quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A fobia no pós-pandemia...

 



Pandemias, epidemias e catástrofes naturais têm tendência a propagar medos e a alterar comportamentos. Quanto maior for o evento stressante, maior será o seu impacto e as suas consequências. A saúde mental deve ser uma das preocupações centrais desta pandemia. Existem pessoas com predisposição psicológica, que se encontram mais vulneráveis, que podem desenvolver perturbações mentais, mas, na realidade, ninguém está ileso de as desenvolver.

Esta pandemia tem alterado a rotina das pessoas de uma maneira inesperada e que irá gerar consequências mesmo após esta situação estar controlada. O confinamento social, o contágio do vírus, o número de óbitos, podem gerar sequelas psicológicas, como as fobias. Destas, três são as mais frequentes:
 
Fobia de doença: é a fobia do contágio. É o medo de ficar doente e morrer, de contagiar familiares e amigos. Pode gerar sintomas físicos, mas gera principalmente crises de ansiedade e ataques de pânico.

 
Ataques de Pânico: é uma situação súbita de medo intenso associado a sintomas como palpitaçõessuores, tremores, falta de ar, dormência ou sensação de que está prestes a acontecer qualquer coisa má. Nesta pandemia, o medo mais frequente é o medo da morte e da doença, tanto da própria pessoa, como relativo a um familiar.


Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): são crises recorrentes de compulsões que se tornam obsessivas no dia a dia das pessoas. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que provocam na pessoa ansiedade ou mal-estar. A pessoa sente a necessidade de ignorar ou suprimir a ansiedade causada por essas obsessões através de pensamentos, rotinas ou atividades repetitivas denominadas de compulsões ou rituais.

Com a pandemia, todos temos comportamentos diários repetitivos, como lavar as mãos, usar frequentemente o álcool desinfetante, desinfetar produtos que trazemos para casa, entre outros. Estes comportamentos quando associados a este evento stressante podem desenvolver uma TOC ou agravar quando já existe.

 

E a Fobia Social? Algumas pessoas com este diagnóstico sentiram os seus sintomas diminuídos aquando da quarentena obrigatória, não estando expostas ao seu maior medo, o medo da interação social, da avaliação do outro, da exposição ao outro. Mas há quem tenha desenvolvido um quadro de solidão e tristeza profunda em consequência do isolamento social e que pode tornar ainda mais dificil um regresso a esta nova realidade, com medos mais intensos e por consequência uma maior ansiedade.

 

Falar sobre os medos alivia a ansiedade e contribui para um bem-estar psicológico, necessário para superar esta pandemia. Estes medos e a consequente ansiedade podem surgir em adultos, mas também nas crianças e nos adolescentes. Não hesite em procurar a ajuda de um Psicoterapeuta de modo a evitar um sofrimento prolongado.

 

Drª Irina Morgado - Setúbal

O Canto da Psicologia

 

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