quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Homem o suficiente ou o medo de não o ser...




O Luís conta-me que não se sente muito atraído por homens com características mais femininas – e aqui ele refere-se à forma de vestir, maneirismos, preferências. Contudo, acrescenta, também não se sente atraído por homens “Bear” ou “Urso” os quais para ele estão associados a  uma masculinidade demasiado “gráfica” e que ambos pensamos, talvez sirva para mascarar qualquer aspecto ligado ao feminino que pudesse aparecer. O Luís concorda com esta ideia e acrescenta que é muito difícil para os homens com uma orientação homossexual – em específico – exporem aspectos que tradicionalmente possam estar mais associados à feminilidade como a vulnerabilidade, necessidade de protecção, alegria, sem o perigo de se tornarem demasiado femininos. Conta-me que com a população masculina de orientação heterossexual é diferente, dando-me o exemplo de um amigo em comum, heterossexual e dizendo: “ por exemplo, o Manuel, usa o que quer e nunca deixa de ser masculino. Se fosse eu, ia parecer uma bicha”.

Neste caso, o Luís refere-se sobretudo à forma de vestir do Manuel e à expressão da sua sensibilidade através dos gostos e opiniões que manifesta, no geral. De certa forma, o Manuel é mais capaz de se expor, do que o Luís. Contudo, o que o Luís não sabe é que o Manuel desabafou comigo sobre sentir tantas vezes ser difícil definir, enquanto homem, os limites entre o feminino e o masculino, sentindo muitas vezes não corresponder ao estereótipo do masculino. Foi o Manuel que me disse que o preconceito de não se ser homem o suficiente, põe em causa a masculinidade.

O resumo dos diálogos que tive com ambos os  amigos, em alturas separadas, pretende apenas funcionar como ponto de partida para a reflexão em torno de algumas questões ligadas à construção das masculinidades e do feminino que nelas se inscreve. Não se trata portanto, de material clínico, apesar de levantar questões comuns às de muitos jovens adultos que vou ouvindo, em contexto de gabinete.

Segundo Benjamin (1988), psicanalista americana, nas sociedades ocidentais, as imagens culturais subjacentes à masculinidade geralmente continuam a significar ser-se racional, protector, agressivo e dominador, enquanto as imagens subjacentes à feminilidade costumam significar ser-se emocional, receptiva, afectiva, cuidadora e submissa. Estas imagens parecem obedecer a uma ordem social ligada à força binária, assente numa reprodução da complementaridade de géneros masculino e feminino enquanto constructos distintos e opostos.

Penso na afirmação de Stoller (1985), psiquiatra americano,  The first order of business in being a man is don`t be a woman” e automaticamente também na angústia do Luís e do Manuel quando me falam da dificuldade em exporem aspectos que tradicionalmente possam estar mais ligados ao feminino sem o perigo de se tornarem mulheres.

Independentemente da orientação sexual, é relativamente comum para os meninos, rapazes, adultos serem chamados, com mais ou menos frequência, de “maricas”, “bicha”, “paneleiro”. Sob este ponto de vista, o feminino é encarado como um sintoma negativo (Corbett, 1996), contido em cada uma destas injúrias narcísicas.

Ducat (2004) cria o termo “femiphobia” para assinalar o repúdio do homem pelo seu self feminino. O preconceito interno e externo do masculino em relação ao feminino instala-se, comprometendo o saudável desenvolvimento do sujeito através de uma organização fálica defensiva, negando aspectos ligados à capacidade procreativa e possibilidades de afecto e criação de um homem (Fast, 1984).

Tal como Luís,  o Manuel afirma sentir-se ambivalente em relação à definição dos limites entre o feminino e o masculino. A dificuldade do Manuel poderá talvez ser validada por Corbett (2009) que afirma que todos os géneros têm falta de coerência e são atormentados pela ansiedade. Grayson Perry (2016), um artista plástico inglês, escreve, meio a brincar meio a sério,  que existe um Departamento da Masculinidade que se encarrega de enviar os seus funcionários na recolha de informações acerca do que é ser masculino numa variedade de fontes -  pais, professores, televisão, livros, filmes. Os funcionários instalam-se dentro da cabeça de cada homem e enviam instruções através de uma voz interna inconsciente que serve como intercomunicador. Estes funcionários têm como tarefa patrulhar os limites do género e assegurar que todos os membros da cultura masculina respeitam e agem em conformidade (Buchbinder, 2013).  Os que não o fazem podem sentir-se como o Manuel – a não corresponder ao estereótipo do masculino.

