdos do inconsciente para o consciente, de forma a poderem ser reconhecidos e trabalhados). É um processo difícil? É. Vale a pena  o esforço? Posso asseguradamente dizer que sim.

O processo psicoterapêutico, se é que alguma vez o foi, já deixou de ser para malucos. No entanto, parece ser apenas em crise que existe a liberdade interna de procurar ajuda profissional neste sentido. Porquê? 
Na minha ótica, o autoconhecimento e o conhecer do nosso mundo inconsciente são das maiores ferramentas que se podem levar para qualquer campo da vida. Porque não?

Numa altura destas em que está a ser difícil respirarmos em liberdade, ter um espaço onde podemos livremente respirar, sem máscara dentro de nós, é realmente uma lufada de ar fresco.





quinta-feira, 9 de julho de 2020

Pensar um equilíbrio...





Vivemos este período marcado por tantos constrangimentos, em que as condições da nossa realidade foram significativamente alteradas e ficámos privados de tantas coisas tão importantes, é como se o mundo de cada um tivesse encolhido um pouco (ou muito… a medida vai de quem o sente). A necessidade de nos adaptarmos foi, e é ainda, imperiosa, nesta fase já se pode sair de casa, desconfinámos, mas as incertezas são muitas, não se sabe que consequências pode ter determinada saída ou como irão correr as coisas de futuro.

A vivência da incerteza e da ausência de controlo, características inerentes da condição humana, intensificaram-se de tal forma que se impuseram no que é o dia a dia das pessoas e se tornou difícil de afastá-lo da consciência (o que também é importante, poder esquecê-lo).


O contacto social, essencial para a vida, mental e física, tornou-se praticamente interdito, ou pelo menos limitado. O que antes era consolo e alegria, como um abraço, pode ser agora risco de contágio… Será prudente e necessário reduzirmos os abraços, limitá-los relativamente ao número de pessoas, mas não será igualmente prudente e emergente que continuem a existir? Tratar-se-á de dosear o que se faz, nivelar o campo de ação, adaptar as expetativas e os objetivos de acordo com os novos parâmetros? No sentido em que se minimizam os riscos e se escolhem as melhores condições possíveis para manter aquilo que é salutar como o convívio com os outros?
Se esta incerteza e ausência de controlo que se impõem trazem dificuldades, ansiedade por exemplo, por outro lado já nos são conhecidas, já lidávamos com elas, mais ou menos conscientemente… poderemos então continuar a fazê-lo? E continuar a viver da melhor forma possível?

Continuemos, continuar também se impõe. Controle-se o que se pode (como os cuidados de higiene por exemplo), e o que não se puder, que se aceite, ou se torne possível aceitar, com relativa tranquilidade. Entenda-se e aceite-se que é natural que se produza menos, que se alcance menos, que se “tenha menos cabeça”. É natural sentir mais ansiedade ou experienciar mais estados depressivos.

Que sentido pode este período ter para cada um? Como é que este período e acontecimento pode ligar-se à sua narrativa pessoal? Trouxe dificuldades, potenciou dores antigas, fez reavivar feridas que pareciam saradas? Trouxe também algo de positivo? Foi possível aproximar-se de alguém significativo, foi possível valorizar coisas que faziam parte do quotidiano, mas passavam despercebidas (como as pessoas que relatam que passaram a usufruir muito mais das suas casas), descobrir ou redescobrir alguns gostos e aptidões? Foi possível, por ter revisitado algumas feridas, ter-se a oportunidade de as sarar melhor? Poderá constituir-se como um daqueles momentos da vida que, por muito desafiante também se reveste de aprendizagem e potencial evolutivo?

São muitos os aspetos que requerem reflexão, e uma coisa parece essencial, que os objetivos de cada um, de toda a ordem, possam ser novos objetivos adequados à nova realidade que se vive.




terça-feira, 7 de julho de 2020

Retorno aos treinos com ou sem máscara?





Com o retorno aos treinos, muitas pessoas continuam a perguntar se é importante o uso de máscara durante a prática de exercício. Do ponto de vista de controlo da doença, risco de contágio, contenção da disseminação das partículas do vírus, sem dúvida que sim.

