sábado, 6 de junho de 2015

Agressividade, Bullying e Vitimologia


Era a intuição de Santo Agostinho de que as palavras são 'etiquetas' que servem para nomear e representar coisas no mundo por via da linguagem. As ideias de Santo Agostinho estão longe de se aproximar das noções mais contemporâneas sobre a linguagem, mas inauguram uma discussão muito interessante sobre o estatuto da 'palavra'. Uma das concepções que julgo ser extremamente interessante, no seio da psicologia e da filosofia, é de que não existem depressões em tribos ou culturas onde não existe a palavra 'depressão'. É como se, sem código linguístico, as experiências e coisas do mundo, não existissem.
Foi isso a que todos assistimos com o aparecimento do termo Bullying. Ele sempre existiu, e as pessoas que aqui se encontram acima dos 45 anos sabem-no muito bem (o termo Bullying só surge nos anos 70 com as investigações do psicólogo sueco Dan Olweus).
Na alçada dos eventos recentes relativos ao Bullying, gerou-se uma onda de indignação nas redes sociais e na imprensa. Na nossa opinião, contudo, pouco se aprofundou acerca do tema. Uma boa parte das reacções iam ao encontro do aforismo 'olho por olho, dente por dente', os mais conservadores não se coibiram de tecer considerações parecidas com 'miúdas a bater num rapaz!? Se fosse meu filho chegava a casa e levava mais'. No outro extremo surgiu a opinião de um psiquiatra que afirmava que os agressores também estavam em sofrimento. Esta última afirmação, não há dúvida que suscitou muita polémica. Pareceu inconcebível à maior parte das pessoas a possibilidade de empatizar com o agressor.
A afirmação deste médico psiquiatra pode ter sido controversa, e por isso mesmo somos obrigados a reflectir sobre ela.
O que é que faz com que alguém seja agressivo? O que é que faz com que alguém desenvolva este verdadeiro sadismo moral?
Transformemos pois a afirmação deste psiquiatra numa lógica aristotélica de tipo dedutivo:
Todos os agressores sofrem
As crianças do vídeo são agressores
Logo as crianças do vídeo sofrem
Muitos contestariam desde logo com a primeira premissa pela impossibilidade de identificação ao agressor. Neste sentido, retomemos pois à questão: porque agredimos?
Habitualmente agredimos quando nos sentimos ameaçados ou quando o nosso desejo é frustrado. O facto das ameaças poderem pertencer à ordem do real ou da fantasia aumenta exponencialmente as nossas possibilidades de análise. E, de forma semelhante, a natureza dos desejos que um ser humano possa sentir é igualmente abrangente, pelo que, o nosso universo analítico torna-se praticamente infinito.
Nesta análise encontramos implícitas algumas das funções da agressividade, a saber: proteger, adquirir e castigar.
A agressividade, como os vectores, também tem uma direcção, ela pode ser dirigida para o exterior (para alguém ou alguma coisa) ou por retornar para o interior (para o corpo), habitualmente sob a forma de culpa, comportamentos de risco, auto-mutilações e até, veja-se bem, hipocondria.
