sábado, 29 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
19 de Junho
É curioso, como vou cada vez mais me envolvendo e aderindo ao tipo de linguagem seja verbal
ou não verbal , que se vai usando neste espaço, dito, terapêutico! Reconheço
que já dou comigo a parar ( são só
fracções de segundos, mas paro ) e a pensar ,o que diria a terapeuta, ao
obrigar-me a reflectir sobre o meu
sentir perante determinada situação?
Mas hoje, hoje, não me apetece nada lá ir. Estou aqui no
carro, a deixar ir ao limite o tempo que dou a mim própria até tocar à
campainha… Peso uma tonelada! Custa-me mexer os braços, as pernas e sobretudo
os lábios… não me apetece nada lá ir! Não tenho nada para levar, não tenho nada
para pensar… e não faço a mínima ideia porque estou assim.
Bom dia Madalena!
Hoje, pela primeira vez neste meu processo, bati de frente
com os silêncios terapêuticos!
É um
silêncio e ao mesmo tempo, um ruído ensurdecedor e desarmante! Mas é também , em simultâneo,
acolhedor! Estranho, não é? Parece que aqui posso estar quando quero, como
quero, sem ter ninguém a questionar-me : “Então, não dizes nada? Estás calada?
Bom, se for para dizer algum disparate, o
melhor mesmo é estares calada!”
– Quem lhe dizia isso, Madalena?
Perguntou-me a psicóloga!
– Oh!!! Quase sempre o meu pai! Raramente estava em
casa e como a minha mãe dizia – é o trabalho, filha – mas quando estava, era
assim, dominante! A voz dele soava por todos os cantos da casa! Aliás,
a voz dele abafava completamente as nossas! E eu e os meus irmãos fazíamos tudo para evitar ouvi-lo quando nos soava a complicações, fossem elas quais fossem!
Talvez por isso, sempre que o meu marido levanta a voz mesmo que ligeiramente aos meus filhos, eu fico de imediato em estado de alerta! Lembrei-me disto
hoje, num dos meus silêncios e parece que de repente apareceu ali aos meus
olhos a razão desse meu estado incontrolável: detesto vozes mais altas do que o
habitual mesmo que o tom, só por si, não seja indicador de algo desagradável.
Eu acho sempre que é! Aliás, a minha colega Maria, a tal que me irrita tem uma
facilidade imensa em deixar a voz ir por aí acima e de repente, até eu, já falo
mais alto, isto é grito, porque acho sempre que ela não me vai ouvir!
– Mas a
Madalena acha que tem dificuldade em fazer-se ouvir? Perguntou-me a terapeuta!
E eu não consegui responder-lhe! Remeti-me ao silêncio… mas desta vez ninguém
me chamou a atenção sobre isso, nem exigiu de mim uma resposta…
Hoje não me apetecia mesmo lá ir! Mas, saí de lá a sentir que, pelo menos ela, aqui, ouve-me!
sexta-feira, 21 de junho de 2013
"Mas'há'grande"
Entrava o palato porta a dentro na procura de um refresco que lhe consolasse a alma. O calor que se avizinhava já o fazia soar e as temperaturas que tanto desejava estavam a chegar e o seu lado sedento por um trago tão fresco como a brisa e gelado como um glaciar doce.
Foi então que num pequeno copo terapêutico fizemos uma poção:- 1 caneca de café forte
- 2 latas de SevenUp
- 2 limões em quartos
- 1 ramo de hortelã
- 1 colher de sobremesa de canela
- 1 estrela de anis
- 1 colher de sopa de açucar mascavado
- 1 boa dose de gelo picado
Quando estendemos o copo alto como quem contém uma angústia no colo dizendo: prove este Mazagran.
O nosso palato desafia a capacidade de surpresa e diz: Mas'há'grande??? Tipo um copo maior!!!!
quinta-feira, 20 de junho de 2013
No Reino dos Porquês!
A Comunicação entre Pais e Filhos
Certamente, já lhe ocorreu ficar sem resposta para as inventivas
questões que o seu filho é capaz de colocar. Dotados de uma criatividade e de
um poder de interrogação inesgotável, as crianças são incrivelmente capazes de
levantar as mais inusitadas perguntas, transformando a assertividade dos mais
velhos num verdadeiro rol de embaraços!
Com efeito, é na descoberta que a criança faz de si e do mundo
que se abre espaço à dúvida – componente integrante do processo de crescimento,
representativa da capacidade de pensar e, por isso, prenúncio de saúde mental.