As questões ligadas à identidade de género e, neste caso mais concreto, à masculinidade, são transversais a todas as Pessoas, quer sejam homens, mulheres, transexuais, intersexuais, homossexuais, heterossexuais ou assexuais. Podem ser pensados e debatidos em muitos lugares,  mas com certeza de forma aprofundada durante um processo psicoterapêutico, se tal se justificar.






quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A delicada arte de amar...



O amor é delicado. Envolve respeito, atenção, cuidado, escuta, relação.


Em véspera do dia dos namorados, nada mais presente à nossa volta do que imagens e anúncios alusivos ao amor. Contudo, amor e enamoramento revestem-se não só de imagens e palavras, mas sobretudo do sentir e do estar (dentro de nós, dentro do outro).
A procura de um outro, seja numa relação de amor romântico ou de um outro tipo, faz parte da natureza humana. Ainda antes do nascimento, na relação diádica entre mãe e bebé, a dependência face ao outro, é rampa de lançamento para o vínculo afetivo.
Amar é, situar-se num lugar um pouco estranho, de alguma vulnerabilidade até, permitindo-se estar “ao cuidado de alguém”, ou melhor dizendo em comunhão com alguém, criando-se um espaço de intimidade (psíquica).

Sabemos hoje que as relações amorosas adultas são o palco das experiências relacionais da infância (Rusczynski, 2006). No entanto, os atores nelas envolvidos (o casal romântico), tem a possibilidade de criar na relação algo de novo, que seja complementar para cada um. Deste modo, e como refere Freud (1910) “É absolutamente normal e inevitável que a criança faça dos pais o objeto de primeira escolha amorosa. Porém, a líbido não permanece fixa neste primeiro objeto: posteriormente apenas o tomará como modelo, passando dele para outras pessoas estranhas (…).”. Falamos então de amor adulto quando se está perante uma relação madura, promotora de mudança (no self) e que simultaneamente responda às exigências atuais do amor adulto (Mesquita, 2010), onde se pode estabelecer uma relação complementar e não apenas para se sentir completo - estar com o outro para criar. No fundo somos todos seres desejantes de amor, como nos fala Coimbra de Matos (2004): “Quem procura o amor sempre o encontra, não fôramos todos seres disso desejantes. Desde que, à cabeça sejamos amadores; que o amor não se compra, nem se agradece, mas retribui-se. Quem ama sempre acabará por ser amado – desde que não desespere ou converta a falta e frustração em ódio e raiva.”

Importa então assinalar que o amor (amar alguém) inclui desejos e fantasias inconscientes associadas à infância, o que faz também deste sentimento algo único e idiossincrático, pois depende sempre do que cada pessoa “necessita”, e naturalmente procura no outro.
Amar é, confiar no outro, sendo que este sentir é aperfeiçoado quanto mais seguros na relação nos é permitido estar. É para isso novamente importante referir a noção de amor infantil. O lugar do amor do outro dentro de nós, ou seja, é essencial que ao longo do desenvolvimento do sujeito se crie uma constância (interna) do amor que outro (mãe, cuidador/a) tem em relação ao bebé/criança. Por outras palavras, numa fase inicial do nosso desenvolvimento é fundamental que aquele que cuida possa ter um comportamento previsível e dedicado, para que a segurança se instale. Progressivamente, este estado de segurança interna possibilita que o outro possa existir, mesmo quando ausente, o que leva a que, por exemplo, mãe e bebé se possam separar sem que este fique angustiado.