Particularmente no decorrer de um treino, com o aumento da frequência cardíaca e frequência ventilatória, a evidência mostra-nos que o uso de máscara acarreta uma diminuição da captação de oxigénio, originando alterações importantes a nível respiratório e cardiovascular. Acrescentando que, também a nível da própria temperatura corporal existem alterações importantes quando há o uso da máscara em esforço. As consequências mais visíveis da utilização de máscara em esforço são o aumento da fadiga, diminuição das trocas gasosas, tonturas, mal-estar, aumento da temperatura corporal e diminuição do rendimento desportivo.

Assim, se pretende voltar a treinar, certifique-se que o seu ginásio cumpre as normas de higiene e segurança de forma a poder voltar aos treinos de forma segura e sem receio de tirar a máscara durante o treino. Cuide-se, cuidando dos outros!

Bons treinos
Hugo Silva




Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre





quinta-feira, 2 de julho de 2020

A esterilização dos afectos...




Em tempos como estes, em que temos regras sobre como podemos estar e interagir é-nos solicitado, a todos, que nos readaptemos a uma realidade que já vai sendo mais conhecida, mas que continua a ser, creio eu, estranha.
No início parecia mais fácil esterilizar, desinfectar, limpar onde tocamos, por onde passamos, talvez por momentos até tenhamos esterilizado o que sentíamos e o que pensávamos, tendo pouco espaço para fazer mais do que aquilo que sentíamos efectivamente necessário e urgente no momento.
Cada vez mais fala-se no retomar a uma nova normalidade, uma nova normalidade necessária, pelo menos no que diz respeito à economia. Quando mais oiço falar na necessidade de retomar, de voltar a fazer as coisas que sempre fizemos, fico eu própria com uma sensação de ambivalência que me faz parar e pensar… claro que precisamos todos que as coisas vão voltando ao normal, que os pais regressem ao trabalho, que as crianças voltem às creches e às escolas, que tanto adultos como crianças possam voltar a praticar as suas actividades e que voltem aos seus locais de saúde, refiro-me claro aos consultórios onde são acompanhadas, nas suas diversas modalidades.
Mas como isolamos o contacto com uma criança? Como esterilizamos a necessidade do afecto, do abraço, do toque… como esterilizamos o brincar? Como podemos fazer lutas entre cowboys e soldados? Como podemos construir sem partilhar? Será possível esterilizar esta parte? Automaticamente quando penso nisto, penso em crianças e adultos ansiosos, deprimidos, doentes até! E fica em mim um grito surdo “o que a mente cala o corpo fala”, famosa frase de António Coimbra de Matos.
Como contemos uma criança seja no consultório, seja na escola, sem lhe podermos tocar? Sem elas poderem olhar e ver a nossa expressão (escondida por detrás de uma máscara)?
Falo de crianças dado os óbvios obstáculos em termos de desenvolvimento, mas penso também nos adultos, no fundo, penso em todos nós… como podemos integrar a nossa experiência, estruturar o nosso eu, organizar as nossas relações interiormente, elaborar as coisas que sentimos e pensamos sem a possibilidade da contenção de um abraço? No fundo, na ausência da experiência do afecto.
Onde, dentro de nós, colocamos o “temos de estar isolados” ou “precisamos de uma distância de segurança para existir” ou até a impossibilidade do “vem cá que eu dou-te um abraço ou um beijinho…”
Será que este retomar à “nova” normalidade está a ter em atenção a nossa saúde mental?
Como é que na escola gerem, no caso dos mais pequenos, as distâncias de segurança? O não poderem tocar-se para brincar? O não poder dar um beijinho ou um abraço quando alguém se aleija?
Penso em todas as crianças (e adultos) que acompanho e que tenho vindo a acompanhar em modalidade on-line, penso no voltar ao consultório, de máscara, talvez com algumas fantasias que não são, certamente, terapêuticas (será que aquela criança ou adulto está seguro ali? Será que eu própria estou segura?), penso na criança que corre e que procura o toque, o abraço, o beijinho, que quer por o tapete e ir brincar e rebolar no chão, fantasiar, lutar, co-construir e que eu não vou, certamente, negar…
Não será mais seguro, mais tranquilo, mais contentor, mais potenciador de crescimento e de desenvolvimento, nesta fase, em vez de agir sobre a urgência do retomar à tal nova normalidade, podermos em conjunto e passo a passo, construir uma realidade diferente por mais uns tempos em que se pode lutar, brincar, conversar, rebolar, mesmo que através de dois ecrãs (on-line)?
Os afectos não podem ser esterilizados e o brincar também não!