Todavia, do lado dos pais, a chegada ao reino dos porquês é, muitas vezes,
ladeada por uma esmagadora incerteza do que dizer, de como explicar e de se ser
capaz. Neste palmear de terra, gera-se a dúvida sobre a dúvida, emergindo
barreiras à comunicação, que restringem o entendimento e, assim, a própria
dimensão relacional entre pais e filhos.
Efectivamente, é com a mestria de que são capazes que os pais se
vão desenvencilhando, à medida que os filhos lançam tais desafios. Mas… Se há
temáticas que são particularmente difíceis, falar sobre sexualidade será uma
delas. Tema que acompanha todo o crescimento, a sexualidade constitui uma
importante componente do desenvolvimento da criança e que, por isso, impõe ser
devolvida sob a forma de resposta, sempre que necessário.
Importa lembrar que a pergunta em si mesmo denuncia uma
inquietação, pelo que exige que lhe seja devolvido um sentido, um entendimento.
Essa será a tarefa mais importante. Por outro lado, a criança fica, muitas
vezes, satisfeita com uma resposta sucinta, pelo que o que é realmente
necessário é compreender o que é que ela pretende exatamente saber,
respondendo-lhe de forma clara e precisa. Quando isto não é possível no
imediato e a mãe ou o pai não se sentem capazes de responder, é preferível
explicar à criança que irão pensar sobre o assunto e abordá-lo novamente mais
tarde. O fundamental é legitimar o sentir da criança e utilizar a verdade na
relação.
Assim deverá ser quando falamos sobre sexualidade. Desde que o
tema seja suscitado, importa que os pais pensem com os filhos sobre o mesmo e
que lhes permitam o conhecimento sobre si e sobre o que os rodeia, clarificando
e, necessariamente, tranquilizando a angústia que a dúvida encerra. Contudo,
não queremos com isto dizer que a criança deve ser exposta de forma abrupta à
realidade e que poderá encontrar formas de contornar a informação que lhe
parecerá necessária e suficiente. O que é realmente importante é não tanto o
conteúdo que é transmitido, mas a forma não-verbal como responde – a segurança,
a tranquilidade, o próprio tom de voz, são elementos que a criança captará.
Deixamos, em jeito de dica, algumas questões que, porventura, já
lhe terão colocado ou, quem sabe, irão colocar... Pense connosco:
- “Como é que eu nasci?”
Regra geral, todas as crianças questionam donde é que vêm,
enquanto dúvida universal. Devolver a ideia de que a criança nasceu a partir
dos pais e, se necessário, recorrer à célebre metáfora da semente que o pai
deixou na mãe será suficiente e apaziguador. Quando mais crescidos, poderá
ocorrer que a criança exija outro tipo de informação, e aí é importante
compreender a pertinência de explicar o processo de concepção à criança/adolescente,
desde que de uma forma contida e neutra.
- “Se estava na tua barriga, como é que saí?”
Bom, sabemos que umas perguntas levam, recorrentemente, a
outras, sendo que da primeira poderá, em determinadas ocasiões, surgir esta
última. Explicar que a criança nasce através da vagina não é problemático,
sendo, aliás, aconselhável. Iludir a criança e utilizar vocabulário que
substituía aquilo que é pelo que não é torna-se confusional.
- “Porque é que sou diferente da minha irmã?”
A partir dos dois anos, aproximadamente, as crianças começam a
compreender as diferenças, a partir das descobertas que encetam a partir do seu
próprio corpo. Neste contexto, impõe-se a questão da diferença, sobretudo no
que respeita ao feminino e ao masculino. Nesse sentido, devolver à criança que
de facto é um menino e, como tal, é como os outros meninos e que a irmã é como
as meninas é quanto basta para que a criança perceba que, efectivamente, existe
uma diferença.
O Canto da Psicologia,
Dr.ª Joana Alves Ferreira
quarta-feira, 19 de junho de 2013
12 de Junho de 2013
Se calhar porque esta semana é mais
curta, tenho andado a mil. (Será? Ou isto é um estado habitual em mim?).
Sinto-me frenética e com uma energia inesgotável, que supera o cansaço e chega
a alcançar uma resistência que creio que já não é para a minha idade! ( Mas
porque corro tanto? Parece que fujo de algo!) Às vezes, questiono-me que
dispositivo é este que parece existir dentro de mim, que dispara e tenta chegar
a todas as frentes, apagar todos os fogos, socorrer todos os pedidos... Como se
não houvesse noite, dia, ou talvez amanhã.