Nas relações amorosas adultas acontece algo semelhante. Numa fase inicial, a que podemos chamar de enamoramento/sedução, há que criar um espaço seguro, de intimidade, onde dois sujeitos (a díade) se conhecem e criam uma linguagem própria. Portanto a dança acontece, o movimento dos corpos (comunicação) é sintonizado, e o compasso e ritmo vão sendo pautados pela música que cada um traz para a relação.
Bom, retomando a premissa inicial, repito – o amor é delicado, e, fazendo minhas as palavras de Isabel Mesquita (2010), “Hoje digo que se eu escrever, um dia, um livro sobre o amor, terá 100 páginas, 99 das quais em branco e na última apenas escreverei: a grande vantagem do Amor é que pouco se sabe falar sobre ele e, como tal, andamos sempre dele à procura!”.






quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

E agora em Braga...






Alguém lembrou que faltava o relógio para a sala de atendimento e, alguém respondeu:
    - Não precisamos… temos os sinos da SÉ de BRAGA!

“Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma”


E aqui estamos nós, conquistando o Norte, tocando os sinos a rebate, não em toque de ataque avisando a chegada do inimigo mas, em toque de recolher, convidando-o/a a um recolhimento interno, num espaço de transformação, contenção e suporte, permitindo-se, tal como o sino, ser afinado por um especialista que o vai limando, retirando e trabalhando material até que ele se adeqúe ao seu propósito… afinal de contas, não basta derramar metal num molde para fazer um sino…

É com imenso orgulho e satisfação que lhe apresentamos o novo espaço d’ O Canto da Psicologia no norte do País, em BRAGA, Cidade dos Arcebispos, das mais antigas e bonitas de Portugal , reconhecida em 2017 como “Destino Europeu de Património” ….

À sua espera, tal como em todos os outros espaços, tem uma Equipa de Excelência ( já pode visitar o nosso site e conhecer a Equipa - www.canto-psicologia.com ) , um espaço de qualidade, muro com muro com a Sé de Braga no centro histórico, a um preço pensado e ao alcance de todos - 35€/sessão - ...
À distância de um clique, conte connosco... e já sabe, na dúvida, escolha-nos!!!











terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Exercício físico e gravidez...






Os hábitos de vida que temos no presente, têm em grande medida, repercussão a médio e longo prazo na nossa qualidade de vida. Sabe-se que, por exemplo, a atividade física regular em gestantes, pode influenciar de forma positiva o embrião e após isso o desenvolvimento futuro da criança.

Neste âmbito, um estudo longitudinal na Dinamarca, feito com mais de 4.000 grávidas, tentou perceber de que forma a atividade física, afetava a inteligência ou a falta desta nas crianças.

Os testes foram elaborados, quando os filhos já tinham entre 17 e 20 anos e tentou-se perceber, se a atividade física na gestação tinha influência, na idade adulta dos filhos. Curiosamente ou não, os resultados foram bem contundentes. Mulheres com atividade física moderada a vigorosa antes e durante a gravidez, reduziram o risco de um QI baixo nos filhos, entre os 38 a 50%, ou seja, 9 meses de algumas decisões, irão influenciar futuramente uma vida inteira.

Só em raras exceções e/ou por aconselhamento médico, a atividade física não deverá ser feita durante a gravidez.




Hugo Silva


Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Relação fraterna.. da rivalidade à cooperação...






Só mais recentemente é que a relação fraterna tem sido alvo de estudo, até aqui o foco foi sempre a relação dos pais com os filhos. Mas de facto, os estudos comprovam que a relação entre irmãos tem um grande impacto no desenvolvimento emocional e social enquanto adultos.

Existem vários fatores que influenciam e determinam a relação entre irmãos, desde a mais tenra idade. Um dos fatores está relacionado com as expectativas que a família tem acerca das características, competências e possibilidades de cada uma das crianças. Estas expectativas são determinantes na organização da fratria, na relação de poder entre irmãos, na função e papel de cada um.
Outro fator é a dinâmica familiar e modelo de relacionamento parental, que tende a ser reproduzido na relação entre irmãos.

A relação entre irmãos nunca é inteiramente fácil e isenta de conflitos. É uma relação ambivalente, de amor-ódio, mas que não é negativa no sentido que permite que as crianças não se sintam sozinhas e que aprendam a partilhar brinquedos, situações e emoções. A vida na fratria permite experenciar a socialização, influencia o ajustamento psicossocial como preparação para as futuras relações amorosas e com os pares.
Ter um irmão é um desafio para a criança. Força-a a lidar com situações e emoções que ajudam a desenvolver competências de resol
ução de problemas, negociação, autocontrolo, partilha e tolerância à frustração.

