Amores e desamores.
Correspondidos, não
correspondidos, quentes, mornos, delicados, apaixonados, românticos, sexuais,
traidores e fieis.
Já vivi de tudo.
Todos me ensinaram alguma
coisa. Todos deram e tiraram emoções à matemática do amor que de certo tem
muito pouco.
Aos 15 perdi-me de amores por
um amor não correspondido. E que difícil foi. Mas a vida e a experiência
ensinaram-me que dos amores não correspondidos, apesar de haver momentos em que
achava que morria de tanta angustia por este amor vivido a um, nesta idade ou
se for esta a nossa primeira experiência a este nível, é ainda assim o mais
fácil de gerir por comparação com desamores experientes, ou em idade adulta
digamos...
Nestas idades, apesar de
acharmos que já tudo sabemos, a verdade é que sabemos muito pouco. Na
realidade, nós, e o nosso desamor, vivemos isto da forma mais sincera possível.
Eu gosto de ti…tu também não. E é isto. Por mais que a nossa cabeça de menina
apaixonada ache que há ali mensagens escondidas, jogos e técnicas de sedução
perversas…não há!
A idade e a falta de experiência
não deixam que assim seja. E se ele não gosta de nós, é porque não gosta mesmo.
Este desamor dos 15 anos,
tornou-se depois num grande amor aos 17 que durou alguns anos. Com ele descobri
que era conquistadora, persistente e sedutora. Valências estas que tornaram este
desamor num amor a dois. Com este amor, conheci a saudade dos apaixonados, o
ciúme, a posse. Foi com ele que me descobri como mulher e foi a dois que
conhecemos o que era fazer amor. Achava que era para sempre…, porém este meu
primeiro amor, ficou no passado. Acabou como começou, num grande desamor, mas
agora em papeis alternados…e com ele descobri o que era dar ao outro um grande
desgosto de amor.
Aos 22 estava disponível para
conhecer todo o tipo de sentimentos que as relações entre um homem e uma mulher
podem dar…e assim foi. O futuro do verbo amar exigia a minha presença!
Conheci e dei-me a conhecer ao
amor sempre de forma apaixonada. Durante um par de anos vivi muitas relações e
percorri todos os cantos da paixão, do amor, do desamor e do prazer.
Recordo o dia em que o meu
telemóvel tocou, ao fim de um dia de trabalho. Tinha acabado de chegar a casa
dos meus pais.
Numero privado, que depois de
muita insistência lá me rendi a atender… e rendida fiquei a um desconhecido de
voz rouca, que de tanto ouvir falar de mim da boca de uma melhor amiga comum,
achou que o seu regresso a casa naquele dia teria como o objetivo, conhecer
pessoalmente essa amiga que tanto se falava.
Ao fim de duas horas de
conversa pelo telefone, feita na 3 pessoa do singular (coisa deveras excitante),
dei por mim a entrar no carro do F. cheia de vontade de matar um desejo louco e
inesperado de um desconhecido… e assim foi.
Durante 3 meses vivi aquilo
que agora chamam de 50 sombras de Grey... Fiz as maiores loucuras por este amor
sexual. E aprendi imenso com este homem, sobre os homens e a sexualidade.
Descobri que uma relação
puramente sexual, é surpreendentemente libertadora, revigorante e desafiante; não havia horários, não havia
local, não havia regras. Só havia desejo; na fugaz hora de almoço no
restaurante agitado de executivos, matavam-se desejos debaixo da mesa, do
efeito que as mensagens trocadas pela manhã fora deixavam em nós; no parque de estacionamento
antes de chegarmos ao hotel, porque o desejo queimava e exigia urgência; nas noites que se passavam
acordadas, ele a descobrir-me e eu a aprender todo um mundo de prazer com ele.
Estas noites que se colavam
com o amanhecer, que pareciam ser droga e que me toldavam o juízo e seriedade e
me faziam chegar atrasada à empresa quase todos os dias.
Este amor sexual era isto, não
havia os programas típicos de cinemas, de fins de semana românticos, de
passeios a dois. Havia muito desejo do mais cru
e carnal que pode haver, mas também sincero. Nesse tempo fomos só um do outro.
Até ao dia em que terminou. De
forma tão abrupta como começou. Não deixou mágoa, só uma imensa experiência que
nunca esqueci.
Os amores e desamores dos
tempos idos, foram vividos com mais ou menos intensidade e entrega. A caminho
dos 30 vivi dois papeis ambos exigentes, ambos apaixonados e como tal cheio de
amor e dor.
Vivi o verbo trair… na
primeira e na segunda pessoa. Um dia conto… nas duas pessoas…
Petra
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