Foi isto toda a misericordiosa
semana: a imparável Madalena, entre processos que teimam em empilhar em cima da
secretária e que eu insisto em despachar a uma “velocidade cometa”, os pedidos
de última hora que, como habitualmente acontece, o meu chefe delega em mim, os
miúdos (sim, sobretudo a Matilde, que com os exames e o estudo em desespero,
tem pedido doses acrescidas de colo e paciência de mãe, porque nestas alturas
não há colo sem boas doses de compreensão aos acessos que pairam naquela
cabeça)... Bom, e ainda houve espaço para mais – e confesso que, enquanto
escrevo, me interrogo “Como mais, Madalena?! Não enunciaste já o suficiente?!”.
Pelos vistos não. Ainda houve espaço para inaugurar a reorganização sazonal da
casa, com o pretexto de que os miúdos estão praticamente de férias e faz todo o
sentido arrumar livros, cadernos, trocar roupas mais quentes pelas de verão...
(Agora que penso, não esteve assim tanto calor… agora que penso!! Como assim,
não pensei?).
Com tudo isto, claro que nem dei
pelo dia de hoje, quarta-feira, e só me apercebo da hora da sessão pouco antes
do seu começo. Saio, desvairada, pego na mala, esqueço-me do telemóvel, desço o
elevador e volto atrás para recuperá-lo, e sigo na tal “velocidade cometa”, em
conformidade com toda a semana, sem tempo para pensar e quase em
piloto-automático... Paro, apenas quando oiço:
Bom dia, Madalena!
E paro mesmo!! E penso!!! E saio
esgotada. Não sei se de alívio ou de exaustão, mas é como se a energia que o
meu dispositivo interno dispara tivesse encontrado um espaço onde pode
finalmente repousar, onde necessariamente teve que parar.
Mesmo não querendo,
como me disse a minha psicóloga... (o ligeiro atraso e o esquecimento do
telemóvel, como aliás da própria sessão, foi comentado... Começo a perceber
que, para estes lados, tudo tem um significado). E parece que tudo isto é uma
espécie de fuga de mim e das coisas que me custam ver... As desorganizações, as
separações!
Tanto que há para pensar! Mas o
me apetece mesmo dizer agora, cá para dentro de mim, é “Sossega, Madalena,
sossega”. E na verdade não há razão para fazê-lo. Creio que o dispositivo ficou
naquele espaço, pelo menos hoje, e talvez por isso me esteja a sentir tão
perdida, sem ter onde me agarrar... Para não pensar? Até eu já vou achando que
sim, que isto de pensar não é fácil...
sexta-feira, 14 de junho de 2013
No rescaldo de uma almoçarada de arromba, que preparou o estomago para uma noite de santos populares, este palato vinha babado … quase espumando de paixão por aquilo que definiu assim:
“Foi como deitar-me numa cama de algodão que afinal era um empadão!
Deitei-me e … regalei-me e não queria mais de lá sair …
é incrível como há pequenas coisas que nos aconchegam tanto!”
Este palato…este palato…envolveu-nos com pormenores que sentímos na língua…
Quando a saudade apertou e os amigos
finalmente chegaram com o bronze e sotaque de outras terras, não havia nada
como recebê-los com um almoçarão. O empadão era garantido mas…permaneceu um
certo mistério sobre o que cobririam aqueles “edredões” amarelos de puro sabor!
Em tons rosados arranjaram-se uns peitinhos de frango bem temperados à ponta dos dedos, cortadinhos em tiras
generosas, que logo ganharam um rubor muito próprio com um refogado no wook.
A farinheira
já cozia com tempo e atenção para não rebentar. Depois de cozinhado o
frango foi grosseiramente picado na "1,2,3" com quatro rodelas de chouriço. Retomou o Wook com o tomate pelado, com o corte da acidez por uma
colher de açúcar, e acrescentou-se a farinheira sem pele. Envolveu-se
o preparado com tons quentes sem faltar as raspas de lima e manjerona.
Os espinafres finamente escaldados lançaram-se numa pequena
frigideira à parte, acompanhados de alhos picados e minúsculos pedaços de
mozarela.
As natas de
soja deram o um toque de suavidade e com um pouco de leite incorporaram todos os ingredientes. O puré já feito, com as rugas de uma tradição de todas as avós e mães, tinha
cheiro a noz
moscada, ovo e limão.
O denso puré sem grumos virou edredom na primeira camada sobre o tabuleiro e
fez a cama para receber o recheio do wook. Colocou-se uma ténue camada de broa
tostada ralada toscamente. E posto o segredo foi tempo de o esconder
com outra camada de edredom igual à primeira.
Levou-se ao forno a corar por um tempo que deixou a salivar quem não tirava
os olhos do vidro e serviu-se num difícil silêncio expectante. O resto??? Bom o
resto já se sabe foi…hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!
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