O que gera competição entre os irmãos é a necessidade de atenção dos pais. Os irmãos não se escolhem, podem ter personalidades diferentes mas têm a difícil tarefa de partilharem as duas pessoas que mais querem para si: os pais. Neste sentido, a rivalidade é uma situação natural.
É aqui que o papel dos pais é fundamental. O funcionamento saudável da família também depende do fortalecimento da relação fraterna. Os pais devem fomentar a qualidade do vinculo entre irmãos, incentivando o envolvimento, o respeito mútuo, a cooperação e a gestão de conflitos.

O que se pode fazer para diminuir a rivalidade?
- promover momentos de convívio que reforcem a união fraterna (por exemplo, jogos em que os irmãos pertençam à mesma equipa);

- valorizar as diferenças entre os irmãos, para que as crianças se sintam bem com as suas características e também elas aceitem as diferenças dos demais;

- nunca fazer comparações entre irmãos porque cada um tem a sua personalidade e as suas capacidades;

- quando surge um conflito, permitir que sejam eles a resolver. Se tiver de intervir, é importante a imparcialidade, sem procurar o culpado, incentivar a que expressem o que sentem relativamente à situação de conflito e que cheguem a estratégias de resolução;

- privilegiar os momentos em que existe interação positiva, elogiando a capacidade de partilharem brincadeiras.

Para que a rivalidade natural não se torne patológica, estes momentos de interações positivas, os momentos em que consigam partilhar brincadeiras de forma amistosa, são fundamentais. Qualquer filho quer ser o mais amado pelos pais. Quanto menos afeto percepcionarem por parte dos pais, mais rivalidade existirá entre irmãos.

A patologia surge quando se manifesta uma agressividade excessiva, a par de uma postura desafiante e de oposição. Quando o ciúme é excessivo, pode ser necessária a intervenção de um Psicólogo, assim como em situações em que os pais sintam que a rivalidade entre os seus filhos está a tomar proporções preocupantes.






quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Manifestações sintomatológicas no luto adaptativo...






A desertificação de sentido pela qual passamos pela perda daqueles que amamos será sempre o nosso maior desafio vivencial.
Perante a morte de alguém significativo, são naturalmente desencadeadas respostas orgânicas intensas que, apesar de fracassarem como esforço da restauração da vinculação, se conjugam no sentido do processamento difícil desta nova realidade e da sintomatologia associada, para posterior restauração identitária (Payás, 2010). Os dois primeiros anos costumam ser os mais difíceis, remetendo, gradualmente, o sujeito para uma reorganização da sua funcionalidade e reposicionamento existencial.
A vivência do luto é multidimensional, afeta tanto o nosso corpo como as nossas emoções, relações, pensamentos, comportamentos e o nosso registo de valores e crenças (i.e., resposta bio-psico-socio-espiritual). As estratégias utilizadas para regular o impacto da experiência emocional incluem, portanto, mecanismos somáticos, cognitivos, emocionais e comportamentais. Estes mecanismos reguladores podem categorizar-se em mecanismos de conexão ou desconexão da dor vivenciada – processo oscilatório natural entre respostas de intrusão e reações de evitamento no difícil processamento da informação traumática e posterior restabelecimento transformativo (Payás, 2010).
De forma genérica, as respostas sintomáticas mais comuns são (Payás, 2010; Worden, 2013):

·         Sintomas físicos: fadiga, aperto na garganta, pressão no peito, palpitações, tremores, sensibilidade ao ruído, dores musculares e articulares, cefaleias, dor mandibular, boca seca, dificuldade em respirar, problemas gastrointestinais, náuseas, hiperatividade e agitação, entre outros.

·         Sintomas emocionais/afetivos: saudade, tristeza, desespero, solidão, falta de esperança, desânimo, frustração, culpa, ansiedade, confusão, raiva, medo, zanga, irritabilidade, desejo de vingança, alívio (doenças longas e dolorosas).