Drª Inês Lamares - Alcochete
O Canto da Psicologia


quinta-feira, 25 de junho de 2020

2020, a Saúde Mental e a Psicoterapia...








Estamos a meio de 2020! E este já é seguramente o ano em que mais fomos alertados para a importância da saúde mental, seja através das notícias na televisão, artigos em jornais ou informações nas redes sociais.

"Os Efeitos do Coronavírus na Saúde Mental são um desastre em Slow Motion."

Provavelmente, o contexto subjacente à pandemia e o confinamento nos tenham feito parar e reflectir. No entanto, a preocupação com a saúde mental tem acrescido nos últimos anos em todos os profissionais que diariamente trabalham neste contexto. As notícias não são animadoras e todos os dias nos confrontamos com números e histórias surpreendentes.


Talvez por isso, seja tão difícil definir e identificar o que é saúde mental. 
Sabemos hoje que não pode ser considerada apenas na ausência de perturbações psicológicas e que envolve outros critérios e capacidades. Sabemos também que está intimamente ligada à saúde física e que as duas não se podem dissociar. Por outro lado, a saúde das nossas relações também tem uma palavra importante a dizer quando nos referimos a um bem-estar geral e completo. 

"Entre Janeiro e Março, venderam-se mais de 400 mil embalagens de ansiolíticos e antidepressivos."

Ainda que nunca se tenha falado tanto sobre saúde mental, como nos dias de hoje, a verdade é que o sofrimento humano existe desde sempre. Ao longo da história da humanidade, o homem foi-se confrontando com problemas que condicionavam o seu bem-estar psicológico. A perda, o luto, as dificuldades nas interacções familiares, os conflitos relacionais e os episódios traumáticos fazem parte da origem da maioria das patologias mentais mais frequentes, como a ansiedade e a depressão. 
Com o passar dos anos e com maior acesso ao conhecimento, a forma encontrada para lidar com as problemáticas psicológicas foi, ironicamente, dando um lugar mais significativo à sua ocultação e encobrimento. Os sintomas vão-se camuflando e mascarando, com recurso cada vez maior à medicação, ao álcool, ao trabalho em excesso ou a outros equivalentes com a função de evitar o confronto e assim anestesiar o mal-estar sentido frequentemente, indo em sentido contrário do tratamento da raiz dos problemas. O sofrimento permanece e torna-se ainda mais ensurdecedor!

"Portugal é o segundo país com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa."


Ultimamente, temos lido e falado muito mais sobre psicoterapia e a sua validade tem sido solidificada no tratamento de todas as patologias do foro psicológico e psiquiátrico.
Para os psicoterapeutas nem sempre é fácil descrever e explicar de forma simples todos os factores envolvidos no sucesso e eficácia da psicoterapia. Até porque, é um processo prolongado e progressivo.

Há uma analogia curiosa que às vezes me ocorre quando penso na intervenção psicoterapêutica e que me conduz à era digital e tecnológica que vivemos hoje.
No mundo da informática, um dos conceitos base é ditado pelo Código-Fonte. Esta concepção determina o conjunto de palavras ou símbolos escritos com lógica e ordenação, que pretendem dar instruções em vários tipos de linguagem de programação. Existem vários tipos de linguagem, com diferentes padronizações e estas podem ser compiladas e originar um ou vários softwares específicos. 
Que complexidade! 
Quando utilizamos incessantemente tecnologias digitais, seja em casa, no trabalho ou nas compras online, não imaginamos a multiplicidade de factores envolvidos na criação daquele sistema. 
Também assim é a compreensão do funcionamento psicológico de cada um e a respetiva intervenção psicoterapêutica. Decifrar, compreender e conhecer o “código-fonte interno” é um dos pilares do processo. Por vezes é o ponto de partida e logo aí, começam a surgir os primeiros resultados positivos.