Uma das dinâmicas chave da agressividade está ligada à sua possibilidade de transformação/modificação das representações mentais que temos de nós próprios e dos outros. Imaginemos o seguinte cenário (com a consciência de que não se trata de uma condição universal): os pais de uma criança são agressivos e, através da sua força e da potência, conseguem o que desejam dentro da constelação familiar. Podemos imaginar que esta criança vê frustados os seus desejos, podemos supor que estes pais causam angústia e sofrimento e que têm um impacto negativo na construção da auto-estima da criança. Uma possibilidade defensiva desta criança hipotética seria a de mobilizar a sua agressividade como forma de transformar a dinâmica das representações vítima-agressor. Nas relações com os pais e adultos, mas muito mais facilmente com os pares e ainda mais facilmente com crianças que considere mais vulneráveis, ela poderá encarnar o papel de agressor e colocar o outro no lugar de vítima. Assim fechasse a ciclo de modificação das representações mentais, a criança já não é mais a vitima-fraco e passa a ser o agressor-forte. Se esta dinâmica estiver ao serviço das defesas da criança, o trabalho terapêutico é facilitado, mas se esta agressividade está ao serviço da obtenção de prazer e se é encarada como instrumento omnipotente para obter o que se deseja, estes traços irão constituir-se como obstáculo à terapêutica. Como dizia um psicanalista argentino: 'a verdade jamais poderá tomar o lugar do prazer'.
De forma não premeditada acabámos por introduzir o que se passa com a vítima, quando afirmámos que o agressor vai preferir pessoas que tenham características mais frágeis e que, aos seus olhos, são fracos.
Muitas vezes o agressor pode ganhar um maior sentido de potência se se inscrever num grupo de indivíduos que nutrem a mesma cultura agressiva com a qual todos se identificam. E assim, que passa a ser objecto de identificação é a idealização da agressividade como instrumento omnipotente para a obtenção do que se pretende.
A ideia de que existem traços da personalidade de uma vítima que a empurram e mantêm em situações de violência é controversa. Pensar a vítima como masoquista equivaleria e assumir esta interpretação como mais um ataque à vítima. Mas a realidade é que a natureza desconhece a moralidade, e como tal, devemos olhar, sem preconceitos para o que ela nos demonstra todos os dias.
Não queremos cair aqui nas falácias típicas da lógica indutiva ao tornarmos universal uma verdade que apenas é encontrada em alguns casos. Nem toda a vítima é masoquista. Mas a realidade é que a investigação nos demonstra a existência de um conjunto abrangente de traços da personalidade que se encontram associados à emergência de situações de bullying.
Apesar do sofrimento não ser manifesto no agressor não podemos cair na tentação ingénua de negar a sua dor. Apesar do sofrimento ser manifesto na vítima (depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, insónia, enurese, baixo rendimento escolar…) não podemos negar a existência de traços da personalidade que a empurram para a posição de vítima.
Estas são apenas algumas das vicissitudes das moções agressivas que se encontram nas relações de Bullying na criança e, é importante não esquecer, nos adultos. Apesar da complexidade do tema, que vai muito além do que aqui escrevemos, de uma coisa não nos podemos esquecer, existe sofrimento, desespero e agressividade em ambos vítima e agressor. Neste sentido, é urgente sensibilizar e informar o público sobre a importância das intervenções psicoterapêuticas com ambos. Se transpusermos e desvirtuarmos o dito de Michel Foucault a propósito da linguagem, aqui para o nosso projecto de sensibilização, ‘se os textos sobre bullying fossem tão ricos como as intervenções psicoterapêuticas, eles seriam o seu duplo mudo e inútil’. Por isso se o seu filho é o terror da escola ou se o seu filho é vítima de bullying procure apoio especializado.
Dr. Fábio Veríssimo Mateus