·         Sintomas comportamentais: chorar, agitação, alterações do sono e apetite, perda de interesse, evitar ou visitar lugares que façam recordar o(a) cônjuge, dificuldade em estar sozinho, isolamento, procurar e chamar pelo(a) cônjuge, sonhar com o(a) cônjuge, consumo/abuso de substâncias, ocupação excessiva, entre outros.
·     Sintomas cognitivos: confusão, dificuldades de concentração e na tomada de decisões, esquecimento, incredulidade, preocupação, pensamentos intrusivos do(a) cônjuge (a morrer/sofrer), ruminações, sentir a presença do(a) cônjuge, etc.

·       Manifestações sociais: isolamento, dificuldades nas relações interpessoais, etc.

·   Manifestações espirituais: procura de sentido, hostilidade/zanga para com Deus/igreja/entidade religiosa, perda ou aumento da fé, etc.








terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O Exercício físico como ferramenta de combate...





Já aqui abordamos a temática do cancro e as consequências nefastas na saúde, tais como, alterações bastante negativas na capacidade física, cognitiva, composição corporal, entre outras. Sabemos também, o quão positivo a exercício físico pode ser após a fase mais agressiva da doença.

Ficamos agora a saber que, o treino intervalado de alta intensidade (HIIT), pode ser um excelente coadjuvante na recuperação dos índices físicos e corporais na recuperação. Investigadores alemães, avaliaram os efeitos do HIIT em mais de 40 pacientes que recuperavam de cancro da mama e da próstata, através de exercícios intensos (85-95% FC máxima). Observou-se após 80 sessões de treino, que mais de 90% dos pacientes terminou os protocolos, verificando-se melhoria dos parâmetros fisiológicos e psicológicos, ou seja, melhoria da capacidade cardiorrespiratória, força, composição corporal, vitalidade e auto-estima. Este tipo de treino, abre mais uma porta para o uso do exercício (devidamente parametrizado) como uma ferramenta poderosa para combater doenças graves.

Bons treinos

Hugo Silva


Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Quando qualquer tipo de relação se transforma em abuso…





Cada vez mais ouvimos falar de abuso nas relações, principalmente através da comunicação social que, diariamente, nos fornece informações sobre tragédias ocorridas com precedentes de abusos relacionais. A palavra relação remete-nos, sem que o seja consciente e também pelo que nos é transmitido por esses meios, para relações amorosas. No entanto, envolvem todo um outro leque de pessoas presentes na nossa vida, e por isso falamos também de relações familiares, de amizade, profissionais, etc… Em todas estas relações podemos encontrar exemplos de abusos, das mais diversas formas, e todos afetam negativamente o indivíduo que as  experiencia.

São estes abusos, dos quais  todos os dias vemos ou ouvimos falar, que  muitas vezes levam as pessoas a procurarem acompanhamento psicológico; são estes abusos que levam as pessoas a não conseguirem lidar e gerir internamente com determinadas situações; são estes abusos que levam  a pessoa a  duvidar de si própria, a sentir-se insegura, influenciando assim as restantes relações que ainda estão por  construir; são estes abusos que levam ao “não consigo confiar em ninguém”, “não gosto de mim”, “não sou capaz de fazer nada”, “não sirvo para nada”… são as frases mais ouvidas e de tão ouvidas tornam-se verdades inquestionáveis e limitadoras. 


Quando falamos em abuso nas relações entre casal, falamos de vários tipos de abuso. Maioritariamente não são as marcas físicas que mais marcam (que nem sempre existem), e que quem está à volta consegue observar com alguma facilidade, mas sim as marcas internas que ninguém vê, que ficam e perduram no tempo. E são essas marcas que levam a pessoa a questionar-se, a ficar envolvida em sentimentos de culpa, de incompreensão, de dúvida, de angústia… São estes sentimentos que impedem o estabelecimento de relações futuras, impedem o investimento emocional no outro e, principalmente, em si próprio.

