quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Pelos caminhos de portugal vi um Psicólogo sem igual...

 


Num abrir e fechar de olhos, estamos a caminho do fim de Agosto… ali, ao virar da esquina, começa o Setembro, o regresso ao trabalho, às aulas mas, este ano, com uma nuance que nos reserva os planos de um quase presente sem futuro perante um registo contaminado por um vírus.

No ar, ainda paira o desejo de um verão como o de 2019 feito de festas populares, alegria, convívio, concertos, imagens que proliferaram pelas redes sociais de gente de férias, no Algarve, Caraíbas, Grécia, Itália, Espanha, um rol de países “felizes” ou, de gente feliz, com saudade e nostalgia. Este ano, não!

Este ano, 2020, um ano que prometia muita coisa extraordinariamente boa (segunda as previsões horoscopas)  , reserva-se a um sem fim de nada, enfeitado por máscaras que retiram sorrisos,  olhares e afectos, reduzido a uma imensidão de incertezas  cobertas  de medo mas,conseguindo  sobreviver…

E de repente, perante este desamparo de coisa segura, de confiança destrutível, de medo de voar para outros “tempos e marés” a maior parte de nós, em tempo de férias, queda-se em casa, no País, num registo de confiança (?) e segurança(?). E o que descobrimos?  Um País absolutamente maravilhoso, com cantos e recantos prontos a serem visitados, conquistados, idolatrados , reconquistado a uma ignorância alimentada pelo excesso de estímulo “ na galinha da vizinha”… e, espanto dos espantos:  que coisas maravilhosas  descobrimos de norte a sul de um país à beira mar plantado, impregnado de história reconhecida em cada monumento, paisagem, céu, vegetação e um sem fim de coisas absolutamente únicas, resquícios de um tempo e de um povo. Isso somos nós! E este ano, nas redes sociais, nos influencers da moda e afins, parece que descobriram o invisível tornado visível de um país que, por acaso, é só o nosso...

Perguntam-se agora por aí, quem nos lê, mas o que tem isto a ver  com o "mundo interno" d' O  Canto da Psicologia? Aparentemente nada mas, afinal, tem tudo…

Repetimos constantemente, no nosso Canto, a importância de um processo terapêutico em tempo de "paz interior"; a quem nos ouve e lê, sensibilizamos diariamente a procura de um espaço como este onde só estamos "eu" e alguém que, através de questões  convide ao pensamento, e ensine a exercitar o  pensar  de maneira a que a estrutura interna se torne firme e sólida; e, sobretudo, sensibilizamos a procura de algo em que, basicamente e aparentemente, naquele momento, não é um bem necessário mas, um necessário bem.

No entanto, e de uma maneira compreensível e aceitável , só quando um vírus vil,  infame ( dor, tristeza, perda, desamparo, abandono,esgotamento, angústia, ansiedade) invade o interno de cada um de nós deixando-nos confinados a um sentir  petrificante isento de rasuras possíveis de serem abertas tornando imperativo  e urgente  a necessidade de procurar ajuda, é que a  procuramos, tal GPS de guia pelas estradas de um país, permitindo-nos encontrar cantos e recantos de nós, petrificados e enregelados pelas vivências de anos, desespero de “séculos” e angústias de tempos perdidos num tempo que é só nosso.

E aí, aí, descobrimos a beleza, a deliciosa essência de espaços internos nossos, rodeados de afectos, pincelados de emoções coloridas, ávidos de serem libertados de crenças, juízos de valores e criticas, e que nos permitem a liberdade de sermos verdadeiramente NÓS. Nesta estrada, podemos ter lombas que nos icem de maneira desamparada, buracos que nos  retiram, temporariamente ,o chão , pedras que empanquem os passos mas, seremos nós, cientes do potencial que nos define e permite continuar o caminho admirando, passo a passo aquilo que o mundo me vai dando e que eu vou permitindo aceitar ou recusar, sem medos e culpas. ISTO É O ENCANTO DA TERAPIA!

Será isto ser feliz? Pois, não sei mas, quando o souber, partilho! 


Drª Ana de Ornelas

Directora Geral do Projecto

O Canto da Psicologia

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