sexta-feira, 22 de maio de 2015

“Diário de Uma Adolescente (quase) Rebelde e de uma Mãe que GMT*


(* Gosto Muito de Ti)



15.05.2015

Querido Diário:
A minha mãe leu-te... não acredito, como foi capaz! Ela não tinha esse direito. Sinto como se ela me tivesse batido tanto que nem consigo pensar, que raiva! Disse que anda à procura de provas. Mas provas do quê? Ai, que ódio! Ela leva-me ao limite, gritamos tanto uma com a outra que acho que não tenho mais voz. Porque é que ela faz isto? Porque me quer controlar? Porque não me deixa ter a minha vida? Ainda por cima descobriu do Rodrigo... agora ainda vai andar mais em cima. Só me apetece chorar e chorar e chorar e que ela oiça para perceber o que me faz sentir. Será que ela mexeu no meu telemóvel? Ela não tem a passe... Ela não entende que eu já não preciso dela! Dói tanto...

Maria

Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Querido Diário:
Estou exausta. Se pudesse ia um mês para as Caraíbas e não fazia nada. A Maria leva-me ao limite. Discutimos, outra vez  e até me insultou... sinto-me a perder o controlo com ela! Eu sei que não devia mexer nas coisas dela mas estou tão preocupada, ela anda sempre triste ou mal-disposta e nunca quer comer! Fiquei aliviada porque não vi nada sobre drogas, confesso que tinha medo. Mas não gostei da ideia de haver um rapaz, ela ainda é tão pequenina! E a escola? Como fica? Sinto-me impotente... dói tanto!
Mãe da Maria

16.05.2015

Querido Diário:
Hoje é a festa da Patrícia! Eles têm que me deixar ir. Se não deixarem vou fugir, já decidi. Vai lá estar o Rodrigo e eu não posso não ir. A Teresa mandou-me uma mensagem a dizer que o viu no shopping e que ele estava sozinho. Ontem na aula de Francês ele adormeceu... fica tão giro! Depois a Teresa mandou-me outra mensagem a dizer que ele estava com aquelas calças verdes e eu fiquei “Ai!”. A mãe esteve cá de manhã, eu fingi que dormia. Não me apetece sequer olhar para ela... mas tive pena, tenho saudades dela, às vezes.
Maria

Sábado, 16 de Maio de 2015

Querido Diário:
Ponho-a de castigo? Não sei mesmo o que fazer... ainda por cima o Zé não está cá. Sinto-me confusa. Falei com ele por telefone e ele acha que não devo deixá-la ir à festa mas foi o que eu lhe disse “Pois, e tás cá tu para a aturar depois!”. Eu sei, fui parva mas eu gostava que as coisas com a Maria fossem diferentes, como dantes quando ela vinha sempre ao pé de mim e me requisitava para quase tudo... “Mamã, mamã ajudas-me?”, que saudades. 
Mãe da Maria




17.05.2015

Querido Diário:
Estou farta disto, não sei se aguento mais. A minha mãe não me deixou ir à festa, disse que a forma como a tratei não foi justa e é justo para mim? Ela não se consegue pôr nunca no meu lugar, será que ela não percebe que era tão importante para mim? Também não tive coragem de fugir, bem que tentei mas faltou qualquer coisa. O quê? Não sei bem, acho que não sou capaz de os desiludir... Ouvi a mãe a chorar, senti-me estranha mas não fui lá. Porquê que ela chora? Se calhar sente falta do meu pai, eu também! Se ele tivesse cá nós éramos uma família e não esta família à distância. Gosto mais quando somos três!
Maria

Domingo, 17 de Maio 2015

Querido Diário:

Não dormi. A Maria disse-me coisas horríveis ontem e eu sei que ela estava zangada e leio livros e dizem que faz parte mas não dormi. Foi muito difícil para mim não a deixar ir, eu sabia que era importante para ela e estive quase a desistir mas não fui capaz de voltar atrás... não tive coragem, sei lá! Mandei mensagem ao Zé mas ele não me respondeu... aquilo em Angola também não está a ser fácil. O Zé faz-me falta, a Maria e ele têm uma cumplicidade que eu não consigo. Ainda pensei, durante a noite em ir para a cama dela e aninhar-me a ela mas achei que ia ser imediatamente expulsa. Que vontade dos seus abraços. Maria, onde foi que nos perdemos uma da outra? Olho para a fotografia na secretária, nós os três, gosto mais quando somos os três!
Mãe da Maria”




Lúcia Paço
Psicóloga e Terapeuta Familiar

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Tendência à repetição

 
 
Um dos princípios do nosso aparelho psíquico assenta na tendência à repetição. Com efeito, tudo na vida mental tende a percorrer um caminho já trilhado anteriormente, evitando, assim, os caminhos novos que impõem uma resistência maior.

Esta dita "compulsão à repetição" leva-nos a confrontar com padrões que se vão perpetuando ao longo das relações amorosas, sociais, familiares, sem que, muitas ve...zes, se tenha a verdadeira compreensão desta tendência inconsciente. Frequentemente, estes aspectos são colocados no outro (no parceiro, no colega, no amigo), embora tenham um mesmo denominador comum: a pessoa a quem tais circunstâncias ocorrem.