Quando falamos em abuso no seio familiar ou das amizades podemos, igualmente, falar em distintos tipos de abuso. Contudo, este tipo de abusos levanta outras questões, questões mais profundas do eu. É-nos incutido pela sociedade, ao longo da vida, que a família faz parte do núcleo de confiança, que na família estão inseridas as pessoas em quem podemos confiar sem questionar, que são um suporte e fazem parte de um espaço contentor. Bem como nas amizades, em que esse suporte é “escolhido” ao longo da vida e que se espera que seja igualmente contentor. E, quando estes abusos surgem fazem com que se duvide do muito que foi assimilado ao longo do desenvolvimento pessoal, faz com que se duvide e que se ponha muito coisa em causa, levando-nos ao questionamento na confiança no outro ou, por outro lado, à continuidade na construção de outras relações disfuncionais, resultando na procura  incessantemente de alguém que venha preencher unicamente o vazio de quem foi, de quem saiu da relação.

Quando falamos em abuso no local trabalho, falamos de assédio moral, onde o abuso de poder, entre outros aspectos, põe em causa a competência profissional, o valor enquanto ser humano, colocando as pessoas em situações humilhantes e constrangedoras. E, inevitavelmente, é um abuso que surge quase de forma diária e constante, levando, mais uma vez, a que a pessoa duvide de si e das suas capacidades.

A maior parte das vezes este tipo de relações abusivas entra num ciclo repetitivo que, consequentemente, leva à interiorização da desvalorização de si e , inconscientemente, torna-se parte interna do indivíduo  passando a ser uma realidade difícil de evitar trazendo com ela momentos de um enorme sofrimento incontornável. 
E é, em alguns casos, quando existe a tomada de consciência de que se está a entrar neste ciclo, ou quando a angústia é sentida (de certa forma) como intolerável, que a procura de ajuda de profissionais pode surgir. A procura de um espaço contentor, um espaço no qual todas as referidas dúvidas e angústias se atenuem.

Se assim for e se  em algum momento se identificou com o que leu, lembre-se que  estamos por aqui enquanto técnicos profissionais da saúde mental que o podem ajudar a passar por estes momentos com o menos sofrimento possível.


Drª Rita Rana
O Canto da Psicologia



quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Melhor Parentalidade: “Aquilo que não gosto em ti corrijo em mim”





A propósito das reações que temos quando algo no outro, nos aflige ou nos perturba, é difícil compreender, mas por vezes, quando de forma sistemática e intensa emocionalmente, algo nos irrita, na outra pessoa, isso pode sinalizar que temos algo, em nós, que necessita de ser resolvido.

Normalmente a zanga, a irritação, a frustração fazem parte das nossas experiências e vivências emocionais quotidianas, é impossível e até seria doentio estar sempre bem, com boas emoções, não é disso que se trata, neste caso, a questão é quando alguém suscita em nós grande zanga e irritação de uma forma sistemática e frequente. Isto é uma repetição de queixas que podem estar a mascarar o que sentimos sobre nós próprios, que pode ser verdade. Todas as nossas emoções são fundamentais para o nosso equilíbrio homeostático, precisamos de nos zangar, de chorar, de rir, para que possamos sentir paz.
Contudo a forma como vemos o mundo e a realidade está intrinsecamente relacionada, com a maneira como nos vemos, a nós próprios e nos relacionamos connosco, uma vez que se não me sentir bem comigo, se passar a vida com uma auto-conversa depreciativa e crítica sobre a minha pessoa, então apenas poderei dar isso aos outros, mais crítica, julgamento e insatisfação.

Na parentalidade isto manifesta-se ainda mais, se escolho exercer uma parentalidade baseada na crítica, no julgamento e na exigência, então o mais certo é ter crianças com baixa auto estima e elas, também, vão ser adultos críticos e severos consigo e com os outros. A maior parte dos problemas de educação das crianças prendem-se com falta de estímulo, atenção e elogio direcionado à criança que ainda esta a construir a sua auto estima e a sua segurança interna. Pais insatisfeitos e pouco conscientes acabam por, automaticamente, projetar as suas próprias inseguranças nos seus filhos. Por vezes temos receio de assumir características que rejeitamos ou consideramos erradas e inaceitáveis nos outros, tal é o receio de podermos identificar, em nos próprios, esses mesmos traços. Quanto maior a rigidez identitária maior será a falta de tolerância para aceitar o que é diferente, não certo, nem errado, apenas diferente.

