quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

As crianças e os adolescentes também estão ansiosos… e é normal!

 



Crianças e adolescentes de volta a casa. Mais uma alteração…

Mais uma alteração entre tantas alterações que trazem novos desafios, tanto para eles como para os pais/cuidadores. Ao longo das últimas semanas, tem vindo a ser possível perceber que este novo isolamento do mundo em pouco (ou nada) se assemelha ao anterior, trazendo associadas muitas emoções dispersas, muitas alterações de comportamento, muita ansiedade e muitas questões, talvez, com poucas respostas. E qual é a diferença de há um ano atrás? Porque é que agora está a ser mais difícil? “Não consigo perceber o porquê de se estar a portar desta forma”. A resposta é simples (e complexa ao mesmo tempo), e está exatamente nas palavras da pergunta, porque passou um ano, porque já não é novidade, já não é divertido estar em casa, já não é divertido não ter nada para fazer, já não é divertido não ser possível ir à rua, já não é divertido ver os amigos e a família só pelo ecrã. Tudo o que há um ano atrás foram novidades agora já não o são, agora têm o peso de tudo o que já passamos e que continuamos a passar, de todas as notícias da comunicação social que parecem não melhorar, de todas as emoções e ansiedades acumuladas. E é normal!

Vemos o desespero dos pais/cuidadores, sem saber o que fazer com os filhos em casa, alguns que ao mesmo tempo têm de trabalhar, sem saber como vão conseguir acompanhá-los da forma que seria a ideal, agora nas aulas online, que mais uma vez todos fomos obrigados a aceitar. E se para os pais/cuidadores é difícil vamos tentar, por um momento, colocar-nos no lugar das crianças e dos adolescentes… as crianças ainda com pouca bagagem que as permita gerir toda a informação que lhe é “atirada” diariamente, os adolescentes a verem ser-lhes “roubadas” todas as experiências típicas desta fase das suas vidas. As crianças sem perceber porque é que numa situação normal quando os pais/cuidadores estavam em casa era o momento para estarem todos juntos e agora não podem falar com eles quando estão mesmo ali ao lado (porque a sala é agora o escritório). Agora, como escrevi há uns meses atrás, voltam-se a fundir os espaços de lazer com os de trabalho/escola.

E, mais uma vez pergunto, o que mudou desde há um ano atrás? A bagagem que todo este ano trouxe, as frustrações, as limitações, as proibições.

Se os pais/cuidadores também estão cansados? Estão! Exaustos? Sim! Ansiosos? Também… Mas são eles os pilares destas crianças e adolescentes, são estes que eles esperam que consigam dar o suporte que precisam. Por isso, temos de ouvir as nossas crianças e adolescentes, temos de valorizar os sentimentos que nos transmitem.

Nem sempre estes sentimentos vêm em forma de palavras (o que poderá tornar tudo isto um desafio ainda maior, é certo), mas sim de comportamentos alterados. É por isso essencial valorizar e validar o cansaço, a ansiedade, a tristeza, a revolta, a irritação, os medos e, ao mesmo tempo, incentivar a que exprimam as suas emoções, porque é normal que as sintam, principalmente neste momento, perante esta situação. Podemos todos sentir ansiedade e eles também. E é normal!

 

Drª Rita Rana - Lisboa

O Canto da Psicologia


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