A Psicoterapia funciona, neste âmbito, como um meio de romper com os modelos previamente instalados, desempoeirando as teias e permitindo novos trilhos, recriando a forma de sentir e de se relacionar.

Dr.ª Joana Alves Ferreira

sábado, 31 de janeiro de 2015

Sobre a Mudança Psíquica



A necessidade de auto-conhecimento remonta aos primórdios da espécie, tendo sido a sua evolução acompanhada por este crescendo de desejo de saber sobre si e sobre o outro.
A psicoterapia representa, neste contexto, uma viagem que se faz ao interior de nós mesmos, proporcionando uma vivência dramatizada no "aqui e agora" das experiências emocionais passadas e, assim, capaz de aprofundar o autoconhecimento e proporcionar mudanças e transformações no mundo interno/externo.
Na verdade, o paciente adulto inicia uma psicoterapia com os seus padrões, incertezas, angústias, nem sempre tendo claro o motivo da sua procura. Investe, porém, nesta nova relação com a expectativa de que, com o auxílio do terapeuta, possa vir a sentir-se melhor. A condição última do psicoterapeuta é, portanto, desenvolver uma escuta capaz de captar o que não é dito, ouvir as palavras, mas também o silêncio do paciente - ouvir o que o outro sente e pensa, para lá do que acede ao seu consciente.
A mudança psíquica não se constitui, assim, num estado final obtido apenas ao término do tratamento. Cada nova aquisição ocorrida dentro do setting, abre um novo universo, "por mares nunca dantes navegados" e em constante movimento, na direcção de um estado infindável de transformação mental, num contínuo vir a ser.
Mas esta mudança só poderá ser possível, como nos diz Freud, quando "a dor de não estar a viver for maior que o medo da própria mudança". Este é o motor essencial para repensar caminhos e direcções, no mapa cartográfico do que é, todos nós, sermos pessoas.
O Canto da Psicologia,
Dr.ª Joana Alves Ferreira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mulheres que Amam Demais

Grupo Terapêutico “Mulheres que Amam Demais”?
Iniciamos duas novas edições no início de Fevereiro!


Com a realização das oito sessões de terapia de grupo previstas, desafiamos cada mulher a iniciar esta viagem que tem como destino: “Amo-me”! Pretendemos, com esta frequência semanal, conseguir potenciar em cada uma das mulheres autonomia, amor próprio e segurança, ao promover competências pessoais e emocionais capazes de proporcionar uma aprendizagem ao nível de relacionamentos saudáveis, primeiro consigo própria e depois, naturalmente, com os outros. Para isso, propomo-nos trabalhar questões do foro emocional, nomeadamente a impotência, a raiva, a negação, a aceitação, a assertividade, o medo, a confiança, a segurança, a auto-estima e a liberdade, tendo sempre presente a questão: “O que é isto de Amar demais?”

* €15/sessão ou €110/conjunto de 8 sessões (frequência semanal) *
Grupo inicia a 03 de Fevereiro de 2014 na Margem Sul, em Alcochete (3ª feira 20:30--22:00) e a 04 de Fevereiro em Lisboa (4ª feira 20:30--22h00).

Mais informações e inscrições para info@canto-psicologia.com







sábado, 6 de dezembro de 2014

Sobre os Medos das Crianças




O medo é uma emoção básica e universal, que acompanha e decalca o ser humano desde os primórdios da sua existência. Foi, certamente, através desta ferramenta que sobrevivemos enquanto espécie, possuíndo, por isso, uma dimensão protectora e organizadora da vida.

Desde os primeiros meses de vida que a criança sente medo, o qual vai evoluindo ao longo do seu crescimento. Assim, os medos mudam, efectivamente, com a idade, bem como de criança para criança, ainda que possamos falar de "medos típicos" em determinados estádios do desenvolvimento.