Na terapia, os problemas psicológicos são entendidos como consequência de experiências ocorridas que moldam a forma como nos relacionamos com os outros e connosco próprios.  Aqui, com um olhar muito atento e um novo modelo de compreensão individual, a intervenção psicoterapêutica conduz à saúde mental e ao bem-estar. Depois, pode dizer-se que se parte para a criação de uma nova linguagem de programação interna (que se descodificou e voltou a codificar), que resulta numa diferente capacidade de integração psíquica, maior adaptação ao próprio mundo interno e aos outros. Assim, vão-se constituindo alicerces fundamentais para a autonomia emocional que vai substituindo o sofrimento enraizado, dando lugar a novos e saudáveis recursos psicológicos. 

Ter saúde mental e experienciar um bem-estar geral é conseguir olhar, escutar e lidar com as tensões normais da vida sem medo, é dormir e comer naturalmente sem privação ou excesso, é sentir-se bem fisicamente e sem cansaço persistente, é poder trabalhar de forma produtiva, é ter capacidade para pensar colectiva e individualmente, é realizar actividades com entusiasmo e para as quais temos habilidade, é sentir e aproveitar a vida, interagindo saudavelmente com os outros e com o mundo.







quinta-feira, 18 de junho de 2020

O Humor e a Pandemia...



                           
A pandemia que estamos viver, está a afetar-nos a todos, sem distinção de idades, profissões, raças ou qualquer tipo de hierarquia social. De um dia para o outro, toda a vida que sentíamos ser a nossa e julgávamos ter sob o nosso controlo, as rotinas e hábitos, as relações com os outros, são-nos tirados. De forma abrupta, percebemos ser necessário mudar o nosso comportamento de forma a podermos adaptar-nos, o mais rapidamente possível, a uma nova forma de estar no mundo. A bem da nossa saúde mental e física.
Após nos ter sido sugerido, para nosso próprio bem, ficarmos em casa, experienciámos um chorrilho constante de mensagens, através dos nossos telemóveis. Um envio furioso e compulsivo. Questionei o porque de todo este envio desmedido? Aparentemente, o vírus transformou o mundo numa fábrica gigante de mensagens com os mais variados conteúdos.
Contudo, algo me começou a inquietar. Tudo servia para fazer piada. As piadas intensificaram-se com todo o tipo de conteúdos, do mais adequado, ao que não fazia qualquer sentido e não tinha assim tanta piada. Parece que estávamos todos a querer transformar o “mau” em “bom”. Todos estávamos a sentir uma forte necessidade de agir, fazermos qualquer coisa. A este propósito, numa conversa com um amigo, ele disse-me: “é assim que o afastamos, com uma boa piada!” É assim que afastamos o quê?
Passada esta azáfama, este “Boom messaging” dos primeiros dias de confinamento, as coisas foram abrandando, já não havia tantas piadas novas e as que existiam “já tínhamos visto”, a novidade de outrora, perdeu-se. E também se perdeu parte da alegria e do entusiasmo. Vamos, gradualmente, confrontando-nos com a realidade que estamos a viver e tudo aquilo que se modificou. Estamos isolados uns dos outros. Passamos a estar mais em contacto com a nossa realidade interior. Questionamos o que é que estamos a sentir.
A alegria é o oposto da tristeza. Fazer piadas torna-nos mais alegres? Mais ou menos. Talvez estejamos a usar essas piadas para tentarmos não ficar tristes. Mas, como assim, tristes?
É normal estarmos tristes. Todos estamos a perder. De um só golpe fomos separados das nossas vidas normais e da convivência com os mais próximos, familiares e amigos. Pense nas coisas mais simples como beijar, abraçar ou tocar. Ou fazer um passeio em família. Na realidade, é uma lista bem grande de coisas que fazíamos e deixámos de fazer. Fomos privados de tudo isso. Por isso é natural estarmos tristes. Quando perdemos coisas que são importantes para nós, lamentamos. A tristeza faz parte do luto. O luto é um processo natural, ajuda-nos e cura-nos. E faz parte da nossa experiência de vida enquanto seres humanos.
Então, quando o humor deixa de servir como “vacina” eficaz para lidarmos com os nossos sentimentos, quando a última piada já não tem piada alguma, aquilo que realmente sentimos é um pouco de tristeza. Não tenha medo de se sentir triste. Pense nas relações mais significativas que tem, procure falar com essas pessoas, partilhar o que sente e o que vai experienciando neste período de maior isolamento. E se precisar, solicite a ajuda de um psicólogo clínico ou psicoterapeuta.