A forma como os pais pensam sobre os filhos e como os tratam, vai influenciar todos os relacionamentos futuros, assim como, a saúde psicológica de cada um.

Ao longo do desenvolvimento da criança organiza-se um processo mental sobre o que esperar dos comportamentos dos mais familiares, normalmente mãe, pai, denomina-se de vinculação, sentido de pertença e de segurança. As figuras centrais que estão maioritariamente com a criança, principalmente nos primeiros três anos de vida, vão criar dinâmicas relacionais que irão moldar o sentido de identidade, segurança e de amor-próprio na criança, bem como no futuro adulto. Sentimentos como sou especial, amável, tenho importância na vida dos meus familiares, a minha voz conta, sou compreendido, quando estou aflito tenho onde possa obter conforto emocional. Se algo corre mal sei que tenho palavras e ações que revelam apoio esperança e não critica, julgamento e severidade. Estas são as melhores heranças que os pais nos podem dar, a segurança do conforto emocional, do amor incondicional, que não quer nada em troca a não ser a felicidade dos seus filhos. Contudo por vezes há incapacidade de desenvolver este amor incondicional devido a falhas que foram criadas no desenvolvimento e que impossibilitam esta disponibilidade.

Assim sendo as expetativas que os pais criam, mesmo antes do nascimento do bebe, vão criar um ninho psicológico onde o mesmo se irá adaptar. A criança procura sempre se adequar às expetativas dos pais, quer sejam, positivas, negativas, conscientes, inconscientes. Por exemplo, se os pais assumirem a crença de que as crianças são difíceis e que o filho\a é difícil e tem mau feitio, o mais certo é essa criança desenvolver essas mesmas características. Quanto mais vincado, consistente e frequente for o sentimento\crença mais a criança irá assumir comportamentos semelhantes que se coadunam com o que esperam dela, isto porque, os pais são como um espelho onde o bebe\criança se pode ver refletido e, assim, construir a sua própria identidade. O que as figuras de vinculação sentem que são (essencialmente boas pessoas, imperfeitos, mas conscientes, resilientes e positivos) é o que vão transmitir tendo consciência ou não aos seus filhos, sem pensar muito no assunto. Assim sendo quando as figuras de vinculação estão bem nutridas, com uma boa auto-estima, tem auto conhecimento, consciência das suas vulnerabilidades e trabalham no sentido de promoverem a melhor parentalidade que é possível, normalmente irão desenvolver crianças mais inteligentes emocionais e mais flexíveis, no que concerne a adaptabilidade emocional e a regulação da frustração. Não se trata de perfeição, pais perfeitos, trata-se de capacidade de análise e procura de dar o nosso melhor nas relações, mesmo sabendo que vão existir falhas e momentos menos bons. Neste sentido quanto mais forem capazes de lidar com as suas próprias frustrações, conseguirem ser resilientes e otimistas, mais os filhos vão se desenvolver tendo por base estas formas de funcionamento psicológico.




terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Comece já hoje a melhorar a sua saúde...







Com a entrada de um novo ano, aparecem sempre novas resoluções. Umas das resoluções mais comuns, é a vontade de se ser fisicamente mais ativo, começar a treinar num ginásio, ter um estilo de vida mais saudável, etc.

Pois bem, se é daquelas pessoas que sente falta do exercício físico, mas que receia o ginásio por falta de motivação, medo do desconhecido, entre outros motivos, saiba que, a importância de ter um treino acompanhado irá trazer-lhe vários benefícios, com dados já comprovados:

- Mais motivação;
- Supervisão direta do treino;
- Compromisso entre aluno e professor;
- Maior adesão a médio/longo prazo à prática de exercício;
- Correção e feedback durante os exercícios;
- Melhores resultados;
- Maiores ganhos de força;
Comece já hoje a melhorar a sua saúde.

Bons treinos



Hugo Silva


Instagram: hugo_silva_coach
-Licenciatura Educação Física/Especialização Treino Personalizado
-Pós-Graduação em Marketing do Fitness 
-Pós-Graduando em Strength and Conditioning
-Director Técnico ginásio Lisboa Racket Centre