Entre os mais frequentes nesta etapa, sobressai o medo da separação, reavivado no momento em que a criança é deixada no infantário/escola ou na forma como se agarra aos pais quando os reencontra, como forma de garantir de que não terá que separar-se novamente. Em continuidade com isto mesmo está, igualmente, o medo da noite - outro momento que a reactiva as separações e que se veste de verdadeiras doses de (im)paciência para conseguir que os mais novos fiquem no seu espaço a enfrentar as criaturas fantásticas que preenchem o seu imaginário!

Dragões, bruxas ou elefantes debaixo da cama são produtos comuns da criatividade infantil, que, até aproximadamente aos 6/7 anos (momento em que ocorre a entrada para a escola e, com ela, o confronto com medos mais reais), vê nesta possibilidade um perigo palpável!

Mas, surpreenda-se? É neste processo de enfrentar o seu mundo interno e as produções fictícias que nele vai tecendo, que a criança ganha simultaneamente a capacidade de criar ferramentas capazes de a auxiliar nas batalhas que enfrentará pela vida. Frequentemente, encontramos adultos amedrontados que foram, de facto, crianças ás quais não foi permitido superar os seus próprios terrores - perante pais demasiado protectores ou, no extremo oposto, pais pouco capazes de se sintonizar com a dor dos filhos, desvalorizando-a.

Neste sentido, lembre-se: ter medo, não é assim tão mau! Pelo contrário, permite criar, por dentro, uma capa protectora de super-herói, capaz de sentir coisas reais, ora de olhos esbugalhados, ora de olhos fechados, mas sempre seguros de que, por si mesmo, será capaz de enfrentá-los.




O Canto da Psicologia,




Dr.ª Joana Alves Ferreira



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Lembra-se dos seus Sonhos?



Esta semana falamos-lhe sobre a capacidade de sonhar e a sua representatividade na vida emocional de todos nós. Ao longos dos séculos, foi existindo um profundo interesse por esta construção inconsciente do nosso psiquismo, espelhada nas explicações que foram sendo encontradas, à luz de cada época, sobre o tema. É, contudo, em 1900, que se revoluciona a concepção dada ao mesmo, com a perspectiva introduzida por Sigmund Freud.

Na sua teoria sobre a interpretação dos sonhos, Freud enfatiza o lado simbólico desta função vital, equiparando-a a um palco onde se expressam emoções, conflitos, desejos e angústias. Assim, o que anteriormente era interpretado como meros símbolos ou premonições, passou a ser compreendido como manifestações do nosso inconsciente, que ganham no espaço do sonho uma força de expressão.

Na verdade, na agitação com que vivemos diariamente - compromissos, rotinas, actividades que fazemos de forma sistemática -, acabamos por nos defrontar consecutivamente com o cansaço e o stress da vida contemporânea. É à noite, através do período de sono, que conseguimos desligar-nos deste mundo atribulado e cheio de informações, mas é também neste espaço que se acendem os holofotes para o que verdadeiramente se passa nos batisdores da vida emocional.

Quando dormimos entramos numa espécie de “processo mágico”, pois é durante o sono que somos verdadeiramente capazes de mergulhar num universo totalmente novo e secreto: o nosso inconsciente. Com efeito, durante o sono dispomos de forças inconscientes que nos levam a sonhar - todas as pessoas sonham e os sonhos, como nos diz Freud, são sempre a realização de um desejo. Desejos esses que existem dentro de cada um, mas que devido aos hábitos, cultura, educação bem como a moral da sociedade em que nos inserimos, foram recalcados, reprimidos, ficando no mais fundo e obscuro de nosso "baú do inconsciente", só manifestando o seu poder durante os sonhos.

É exactamente por isto que os sonhos funcionam como um importante motor da compreensão de quem somos e do que nos move, funcionando como uma ferramenta ímpar no trabalho psicoterapêutico e de conhecimento da pessoa.

Por isto mesmo, não se esqueça de olhar para os seus, lembrando sempre que o sonho é “a principal estrada que leva ao conhecimento dos aspectos inconscientes de nossa vida psíquica” (Freud).

O Canto da Psicologia,

Dr.ª Joana Alves Ferreira