segunda-feira, 20 de julho de 2020

Respirando emoções com e sem máscara...






Aviso: texto carregado de símbolos, metáforas e transposições de uma realidade para outra. Ler com liberdade de pensamento.

Inspirar e expirar. Duas ações intimamente ligadas. Uma seria impossível sem a outra. O processo de respirar contém em si mesmo ambas ações. A primeira para absorvermos o que está ao nosso redor, aproveitando os bons elementos. A segunda considera os elementos que não nos fazem falta e até elementos residuais produzidos por nós, expulsando-os do nosso sistema. Esta dualidade de que falo existe em praticamente todo o lado (o sistema digestivo, por exemplo, trabalha também desta maneira, bem como muitas outras coisas na natureza).

De alguma forma, parece que desde sempre se deu primazia à compreensão destes processos físicos e ao seu mau funcionamento, às suas lacunas ou falhas. O que é compreensível uma vez que se não estivermos a cumprir as funções mais básicas (físicas) não conseguimos simplesmente sobreviver. 
No entanto, pode dizer-se também que o nosso físico está intimamente ligado às nossas emoções. As emoções e todo o nosso conteúdo interno, muitas vezes - para não dizer sempre - têm uma influência elevada e até desconhecida sobre os nossos processos físicos. Tudo isto pode ser olhado à semelhança deste processo da respiração. Permitindo-nos viver e não apenas sobreviver. Mesmo desde antes de nascermos - na gestação - o mesmo se passa. Absorvemos o que está à nossa volta e deitamos cá para fora aquilo que não precisamos ou que nos é nocivo. Este processo repete-se infinitamente até morrermos.

Caros leitores, não levem a mal esta pergunta, mas, se nos foi ensinado a prevenir ou resolver o que não nos faz bem fisicamente, por que razão nos é tão difícil procurar compreensão profissional relativamente ao que nos toca no âmago, emocionalmente

Nestes tempos de pandemia, onde vivemos, a respiração livre está cada vez mais comprometida, seja pelas máscaras que colocamos (na cara e dentro de nós), seja pelo isolamento ou confinamento que fomos obrigados a respirar (sem a possibilidade temporária de inspirar novos  elementos).

Este texto tem então um objetivo muito simples: libertação de máscaras e estereótipos que em nada facilitam a compreensão de um self. Serve para dizer, a quem quer que esteja a ler, que as nossas coisas, aquilo que habita dentro de nós, desde sempre ou novo, pode ser compreendido, processado, transformado e sobretudo consciencializado - processo sobre o qual se debruça grande parte da relação terapêutica (a emergência de conteúdos do inconsciente para o consciente, de forma a poderem ser reconhecidos e trabalhados). É um processo difícil? É. Vale a pena  o esforço? Posso asseguradamente dizer que sim.

O processo psicoterapêutico, se é que alguma vez o foi, já deixou de ser para malucos. No entanto, parece ser apenas em crise que existe a liberdade interna de procurar ajuda profissional neste sentido. Porquê? 
Na minha ótica, o autoconhecimento e o conhecer do nosso mundo inconsciente são das maiores ferramentas que se podem levar para qualquer campo da vida. Porque não?

Numa altura destas em que está a ser difícil respirarmos em liberdade, ter um espaço onde podemos livremente respirar, sem máscara dentro de nós, é realmente uma lufada de ar fresco.





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